Há décadas atrás, ainda a Internet não tinha chegado a Aldoar, o Velho Lau começou este blogue. Quer dizer, não foi assim há tanto tempo, mas parece.
A ideia, era ter um sítio que respondesse por si à pergunta que as pessoas me faziam permanentemente:
Porque carga de água andas de bicicleta na cidade?
Hoje em dia deixaram de me fazer essa pergunta… assumem logo que foi um plano maquiavélico para vender bicicletas e prontos.
Bem, para além de todas as asneiras mais ou menos inocentes, mais ou menos lamechentas, que fui arrotando aqui no blogue, há uma que responde mesmo muito bem a essa pergunta. Mesmo. Muito. Bem (vi isto de dizer a frase entrecortada em pontos entrecortantes em qualquer lado e gostei): é esta e é das primeiras.
Basicamente, podia ter ficado por aí, já que estava tudo dito, mas ainda bem que não o fiz, porque entre outras coisas importantes, a minha vida social tinha sofrido com isso. É que hoje, noventa por cento das vezes que saio de casa é para ir ter com pessoal das biclas.
Este discurso não vem a propósito de um eventual fechar de tasco, apesar de isto já não ter o vigor do antigamente, mas para apresentar esta coisa bonita aqui em baixo, que, de uma forma simpática, podia servir de ilustração ao postal referido ali em cima. É que ao andar de bicicleta, sou a cidade.
Bicicletas: “Somos pessoas em contato direto com a cidade”
Assim como quando caminhamos, ao pedalar estamos em contato direto com a cidade, somos parte dela, nos relacionamos com seus outros habitantes, seja através de olhares, linguagem corporal ou mesmo conversas que acontecem no espaço público. Não há interfaces nem elementos que nos limitem; estar livre, sem barreiras metálicas, é enriquecedor.
(…)
Isto é o que o artista Zhao Huasen procura expressar em sua obra “Flutuante”, em que remove digitalmente as bicicletas de fotografias em que aparecem cidadãos pedalando. Há, por um lado, um toque humorístico, ao vermos as elegantes posturas dos corpos ao pedalar, mas também mostra este contato direto com o território urbano, a presença clara e direta das pessoas na cidade. Perceptíveis apenas através das sombras que projetam, as bicicletas são invisíveis, fazendo desta obra um tributo aos ciclistas urbanos.
No ponto.
O texto pode ser lido aqui, onde estão o resto das imagens. A sugestão veio do David Afonso.






























