Crónicas do Primeiro Mundo CLXXI

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“Crossrail For Cycling”: Major New Bike Lane Planned

Flanked by his new cycling czar Andrew Gilligan and Olympic gold medallist Chris Boardman, the Mayor will this morning unveil the latest phase of his “cycling revolution”.

Cycling in the City has a detailed analysis of all the expected announcements. But the headline project is a huge new cycle lane, properly segregated from vehicular traffic, running from east to west via the Westway and the Victoria Embankment: a “Crossrail for cycles”, as it has been dubbed. When complete it will be 15 miles long, stretching from Shepherd’s Bush to Canary Wharf and on to Barking.

Among the other measures unveiled include:

  • A bike grid of safe routes through central London, which will involve traffic-calming measures and some segregated lanes;
  • A series of “mini-Hollands” on the city’s outskirts which, potheads will be dismayed to learn, basically means doling out significant sums of cash to outer boroughs in order to encourage and facilitate short trips on bike;
  • A study on whether it is feasible to ban lorries entering central London;
  • A trial of allowing bikes on the Docklands Light Railway;

All in, some £900m will be spent over the next ten years on trying to make cycling a major part of London’s transportation network.

This is bold, potentially city-changing stuff. The challenge will be getting it done properly. Yet in Boris Johnson we have a man with both the clout and the desire to do it, for one reason: his legacy. If (as promised) this is his last term as Mayor, then he has relatively little to show for his efforts: a new bus, a popular but flawed bike hire scheme and a cable car that nobody uses. None has really left a permanent mark on London, in the way that Ken Livingstone did with the congestion charge. In short: the mayor needs a legacy, and the measures proposed today would be a major step in reconfiguring our city as a bike-friendly place.

Ler no Londonist

Ao contrário

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Enquanto na terrinha se multiplicam campanhas em que os imprevidentes peões são avisados para terem mais cuidado na rua, os ciclistas são tratados tipo selvagens em fuga do demo e os bem comportados automobilistas zumbem de um lado para o outro com o cuidado a que já nos habituaram, nos países civilizados as coisas piam mais fininho.

O boneco ali em cima mostra a campanha que o pessoal de Hackney (Norte de Londres) promoveu no final do verão, avisando os automobilistas para terem cuidado com os ciclistas. Tipo a aberração da ACP, mas ao contrário. Ou ao direito, pois assim é que está bem. Curiosamente, é apenas uma de muitas coisas do género que se podem ver por lá.

Esta semana, mesmo em frente ao sítio onde ia dormir, havia uma ghost bike. Era de um rapaz chamado Javed, que foi atropelado por um camião a caminho do trabalho. Paradoxalmente, era um camião holandês.

javed

Um destes dias, quando estou a sair de casa, encontro uma cópia do London Evening Standard no átrio. Trazia a notícia do acidente, com um destaque para a seguinte passagem:

The male driver of the Dutch-registered lorry which hit him has been arrested on suspicion of causing death by careless driving.

Aqui, no terceiro mundo automobilistico, o rapaz, seria considerado um inconsciente e o motorista ainda era capaz de ver o seu estatuto elevado a vitima sofredora de graves danos psicológicos. O Sr. Barbosa até era capaz de lhe entregar um prémio.

Esta duas últimas fotografias foram tiradas daqui e daqui.

Conflitos

BUS x BIKE

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Como lá a catrefada de operadores de autocarros que existe é obrigada a ter os bólides todos com a mesma imagem (e bem), não dá para perceber se este é da Resende. Foi mesmo à minha frente, em Londres.

Amo a ironia da mensagem lateral do bicharoco:

Transfer to a more human conversation.

Ah,  e encontrei o Wally.

The Deptford Project

The Deptford Project Café is the first step in a project to completely regenerate the area around Deptford Train Station and the old Victorian carriage ramp.

Sabes que és um bocado de um sítio quando crias as tuas rotinas. Quando crias as tuas rotinas e tens saudades delas quando não as tens, mas sabes que vais voltar a tê-las.

Gosto de acordar em Newcross, em Lewisham, que apesar de ser em South London, a minutos de Overground do hipstérico East End, é um sítio que uns dizem ser “pior que a Póboa”. Para mim é um dos sítios mais fixes para se estar em Londres.

Quando acordo em Newcross, gosto de andar vinte minutos a pé, só para ir comer qualquer coisa a Deptford, que é mais ou menos as caxinas de Lewisham, mantendo uma perspectiva ‘póbeira’ da zona.

E se faço a estopada matinal até Deptford, é porque vale a pena. Vale a pena, porque lá está o projecto comunitário mais apetitoso que conheço: o The Deptford Project.

Our 35 tonne 1960′s South East Trains carriage made its way from Essex on Valentine’s Day 2008 as our gift of love to Deptford High Street. A painstaking 2 miles per hour journey down the A11 brought the carriage to Deptford at midnight, clearing the railway bridge with 2 inches to spare. Conceptualised and pulled together by Raw Nerve and lovingly converted into a café/bistro by Studio Myerscough.

Aparentemente, é uma carruagem de combóio convertida em café daqueles com comidinha eticorresponsável e toda bué saudavelzinha. É um pouco mais do que isso.

É uma grande valia para uma das comunidades mais carenciadas da grande cidade, trazendo gente nova, gentrificando e envolvendo as familias locais no processo.

A senhora gorda na carruagem, como a desenhei na segunda visita a Londres deste ano.

Lá atrás da carruagem, num grande pátio, estão os arcos. Nos arcos há pessoas que fazem coisas fixes, como uma espécie de cicloficina, o Union Cycle Work, que nunca consegui apanhar aberto (o pessoal dorme, Lau):

They believe that every bike should have a story. They make beautiful bespoke bikes for people and at the same time they work with disadvantaged people from diverse backgrounds.
They are a not-for-profit co-operative cycling project in the heart of Deptford. They are a community cycling space, running innovative cycling events and workshops for Deptford residents and the wider cycling community.

O Deptford tem outra coisa fixe: a empregada mais estilosa de sempre. Nunca tive coragem para lhe tirar uma fotografia, mas rabisqueia-a ao de leve, como podem ver ao fundo, no desenho lá de cima.

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PS: se isto fosse cá, já estava entaipado, não fosse a moda pegar.

Londres, outra vez

Motivos vários têm-me levado a Londres com alguma frequência. Este ano já se contam duas visitas, que somam às dos dois anos anteriores.  Até ao final do ano há mais algumas programadas. Nenhuma delas está relacionada com as Olimpíadas ou com ciclismo de pista.

Depois do sucesso do relato de uma visita no ano passado (ver aqui e aqui) e com algum bom material recolhido, sinto-me um bocado naquela de não publicar nada sobre as experiências mais recentes.

Não pensem que vou publicar longas crónicas espetacolheres, mas vou publicar algumas coisas. Umas podem ser mais pessoais, outras sem bicicletas, outras podem ser só coisas.

Ali em cima podem ficar com o delicioso panorama das minhas sapatilhas fedorentas e da cara do meu querido sócio na nossa visita  em Abril. Foi ali, do sofá da minha irmã e com aquela perspectiva, que escrevi alguns dos textos que publiquei nessa altura. Foi ali que passei boa parte do meu tempo a planear coisas.

As ruas que derramam carros

Goodbye, Sidewalks: London Planners Break Down Boundaries Between Cars and Pedestrians

Advocates for livable streets usually push for more sidewalks and bikelanes to protect pedestrians and cyclists from cars. Division is seen as the key to safety and participation. But a new project in London questions the idea of barriers to begin with, envisioning a “shared space” for the intermingling of vehicles and walkers. It may seem chaotic, but planners believe it could foster a more accessible, safer, pedestrian-friendlier thoroughfare by forcing everyone to slow down and be aware of who’s on the road.

Exhibition Road in London—a half-mile strip in the city’s cultural heart that draws 11 million visitors each year to its numerous museums and cultural institutions—will reopen next month without clear lane markers or curbs. As The Guardian describes it, the new design “is about suggestion rather than certainty.” Similar projects on other streets in London have decreased accidents involving pedestrians, showing that both walkers and drivers tend to pay better attention when they realize that they can’t rely on barriers to guide them.

Ler no Good.

Por cá, há uns anos, tentou fazer-se uma coisa do género em frente ao Museu Soares dos Reis, com resultados verdadeiramente desastrosos. A culpa é mais do fraco civismo das pessoas, da falta de fiscalização e do profissionalismo do calceteiro, do que do planeador propriamente dito. Também não ajuda aquilo ser um acesso às urgências do hospital, mas isso já se sabia antes do projecto ser feito.

O projecto “reformulado” da saída do túnel para a Rua D. Manuel II, já aprovado por todas as instâncias, foi apresentado hoje em conferência de imprensa pelas direcções do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar) e da empresa municipal Gestão de Obras Públicas (GOP).

No topo da rampa, vão ser colocadas bandas sonoras e um sinal de proibição de circulação acima dos 30 quilómetros por hora. O pavimento da rua vai ser substituído por um lajeado de granito amarelo que obrigará também à redução da velocidade.

Público

Os muretes de protecção do túnel vão afastar-se alguns metros da entrada do museu e está a ser colocado um lajeado amarelo em vez do asfalto, obrigando os automóveis a circular a uma velocidade máxima de 30 quilómetros por hora.

A saída do túnel mantém-se a 78,3 metros do museu e o limite de velocidade imposto terá de ser obrigatoriamente cumprido, caso contrário, o pavimento em granito causará danos à suspensão dos veículos.

JPN

A saída do túnel mantém-se no mesmo sítio, mas será criada uma zona de circulação automóvel a baixa velocidade, em jeito de praça (lajeado de granito amarelo) com 73,50 metros (abarcando toda a frontaria do Museu Nacional de Soares dos Reis). A velocidade máxima será de 30 quilómetros horários.

JPN

Em teoria, isto seria a “praça”, ondes os condutores e os peões iriam coabitar pacificamente:

Mas o que se verifica é uma coisa completamente diferente.

A saída do túnel é de uma agressividade atroz. Quem atravessa a rua, não consegue perceber, até ao último momento, se vem alguém a subir em direcção à superfície.

Qualquer espaço livre é aproveitado para estacionar. A inexistência de um desnível entre a via e a calçada, faz com que as pessoas se desinibam e metam o carro onde deveriam estar as pessoas. Em frente ao museu existem ums arabescos e umas letras de metal, a fazer a separação da zona de circulação, que já estão desfeitas pela pancada dos carros.

A fotografia seguinte, tirada pelo carro do Google, dá uma panorâmica de um dos dias mais calmos na zona.

Em frente ao Museu, só se vai a trinta à hora nos momento em que se abranda para o semáforo.  Ninguém tem medo do empedrado, que até é melhor pavimento que a generalidade das ruas em paralelo. Está demasiadamente bem feito, ao contrário do normal.

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PS: este texto e respectiva fotografia do Paulo sobre o mesmo assunto, tal como sugerido nos comentários do postal:

e já agora, também o do Carlos Romão,  que mostra o outro lado da rua, na Cidade Deprimente:

Nesta foto é interessante apreciar o Peugeot na rota da criança, que vai no meio da via porque o passeio foi tomado de assalto.

The Bicycle Library

Já tinha escrito aqui sobre a Bicycle Library, que pertence ao grupo restrito das coisas com o rótulo “A Adega do Ciclista podia ser isto”. Entretanto, hoje no London Cyclist:

Inside a converted double decker bus in East London resides the Bicycle Library. From the bus you can borrow one of seven different types of bikes. These are:

  • Folding
  • MiniVelo
  • FixGearSingleSpeed (FGSS)
  • LadiesCoaster
  • MensCoaster
  • Cargo
  • Electric

You can then either test this bike out around the circuit or, with a deposit, ride it away for further testing to see if it suits you.

On hand at the scene is also a team of “librarians” that can advise you on your cycling needs. If you are satisfied with the bike then they can help you order it from the manufacturer.

The bus, a Leyland Olympian, was sourced from Milton Keynes. It was then converted into the bicycle library. Upstairs is a seating area with cycling books.

The borrow a bike and if you like it buy it concept isn’t particularly novel (companies such as Foffa Bikes do it) but I have to praise the ingenuity of setting up shop inside a double decker bus. Can’t wait to go check it out for myself!

Crónicas do Primeiro Mundo LIV

Mais um incidente a fazer lembrar isto.

Cyclists use viral video to track down alleged attacker

The arrest of a man on suspicion of assaulting a cyclist is a clear example of YouTube and the blogosphere helping to solve crime.

(…)

A motorist was caught on camera physically attacking a cyclist, punching him in the head. Onceposted on YouTube - with a plea for help with identification – the video went viral and clocked up almost 150,000 hits. On Thursday Nicholls went with his lawyer to Dartford police station where he was arrested on suspicion of assault.

(…)The victim, Simon Page, a 49-year-old lawyer, was one of seven cyclists riding from Dover to London in training for a charity ride.

 (…) t’s a clear incidence of YouTube and the blogosphere helping the police to solve crime. Under the video the cyclists have now posted this statement: “Thanks to a powerful combination of clear video evidence and viral internet publicity [a] man [has been arrested].

(…) Cycling campaigners have pointed out that drivers really have little choice other than to get used to cyclists being on the road as cycling isincreasing dramatically at least in some parts of the country.

Texto completo aqui.

Motivar as Massas LIX

Continuando no espírito londrino e no tema “carregar coisas“, publico aqui uma mensagem da Mariana, encontrada hoje no email.

Olá Miguel

Tenho vindo a seguir o teu blog com interesse e muito me tenho rido, por exemplo com o vídeo dos apanhados italianos, a fotografia da Holanda a ilustrar a crónica do acidente e alguns comentários mordazes.

Mas claro está que ganhou outra dimensão quando vim viver para Londres em Janeiro. Como é evidente, desloco-me para todo o lado de bicicleta, na minha Scott adquirida em segunda mão em Brick-lane.

Azar dos azares, tenho de enfrentar “a agressividade topográfica de Hampstead” onde trabalho e embora seja perto, cerca de 6km, sinto-me a fazer o prémio da montanha.

Sendo a bicicleta o meio de transporte eleito, tem de servir para transportar tudo, até uma tábua de passar a ferro: 4 kms desde o Argos.

Adorei receber este email por vários motivos e ler “Como é evidente, desloco-me para todo o lado de bicicleta“, depois de ter lido “It just isn’t a cycle-friendly city” no artigo que deu origem ao post anterior, voltou a pôr as coisas no devido lugar.

“Mudar o chip” é o ponto fundamental do processo. Se nos habituamos a uma rotina dentro de um carro, dificilmente vamos considerar a mudança de forma pacífica. É por isso que, para quem chega de novo, tudo é mais fácil e natural.

É pena ainda haver quem, mesmo depois de uma experiência alternativa, esquece tudo quando regressa a casa, tal como o Erasmus que mal chega de Copenhaga, pega logo no carro para ir comprar tabaco. Felizmente, parece que, no que respeita às binas, a tendência começa a ser outra.

Para mudar o chip mais rapidamente, a primeira coisa que fiz quando decidi largar o carro, foi ceder definitivamente a uma colega o meu lugar gratuíto na garagem do edifício onde trabalho (já que não o podia eliminar), na condição de deixar espaço suficiente para uma ou mais biclas. Foi uma forma de me disciplinar e de assimilar uma rotina nova com menos opções. A segunda foi escrever um blogue e a terceira vender um dos carros da família.

 Hoje, até podia ter uma grade de minis geladas à espera na garagem, que nem sequer pensava em pegar no carro.

A coisa boa das cidades grandes

A coisa boa das cidades grandes é a de quando algo novo pega, pega mesmo e depois é difícil voltar atrás. E a par do coro de cépticos, aparecem logo muitos tipos a fazerem coisas engraçadas.

Twelve months after its launch, London’s cycle hire scheme has accounted for 6 million journeys across the capital. But problems persist – poor organisation, spiralling costs and suggestions that the bikes are used almost exclusively by rich, middle-aged men.

Neste texto do blog do Guardian dedicado à mobilidade em bicicleta, faz-se uma análise dos Pros and Cons do esquema de biclas partilhadas de Londres.

Para além das queixas listadas, que são mais dores de parto do que outra coisa, fica a curiosidade demográfica que ilustra o título da peça, que se justifica por coincidir precisamente com o perfil do ciclista urbano (homem, entre os 25 e os 44 anos). Curiosamente, um leitor do 1PNP aqui há dias levantou a mesma questão.

Ficam também alguns apontamentos, como o do senhor reformado que, não sendo utilizador, foi fotografar todas as docking stations, os dois rapazes que lançaram o Boris Bike Challenge ou este portal comunitário, onde, entre outras, podem encontrar coisas tipo testemunhos a pedal.  E claro, obras de arte como esta…

A map-based transit animations of London cycle hire journeys over the course of 4 October 2010, a day when there was a tube strike. Bikes are represented as tadpoles. Fixed circles represent hire stands, which flash when a bike leaves or arrives.

… ou testemunhos como este:

Before I started I was thinking, It’s going to kill me. I’ll be scared. I’m not fit enough (…) but after that first ride I was like, Wow, I’m in love. You get off and you’re buzzing, you feel like you can do anything.

O meu teste-drive está aqui.

Das ocupações e das pessoas

Ao escrever o postal anterior, lembrei-me de me ter lembrado da Fontinha ao ver a referência aos squatters de London Fields no London Museum, coisa de que gostei tanto, que aproveitei para ver in loco logo no dia seguinte.

James McKinnon e Tom Hunter, 'The Ghetto'

London Fields East – the Ghetto

Sometimes art can do more than simply please the eye and titillate our aesthetic tastes Sometimes it has a purpose, a practical function, and - as in artist Tom Hunter’s case – it can speak out for a whole community whose lifestyle choices were threatened and deemed replaceable with a frozen chicken warehouse.

The story behind ‘The Ghetto’ goes like this: London Fields in the early 1990s was a hub for Hackney’s squatters, housing not just the anticipated crowd of artists and students, but also doctors, architects and lawyers, and attracting diverse range of nationalities and cultures.

On Ellingfort Road there were communal gardens, cafés, bars and cinemas. “It wasn’t an isolated little pocket, it was the centre of a very big squatting community within Hackney,” says Hunter. “The shops and pubs all wanted us there because we generated a place that was otherwise threatened to become derelict.”

However, the homes that Hunter describes as “a great place to live” – in 25 years, he has never moved further than 100 yards away – were viewed by Hackney Council as an anti-social statement, while theHackney Gazette reported someone describing the area as “a crime-ridden, derelict ghetto, a cancer – a blot on the landscape”.

In 1994, the squatters were threatened with eviction as the council, whose policy towards the community was one of total disregard, planned to demolish the houses to make space for a large-scale industrial zone, frozen chicken warehouse included.

How, then, did a cardboard sculpture, still being constructed with masking tape by Hunter and model maker and friend James McKinnon the evening before being put on display, manage to speak out for Hackney’s squatters and ultimately save their homes? Hunter pays tribute to his “amazing” university tutor, Julien Rodriguez who firmly believed that a wide audience would appreciate the work and arranged people from the Museum of London, the Guardian and Time Out to attend the showcase.

“Hackney Council’s policy before [the sculpture] made the magazines was, ‘We do not speak to squatters, you are scum, we will not negotiate with you’. But after the pieces were published, suddenly there were people in the council who were willing to speak to us, so we could actually talk of a way to save and regenerate the area,” says Hunter. “It was a very poignant moment for me when I realised that the work could actually have a practical purpose in society, and that is the thing that has inspired me ever since.”

This, Hunter admits, was the fun part. What followed was ten years of hard work: getting ordered and transforming from fringe community into an organized cooperative, working through another housing association who bought the properties from the council and rebuilding and renovating many of the homes. Still today, rent from these residences goes towards repaying the money borrowed.

Hackney Citizen.

Ghetto Series, Tom Hunter.

Ainda sobre London fields, e fazendo parte do mesmo projecto, podem-se ver no London Museum as fotografias do Tom Hunter, tiradas numa série que documentou a vida dos squatters, que afinal também são pessoas normais.

In 2010 It’s hard to imagine east London’s trendy London Fields area as anything but a hot-spot for trendy, cultural and creative individuals with a little too much ‘hip’. This series of photographs,The Ghetto Series, taken by London Fields resident Tom Hunter back in 1994, when the area was described by the Hackney Gazette as “a crime-ridden, derelict ghetto, a cancer – a blot on the landscape” gives the place a whole new complexion.

The photographs were part of a campaign to save the community from developers and fourteen years later the London creative community have lots to be thankful for.

It’s Nice That.

Mais sobre isto, aqui.

Um pé em Londres, outro no pedal e a cabeça no Porto. Tomo II: A experiência.

Uma verdadeira desgraça. Uma verdadeira desgraça ter levado uma máquina fotográfica avariada e ter ficado limitado à câmara chunga do telemóvel. Senti-me aqueles tipos no Hotel Palestina a filmarem a história em directo com um videofone. Apresento por isso as desculpas para tão fracas ilustrações do texto que se segue.

Depois do Tomo I da reportagem do enviado especial da Gazeta da Adega do Ciclista a Londres, que podem ler aqui, fica então a prometida segunda parte, dedicada à experiência de pedalar mais de uma centena de quilómetros num dos locais do planeta com um commuting mais traumatizante.

Comecemos. Chegado ao poiso gentilmente cedido pela minha irmã e seu esponjo, encontrei a seguinte mensagem na caixa do correio:

If you want to try the Boris Bikes for another blog post for 1PNP, feel free to use our bike keys: they are hanging by the entrance door with all other keys. remember to keep usage under 30min to keep it free (but no worries if you ride for longer of course).

Bingo. Boris Bikes como elas devem ser usadas: sem ter que andar a meter cartões e devidamente equipado com a chavinha dos utilizadores regulares. Era na pele destes que me queria meter.

Ora portanto, neste momento, tinha já 3 opções para pedalar pela cidade:

  1. Uma linda Peugeot antiga QB para dar uma boa pinta. Com roda 28 e 5 velocidades, o suficiente para rolar confortavelmente por todo o lado;
  2. Uma Dahon dobrável, que podia levar nos transportes e que poderia facilitar muito as deslocações no centro da cidade;
  3. Uma Boris Key, que permitia manter uma certa liberdade no centro da cidade, mas que me limitava mais nas deslocações mais periféricas e nos boroughs menos centrais onde, inevitavelmente, iria passar a maior parte do tempo e onde seria obrigado a recorrer com frequência aos muito razoáveis transportes públicos.

Basicamente, a preguiça de montar e desmontar a Dahon e a distância e o medo do gamanço levaram-me a optar maioritariamente pela terceira, coisa justificável, pois tinha mesmo ao lado uma estação do Overground que me punha na Jubilee Line em poucos minutos.

As Boris Bikes como elas são

Boris Johnson e as suas bikes.

As Boris Bikes, são basicamente uma coisa igual ao que é normal ver por esse mundo civilizado fora. Ficam algumas características técnicas:

  • São pesadas como o raio, com um desiquilibrio notório na distribuição do peso, que pende todo para a roda da frente. Andar sem mãos é uma experiência hilariante, caso se consiga manter o equilíbrio.
  • São equipadas com um sistema de cubo Nexus da Shimano, com três velocidades:  ultra-pesada; ultra-leve; e leve tipo andar sem corrente.

Truque importante número 1: para evitar joelhadas no guiador (a resposta é sim), é recomendado que só se mude de mudança quando acontece uma destas duas situações: quando subir muito ou quando subir muito e estiver vento contra;

  • São equipadas com uma campainha, que normalmente está partida ou virada para baixo. Normalmente só a conseguimos fazer soar quando já estamos dois metros depois do alvo.

Truque importante número 2: começar a tentar uns cem metros antes dos cruzamentos normalmente com mais japoneses;

 Truque importante número 3: gritar, em japonês, se possível. Também pode ser em italiano.

  • São equipadas com um sistema de iluminação por dínamo, que dá um certo ar espacial ao lusco-fusco, mas que não iluminam nada.

As Boris Bikes como elas funcionam:

Cada utilizador regular paga uma anuidade reduzida para acesso à chave. A partir daí, pode utilizar as bicicletas durante meia hora de borla, pagando mais ou menos 1 Libra por cada hora extra. A coisa boa, é que ao fim da meia hora pode-se pousar a bicla na estação e pegar noutra passados uns minutos, começando a contagem do zero. Tuga friendly.

Uma nota importante: o desengate da bicicleta é tipo abrir frascos de compota: é perro, faz-se força durante muito tempo sem nada acontecer e depois, de repente, vem tudo cheio de lanço.

Truque importante número 4: verificar que nenhuma das canelas está na trajectória do pedal quando se desengata o bicho. É que já lá vai uma semana e ainda dói.

A chave funciona por RFID, accionando-se a viagem colocando-a numa ranhura da doca e não na bicicleta, onde fazia mais sentido.

Truque importante número 5: Ter um cabo para amarrar o porta-chaves às calças, não vá acontecer o que me aconteceu: ao fim de meia-hora, chegado ao destino, descobri que não tinha a chave comigo. Meia hora a pedalar dá mais ou menos quanto a pé? Bem, corrida para trás e muitos auto-insultos depois, encontrei a chave na estação onde tinha tirado a bicla. O sistema é civilizado, tal como as pessoas que deixaram lá ficar a chave. Fiquei a gostar um bocadinho mais dos londrinos e poupei a corrida matinal do dia seguinte. Só coisas positivas.

Existem 5000 biclas disponíveis em 361 estações espalhadas por 45Km2. Normalmente há sempre quingas disponíveis, pois os carros distribuidores passam com alguma frequência. Estava a sair do London Museum (um must para turistas forretas), onde tinha deixado a bicla e reparei que era hora de ponta. Dei uma corrida com medo de encontrar a estação vazia, mas para surpresa minha, esta estava carregada de biclas acabadinhas de sair do forno. É tipo aquela padaria lá do bairro que nunca nos desaponta.

Visto do London Museum. A poucos minutos da hora de ponta, as primeiras pessoas começam a sair do escritório.

Os turistas também podem andar de Boris, bastando para isso utilizar o cartão de crédito na máquina de cada estação.

Nota curiosa: como distinguir um grupo de turistas americanos numa boris? São aqueles que andam lado a lado a ocupar a faixa toda.

E os portugueses? São aqueles que tem os homens a galgar a partirem-se a rir à frente e as mulheres a gritar atrás, todas atrapalhadas com os pedais.

Na estrada:

Bem, no Tomo 1 já tinha dito que a coisa não é tão plana quanto isso e uma pequena subida numa bina de corrida, equivale a uma grande subida numa Boris de 20kg ou mais. Um passeio pela margem do Tamisa, acaba sempre numa subida doida se quisermos atravessar a ponte para o outro lado. E grande parte dos londrinos faz isto diariamente.

As distâncias também não são propriamente curtas. Se quisermos turistar pelo centro, qualquer 20 minutos nos levam de um lado ao outro do postal ilustrado, mas se quisermos fazer a coisa à séria, então temos verdadeiras odisseias.

Paralelo é coisa pouco comum e as ruas estão normalmente em boas condições. Coisa curiosa, é a dos buracos, quando existem, estarem todos encostados à esquerda, que é por onde as binas andam.

Se nós achamos que as ciclovias aqui são uma anedota, então lá, à excepção das faixas azuis do Barclays, ainda poucas no centro, são de partir a rir. Normalmente são uns símbolos muito pequenos encostados ao passeio ou nas faixas bus, sem tracejado a delimitar. Ou seja, nem um milímetro roubado ao carro.

Para quem não é de lá, um mapa é fundamental, preferencialmente daqueles das Boris Bikes, pois são muito detalhados e incluem as estações todas razoavelmente bem marcadas. Também devem haver mil e uma aplicações para iPhone ou Android, mas como não tenho nenhum dos dois, não experimentei.

Uma coisa espantosa, que vale a pensa imprimir em tamanho razoável, é o mapa do Simon Parker, coisa que está a ser feita há doze anos e que é talvez o benchmark para aquilo que gostava de vir a conseguir com os mapas da “cidade ciclável”.

What I’m holding is a prototype for a plan that promises to revolutionise travel in London. The coloured lines depict a network of cycle routes connecting every significant location in the capital, providing a traceable route between any two points: a London Underground-style network and map for cycling. An ingenious idea! In a stroke it addresses the two main barriers to cycling as perceived by regular Londoners: navigation and safety. If the plan became a reality, London would never again feel too big or complicated to be negotiated on a bike: wherever you were you’d be within moments of a visible cycle network that would guide you unerringly to your destination.

Mesmo sem o mapa do Simon e apenas com o do Boris, a coisa faz-se mesmo muito bem. A bina é de longe a melhor solução para o centro da cidade, fugindo-se ao caos do Tube em hora de ponta ou nas zonas de maior pressão turística. E ganha-se tempo, muito tempo.

Os condutores:

Os condutores estão diferentes, é o que todos dizem. Estão mais bike aware e enfrentam as manobras com muita naturalidade. Quem vai estando atento à Adega, deve ter percebido que às vezes sou, chamemos-lhe assim, um bocado destemido relativamente a algumas regras que acho estupidas. Tendo perdido a timidez ao final de uns 5 minutos, só levei uma única buzinadela: de um motorista de autocarro que ficou irritado com o facto de eu ir a pedalar e a tirar uma fotografia a mim próprio ao mesmo tempo (ficou toda preta, culpa do videofone).

Semáforo.

Ao que deu para apurar, o crescimento explosivo das bicicletas levou a alguns conflitos com os condutores, mas o facto de estes terem tido problemas legais quando culpados, o forte trabalho de consciencialização e repressão do automóvel por parte das autoridades e a pressão dos bicycle advocats tem feito com que a coisa esteja calma.

Em suma, andei por todo o lado, fazendo inclusivamente várias vezes a City em hora de ponta e não tive problemas. Situações stressantes? Sempre com peões, fundamentalmente turistas, em histeria consumista.

O trânsito em hora de ponta, pelo menos nas que apanhei, era massivo, mas andava. E depressa. Como já disse, os primeiros cinco minutos são complicados, mas depois percebe-se que o pessoal deixa sempre uma boa margem para as binas. Outra coisa que ajuda, é ter sempre dois ou três ciclistas colados à roda traseira.

Também bom é raramente existirem viragens à direita (a nossa esquerda), o que quer dizer que os carros seguem sempre uma linha mais ou menos constante e previsível. Ajuda também haver normalmente um canal para os autocarros poderem fazer esta viragem. Os autocarros e, claro está, nós.

Um lugar comum, é o de que os portugueses são os selvagens do volante. Ok, então o londrino é o Tarzan do volante, o rei dos selvagens. Curiosamente, as binas são respeitadas, mas os peões não.  Ninguém pára para um peão passar, nem nas passadeiras.

Os outros ciclistas:

Para todos os feitios e gostos. Garbosos velhinhos a passearem as pasteiras, senhoras da meia até à completa idade às compras com Peugeots de cestinho, yuppies engravatados em Bromptons, hippies desgrenhados em arrastadeiras com porta-couves tipo caixa de fruta, hipsters com cabelo à Win Butler e camisa à pescador em fixies montadas em quadros Reynolds e claro, os Couriers em todo o tipo de bina desde que ande depressa.

A cultura ciclista está em força, sendo ao final de semana que a coisa aparece com maior esplendor, já que a postura tensa do commuter no caos urbano, é substituída por outra mais relaxada. Há algo melhor do que chegar ao pub com os amigos de infância na BMX que todos usavam lá no bairro nos anos 80?

Spitalfields. Chegar ao pub na bicla dos 80's, com os amigos dos 80's.

Há bicicletas por todo o lado. Ainda pensei ir à Massa Crítica, mas como num só semáforo junta-se o equivalente à bicicletada do Porto, Braga e Guimarães, ao fim de umas horas só queremos pedalar sozinhos.

Normalmente o pessoal respeita mais as regras do que por cá, até porque é frequente ver-se a polícia e eles lá não são meiguinhos, à excepção dos semáforos, que só os que levam capacete e os que vão nas lentinhas Boris respeitam. Relativamente às contramãos, por várias vezes o meu instinto mandou-me saltar da Boris segundos antes de passar um carro cheio de bobbies lá dentro.

Coisa que nunca tinha visto: uma bicicleta apanhar uma multa de estacionamento. Aconteceu, vi-a a ser passada e amarrada à bicla. Não sei o que dizia, a bicla não tinha matrícula, a roda não foi bloqueada. O dono deve ter dado uma boa gargalhada.

Multa de estacionamento. É aquele papeleco pendurado em cima do guarda-lamas da frente.

Uma nota final, se nos queixamos que o combustivel dos carros está caro, em Londres o das bicicletas está ainda mais. Quatro libras por uma cerveja?

O combustível está caro.

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Recursos TFL:

Download the Cycling Revolution London End of Year Review 2010 and executive summary (PDF 1.51Mb)

Download the Analysis of Cycling Potential and executive summary (PDF 2.33Mb) 

Um pé em Londres, outro no pedal e a cabeça no Porto. Tomo I: Impressões gerais.


Foi mais ou menos com este som a entrar na cabeça, vindo da rua num loop lânguido, não frenético, mas intenso o suficiente para chegar a ser enjoativo (que bonito), que comecei a tirar as primeiras notas da grande reportagem anual da Gazeta da Adega do Ciclista.

Estava nessa altura muito bem sentado no Spencer* em Stoke Newington, menos de um ano depois da última visita a Londres, exactamente em frente ao local onde, em 2010, ia sendo atropelado por uma senhora com ar de dona-de-casa que vinha de bicicleta. Ela não estava a contar com um continental desorientado com os sentidos de trânsito e eu não estava a contar  com uma bicicleta a passar a rasar o passeio (shame on me).

O cenário este ano era, a bem dizer, radicalmente diferente. Enquanto tirava notas, ouvia-se lá fora, de forma permanente, este bziiing bziiiing (substituir por onomatopeia mais apropriada para biclas a passar ou então repetir o sonoro lá em cima), o que quer dizer que, ou havia muito mais bicicletas na rua, ou andava alguém entretido de um lado para o outro.

O Spencer foi assim paragem para abastecimento cafeínico, antes de começar o trabalho de campo na Two Wheels Good, loja que já tinha conhecido por fora**, e que me tinham anteriormente recomendado.

Em conversa com o ______________ (assim que me lembrar, escrever o nome do rapaz guedelhudo com boné à rei da montanha), deu para perceber que de facto há uma boa diferença relativamente ao ano passado e não é só a minha cabeça a inventar coisas.

Disse ele que, se nos últimos dois anos, quando a febre começou, andava tudo a passear (e até a comprar) “those horrible bikes”, este ano tem aumentado a procura por coisas com mais qualidade, o que quer dizer que o mercado está a ferver. Este conceito de qualidade é um bocado vago, passando por ter coisas bem construídas ou então mais bonitas e estilosas, o que levou a conversa para o tema da indústria tradicional, que pelos vistos no RU sofreu o mesmo problema da “supermercadização” das marcas mais antigas e do outsourcing da produção, que fez com que a qualidade baixasse muito e com que essas andassem agora a tentar resgatar a patine perdida.

Neste momento, anda por lá tudo à procura de quadros de aço dos antigos, já que os novos, muito leves e fininhos, custam uma fortuna (a começar nas 600 Libras, forqueta incluída). Tal como os antigos donos das Vilar de corrida choram as suas meninas a descansar no fundo Douro, também os bifes choram por aquelas que mandaram para o Tamisa quando a febre das BTT do Sainsbury’s começou.

Ainda na conversa com o ______________, não deixei de achar curiosa a referência à outra loja que eles têm, que vende mais bicicletas desportivas do que esta mais dedicada às single speed, porque “esta zona é bastante plana”. A parte curiosa da coisa, é aquela zona de Hackney não ser assim tão plana quanto isso e para alguns tugas até já era capaz de justificar uma bicla eléctrica.

Outra coisa muito evidente, é a quantidade de publicações que se encontram sobre bicicletas sem ser daquelas que levam pessoas cheias de lycra em cima, expostas com destaque em quase todas as livrarias, desde as mais mainstream até às mais especializadas, como a Magma Books, uma preferida, ou a loja do Museu do Design. Surpreende o destaque dado, mas também o número limitado de livros disponíveis, sendo a oferta muito repetitiva, o que quer dizer que se expõe muitos exemplares das mesmas coisas. Na Condor Cycles, parceira de competição da Rapha e estrategicamente colocada junto a uma Boris Bike station, pode-se encontrar uma muito razoável colecção de revistas, incluindo a Rouleur, que se recomenda.

De entre o monte de papel folheado, destaco esta maravilha que estava no Museu do Design, que assim que as finanças estiverem em melhor forma, irá parar direitinho ao  alforge deste vosso repórter. Outro sinal da importâcia da coisa a pedal, foi este poster que tentei compar na Magma ter esgotado rapidamente.

Ainda sobre a escassez das publicações dedicadas às biclas para o dia-a-dia, as que se viam nas lojas, eram também as que se viam na Bicycle Library, um double-decker funky estacionado no Netil Market, apêndice contra-cultural ao spot dos hypster wannabes que é o Broadway Market em Dalston. Este último é basicamente um sítio onde entre os cupcakes (grande bléarc) e o salmão “locally smoked”, se pode encontrar uma banca ou duas de coisas usadas e outra de bicicletas, esta com Bianchis dos 90’s à venda por 700 Libras e que por acaso era das mais concorridas.

Voltando ao Netil, concretamente à Bicycle Library, foi possível ver coisas fantásticas a um preço muito justo, desde equipamentos antigos até uma mochila de couro gigante da Brooks (possivelmente para correio), que custava 20 Libras, mas infelizmente excedia largamente os limites da Ryanair (a Gazeta não tem dinheiro para pagar aos seus rapazes viagens na BA ou a bagagem extra). Anexada à Bicycle Library estava ainda uma coisa tipo carro-vassoura, ou cicloficina com rodas, mas a pagantes.

Bicycle Library no Netil Market

Descendo mais para sul até Newcross (coisa fácil porque o Overground, alternativa ar-condicionada, limpinha e com vistas desafogadas ao Underground, vai lá ter direitinho), o cenário mantinha-se, o que é muito positivo, pois trata-se de um local menos da modinha (nada da modinha até) e com um vinco carregadamente working class. Aqui as bicicletas continuam a surpreender pela quantidade, apesar de se verem menos Peugeots , Bianchis e Raleighs e muito mais BTTs de supermercado, mas o que é que isso interessa?

A Pepy’s Road, poiso londrino, que para galo meu é uma subida tipo D. Pedro V.

Por todo o lado se veêm bicicletas. A passar, estacionadas, nas varandas e nos acessos às casas. Facto curioso é o de Londres ser só mais ou menos plana e a maior parte dos commuters de bicla acabar por apanhar uma ou outra subida, que é somada a um maior número de quilómetros que a maioria das pessoas tem que fazer para ir trabalhar, quando comparado com outras cidades europeias. Outra coisa curiosa, e que por cá seria motivo número um para tirar o carro da garagem, é o famoso clima. Em seis dias de finais de Junho, chuveu em quatro. E, quando não estava a chover e o sol aparecia, o calor era tipo o de cá. E há vento.

Islington e Spitalfields

É isso, em Londres vêem-se hoje bicicletas por todo o lado e todo o tipo de pessoas em cima delas, seja na City e nas zonas planas mais perto do centro e do Tamisa, seja no chiquedo de Notting Hill (não é Nothing Hill, ou seja, é mesmo uma colina) ou na agressividade topográfica de Hampstead. É uma verdadeira cycling revolution.

Earlier this year the Mayor published the Cycling Revolution London outlining his plans for delivering a ‘cyclised’ city – a civilised city where people can ride their bikes safely and easily in a pleasant environment. The document set out how the cycling revolution has embraced a broad range of areas including safety, security, route improvements, events and promotion. The revolution is helping to make London a greener, cleaner and healthier place to live and work, as well as helping to strengthen London’s economy by improving access to local town centres. As a result, new opportunities for cycle retailers and private enterprises are being created across London.

Transport for London, Cycling Revolution – End of the Year Review

O segundo texto, a publicar brevemente, será dedicado à experiência de andar de bicicleta em si no meio da cidade e ao relato da importância das Boris Bikes para a coisa.

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* se eu fosse o proprietário de um tasco limpinho, bonito e bem frequentado, esse seria como o Spencer, que nem sequer se dá ao trabalho de ter um website ou página no Facebook, ou de aparecer no guia dos cafés de Londres, bíblia para quem gostar de se sentar com um copásio de cafeína na mão.

** se abriram o link, perceberam que é consideravelmente diferente a situação actual no que toca à quantidade de bicicletas na rua, quando comparado com o que se verificava quando o carro do google lá passou, que não deve ter sido há tanto tempo assim.

Nota: as fotografias foram tiradas com a máquina nojenta do meu telemóvel, já que a máquina que levei estava avariada. Coisa curiosa, quando a levei para subsituir outra, que também estava avariada. São assim fotografias justificadamente nojentas, portanto.

Londres e momento pernoléu da semana

Seguindo o exemplo de outros conterrâneos, porventura menos ilustres, o vosso tasqueiro do coraçom vai rumar a Londres, onde, entre tentativas de resgate de treinadores de futebol e mergulhos em alfarrabistas, vai ter oportunidade de meter as unhas no parque automóvel que a famelga tem estacionado na despensa lá de casa e experimentar os avanços que o Boris tem dado à ciclabilidade lá da terra.

Não prometo relatos em directo, mas pode ser que aconteçam. Se não acontecerem, virão depois em diferido.

E assim finalmente tenho a bela desculpa para publicar um guilty pleasure que, apesar de já rodado na blogosfera ciclista, aparece aqui sob a forma de momento pernoléu da semana.

Aindas as leis

A propóstio disto.

So who said London was cycle-friendly?

This week I was fined for cycling on the pavement at Chelsea Embankment. An embarrassed rozzer said there was a zero-tolerance policy and slapped me with a £30 fine. Fair cop. I accepted my punishment.

I think those anecdotal statistics speak for themselves but here’s another set. So far this year, according to Cycling Intelligence, eight cyclists have been killed on the streets of London in collisions with motor vehicles, compared to 10 deaths for the whole of 2010. In 2009, the last year for which TfL and the Department for Transport have published figures, 13 cyclists were killed. Each year, around 3,000 are injured, roughly 400 of them “seriously”, in the capital.

Meanwhile, DfT figures show that, in the past 10 years, not a single pedestrian has been killed by a cyclist on a pavement in London. Nada, zip, zilch. A grand total of six were injured on footways last year. And a few more were hurt on roads – probably throwing themselves heedlessly into traffic while diddling on their iPhones

Ler o texto completo aqui.

Uma cábázáda

Em termos de mobilidade, lá em casa damos 7 a 2. Há poucos dias atrás dei conta da revolução pacífica a que por lá temos assistido. Também já tinha contado a história do meu pai com as biclas.

Mas há mais. Após receber as fotografias que aqui vos mostro, fiz uma reflexão que curiosamente nunca tinha feito. Se somar as cinco pessoas que viveram em casa dos meus pais às que entretanto se foram juntando, o carro leva uma coça das antigas.

Então, para além dos 3 lá em casa e do meu pai (quatro), temos a minha mãe que nunca teve carta (cinco) e a minha irmã que anda de bicla, tal como o esparguete que vai ser marido dela brevemente (sete).

Do outro lado  temos o meu irmão e a respectiva, que andam os dois de carro. Não desinteressadamente, dou-lhes o devido desconto, porque se vou poder ir bem equipado a Santiago, é devido à generosidade dele ao emprestar-me a sua bina de trecking com quadro XL .

Fica um testemunho fotográfico, com a Inês e a sua Peugeot nova a mostrarem aos tripeirinhos que não é só a Imbicta que tem subidas: é que é a enfrentar esta inclinaçom que ela diariamente começa o seu commuting lá para os lados de South London:

E já agora, o parque automóvel do agregado, em bela pose fotográfica. Quando por lá andar no final do mês vou ter por onde escolher!

Um outro estado das coisas III

Londres, em Agosto passado.

5 things to expect from cycling in London in 2011

1. Expansion of the Boris Bike Scheme

2. Completion of two more Cycle Superhighways

3. A couple more cyclists

4. Advances in law for cyclists

5. Changes in the makeup of cyclists

Ver textos completos no London Cyclist.

Aproveito para lançar um desafio aos leitores pedindo previsões para 5 coisas que os ciclistas do Porto podem esperar para 2011, mas até sou simpático e adianto já algumas hipóteses:

1. Ainda mais insultos dos automobilistas – eles vão andar nervosos com a subida do IVA, SCUTs, aumento dos combustíveis, etc e coiso;

2. Mais ciclovias para guerreiros de fim-de-semana com traçados sem nexo nenhum;

3. Mais um ou outro companheiro ao pedal;

4. Início do programa de bike-sharing e bicicletização do Campus Universitário da Asprela;

5. Menos carros na estrada, devido às SCUT, nova linha laranja do Metro, prolongamento da linha amarela e aumento da eficiência na intermodalidade.

Crónicas do Primeiro Mundo IX

London cycle hire

London cycle hire: mapping a million journeys

The latest London cycle hire data gives a unique insight into how people use their Boris bikes. See how the routes have been mapped – and download the data for yourself.

Ver o resto aqui.

Relacionado com isto, temos também isto.

PS: London’s bicycle-hire scheme – Grit in the Gears (The Economist)

Um outro estado das coisas II

Boris Johnson, Mayor de Londres é um apaixonado pelas biclas.

tinha falado do que se anda a fazer pela qualidade de vida dos Londoners.

Pois é, parece que o Boris está imparável…

Investment in cycling in the UK has been shown to give a return of £3 for every £1 spent, with much of this coming via crucial health benefits. Investing in London cycling is a cost-effective opportunity to relieve the pressure on the NHS, and create a less congested, cleaner, happier and more mobile city.

According to the Mayor’s recent announcement, the Cycle Hire scheme will be expanded eastwards to Docklands. The scheme will also be intensified in Zone 1, with more docking stations and bikes, including around 350 bikes at Waterloo station. And the Cycle Superhighways project will continue with its plan to build 12 radial commuter routes from the suburbs to central London by 2015.

No Urban Velo