A revista Monocole está na moda e muito bem. É uma referência internacional no que respeita a publicações periódicas e ainda por cima é carregadinha de classe. Com uma influência sem precedentes junto do seu público alvo (malta relativamente nova, culta, com dinheiro, noção de estilo e claro, algumas pretensões), num formato dedicado quase em exclusivo ao papel, mas com uma presença na web e no pseudo éter dos podcast do iTunes onde o Tyler Brûlé puxa pelo seu melhor sotaque BBC, trata de temas como as relações internacionais, negócios, urbanismo, design ou estilo de vida. Tudo com uma tónica na inovação, sustentabilidade, criatividade e com um embrulho no mínimo luxuoso.

- capa da edição dedicada à qualidade de vida
Um ponto distintivo da revista é a publicação de um ranking anual da qualidade de vida (quality of life issue) feito tendo em conta as cidades que os editores da revista conhecem minimamente (um processo democrático, portanto). Este ano Lisboa ficou-se pelo 25º lugar e nesta mesma edição (volume 04, n35) o Porto foi palco de uma produção de moda, preppy QB como sempre, tendo como palco o passeio marítimo em Leça (Casa de Chá da Boa Nova e Piscinas das Marés), com direito a elogios rasgados à gastronomia e arquitectura, obviamente merecidos e aos quais, no papel de humilde cidadão de tamanho paraíso na terra, retribuo com um post XL.

- Biclas em Munique, nº 1 no ranking de 2010
Toda esta publicidade à revista (com toda refiro-me ao tamanho do texto, não ao da audiência aqui do tasco) é para aqui chamada porque, para além dos conteúdos normalmente muito bons (e expostos de forma ainda melhor) o conceito de qualidade de vida urbano que transpira das suas páginas (uau) tem tudo a ver com o que defendo, destacando-se a mobilidade sustentável, a existência de espaços verdes, de coisas para fazer (e comprar), um ambiente propício ao empreendedorismo, transportes públicos eficazes (até aqui tudo óbvio), liberdade para as biclas e um certo slow-living que apenas as cidades de pequena e média dimensão conseguem oferecer. Dica grátis: verificar a dimensão das cidades no top 25, que exlclui Londres ou Nova Iorque, por exemplo.
O tema bicicleta é central a toda a revista, tendo-se intensificado a monocle bike mania nos últimos números . É um item avaliado no ranking, um tema de produções de moda, um acessório para a publicidade às lojas (figurando uma no exterior da loja de Londres, p.e.) e um artigo comercializado com a sua marca (que tem coisas fantásticas, mas caras até para um londrino bem na vida).

- 750£ pela bicla da Monocle. Está barato, tendo em conta que vendem um saco de ir às comprar por 100€.
É muito raro um número recente da revista em que não aparece uma bicicleta representada em grande parte das suas páginas, seja com um líder local sentado em cima, sendo a enquadrar uma paisagem urbana ou a ilustrar o empreendimento criativo do momento, como uma cultura de abelhas no topo de um edifício de escritórios ou uma oficina de reparação de sintetizadores dos anos 70 (estou a exagerar).
Na edição de Setembro (n 36), sob o tema “Rebranding Britain”, a vez de ver os seus meios de transporte analisados calhou a David Cameron, claro está. Na base da pirâmide, em vez da tradicional limousine, está a sua querida Scott preta e prata, que costumava conduzir para o emprego antes de ser eleito primeiro ministro. Até se conta que um dos seus ainda poucos escândalos no curriculum deve-se a ter sido filmado a passar um vermelho em Londres na sua quinga de estrada, que também é conhecida por ser frequentemente roubada (descobri isto quando procurava a imagem no google).

- A bicla de Cameron na base da sua lista de transportes. O estilhoso em baixo é um actor de novela turco que está a fazer furor na Grécia. Não tem nada a ver com o artigo.
Note-se que o papel da bicicleta começa a ser tão relevante na revista, que é frequente encontrá-la nos mais diversos anúncios publicados, incluindo destinos turísticos como Taiwan ou Barcelona.

- Visite Barcelona, leve a Bicla.
Para terminar, espero que a visita ao Porto para o editorial de moda tenha sido feita ao fim-de-semana, o que os levaria a pensar numa biclo-mania em terras tripeiras, tal a quantidade de guerreiros do asfalto (devidamente artilhados para quedas em ravina) que entopem os nossos passeios marítimos e a marginal nesses dias. Se por outro lado a visita tiver sido à semana, então nunca mais entramos no ranking.
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