The Stroad

ou as Estruas… e como as eliminar.

If we want to build places that are financially productive, we need to identify and eliminate STROADs. A STROAD is a street/road hybrid and, besides being a very dangerous environment (yes, it is ridiculously dangerous to mix high speed highway geometric design with pedestrians, bikers and turning traffic), they are enormously expensive to build and, ultimately, financially unproductive.

Ler o resto ici.

Que Porto queremos?

Foi a pergunta que o Vitor fez ao convidar-me para participar num debate da Campo Aberto. O desafio era dizer tudo o que tinha para dizer em cinco minutos.

Por atrapalhação minha, confirmei a participação, mas acabei por ser obrigado a desconfirmar, pois tinha coisas marcadas para esse dia. Não querendo deixar de contribuir, enviei um texto que pedi ao Vitor para ler.

Antes de mais agradeço à Campo Aberto o convite para participar neste encontro e envio um abraço ao meu amigo e companheiro Vitor Silva. Não poderia escolher melhor porta-voz para as minhas palavras.

Apresento também um pedido de desculpas por não poder estar presente.

Que Porto quero?

Fundamentalmente, quero um Porto urbano. Um Porto que seja cidade e que negue a suburbanidade que minou o seu desenvolvimento nas últimas décadas.

Quero um Porto policêntrico, plural, onde as pessoas possam viver, trabalhar e divertir-se à distância de uma caminhada ou de uma pequena pedalada.

Quero um Porto onde o automóvel ocupe o lugar que merece no mix de mobilidade, sendo a terceira opção, um recurso, e não a primeira.

Um Porto onde os transportes colectivos funcionem e onde as pessoas poderão andar nos passeios e as bicicletas na estrada.

Um Porto onde as pessoas podem atravessar a rua sem medo de serem atropeladas. UmPorto onde os automobilistas não andam inconscientemente com uma arma apontada à cabeça das pessoas.

Um Porto onde as cargas e descargas são feitas nos sítios das cargas e descargas, às horas em que as cargas e descargas devem ser feitas.

Um Porto que não é aquela coisa tristonha que as pessoas vêem através da janela do carro e à qual fazem um bypass no seu caminho entre a garagem do escritório e a garagem do centro comercial.

Um Porto onde as pessoas andam a pé e comprem coisas a outras pessoas do Porto e não a “eles”. Um Porto em que o merceeiro vende fiado, o marceneiro faz uma cadeira e o serralheiro resolve um problema.

Um Porto afirmado como terra de pessoas que trabalham, com outras pessoas e para as pessoas. Uma cidade de pequenas empresas, pequenos comércios e oficinas, de negócios de proximidade viáveis e com valor acrescentado.

O Porto que quero é um Porto onde as pessoas falam umas com as outras, onde se encontram na rua, naturalmente.

A fotografia lá em cima é do Fotógrafo de Bicicletas (aqui e aqui).

FOODLOGIC

CITIES has researched into the logistics of food from the surrounding countryside to the city of Amsterdam. The research focuses on the Horeca sector (Hotel, Restaurants and Cafès) and the possibility to supply them with local food. Local food is good for taste and health, but what about the urban environment? If every local producer would transport products directly to the clients, how much additional pollution would be created due to this (un)sustainable process?

Via Urbalized.

Andar e falar nos Açores

A baleia do Hazul na Rua do Calhau.

Walk&talk Azores is the international public art festival that annually transforms the Island of São Miguel in a privileged stage for contemporary art. It gathers artists from all over the world to create a route of site-specific installations, that crosses and shares multidisciplinary expressions, conceptualized in it’s relation with space, culture and local communities.

Claro que não vou fazer o trabalho deles e traduzir isto para português (a sério, que está em inglês), mas vale a pena mostrar o oposto da mentalidade entaipadora de certos autarcas de província.

Onde uns vêem vandalismo, outros vêem arte, onde uns vêem invasão de propriedade, outros vêem trabalho cooperativo, and so on, and so on.

Walk&Talk Azores, mas (e melhor para quem não fala estrangeiro) aqui.

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Post Scriptum: Por falar na linda baleiona que está lá em cima, vejam isto que andamos a fazer lá pela Megastore.

Crónicas do Primeiro Mundo CXLIX

Nova Cidade do Kilamba Kiaxi – Luanda, Angola. Foto @ Facebook

Os velhos cascos urbanos das cidades, vilas e aldeias deste país são a próxima mina de ouro para onde a poupança minguante e a especulação (se as autarquias forem fracas e corruptas) convergirão nos próximos 20-30 anos. Esqueçam as cidades-jardim e a subúrbia inventada pelo senhor Ford para o automóvel e as Mota-Engis deste mundo, dos idos anos 50 até 2007 — início do colapso Subprime e do Sonho Americano.

Apostem nas redes públicas de transporte intermodal rápido e de acesso barato, definindo anéis de viabilidade estrutural e sustentabilidade económico-financeira dos serviços (é aqui que a Subúrbia irá encolher….), com a respetiva exploração entregue a empresas privadas em regime de supervisão apertada e mão pesada para os vigaristas. A subsidiação, que será necessária, deve ser criteriosa e dirigida exclusivamente ao utente, quando se justifique e em função do seu IRS.

O António Maria.

Reabilitação urbana por quem sabe

Nova associação quer pôr toda a gente a pensar a reabilitação urbana

A pedagogia é uma das estratégias defendidas pela associação (APRUPP) criada em Abril, que “pretende divulgar boas práticas e formar” aqueles que trabalham em reabilitação urbana, explica ao P24 Adriana Floret, arquitecta e presidente da direcção do novo organismo.

Ler no Porto24 e o que escrevi há dias sobre a  APRUPP - Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património.

APRUPP

Na Sexta-feira passada assisti à sessão de apresentação da APRUPP - Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património. Quer dizer, assisti a quase toda a sessão porque, por motivos fortes, tive que sair à pressa antes do final.

De qualquer forma, no tempo em que lá estive, ouvi coisas das quais gostei muito, como “técnicas tradicionais”, “repositório de materiais”, “divulgar boas práticas”, “ilhas”, “negação do fachadismo”, entre muitas outras.

Já sabia que ia gostar de lá ir, até porque o convite veio da Adriana e do David, pessoas que representam o oposto das ideias de reabilitação patobravas  que vamos vendo por essas SRU fora.

Fica uma sugestão para as tertúlias mensais. Já que a Associação tem o apoio da Paupério, devia ser obrigatório haver Lenas, as melhores bolachas do Mundo.

Crónicas do Primeiro Mundo CXL

High Streets to share £1.2m funding

Twelve English High Streets – from Cornwall to Northumberland – will share a £1.2m pot of government cash to rejuvenate shopping areas.

“Town teams” in areas including Liskeard and Newbiggin-by-the-Sea will try out ideas proposed by retail guru Mary Portas in her High Street review.

“It is now clearer to me than ever that Britain wants its town centres revitalised and the energy and accountability for that needs to rest with the people who live and do business there,” Portas said.

He said the High Street must work hard to compete with out-of-town shopping centres and the internet.

“To make towns work, they’re going to have to offer something different and interesting, something that the internet can’t provide.

“That’s obviously human contact – a place to go and meet, a place where there are other interesting activities other than just shopping.”

BBC

Crónicas do Primeiro Mundo CXXXVIII

Why Generation Y is Causing the Great Migration of the 21st Century

Just after the close of World War II, the last Great Migration in the United States — the move from the city to the new suburbs — began to emerge, fueled by new roads, low congestion, and modest energy costs.

After 60 years, many commentators have announced that the American Dream is poised to make its next great shift — this time from the suburbs to the urban core of our cities.

Here.

Squatters on the Skyline

Started in the Nineteen Nineties of the last century, the construction of the so called Torre de David – one of the highest skyscrapers in Venezuela – was never finished. Nowadays this building gives an example of emerging communities and self organized communal life in an unexpected place – the downtown of Caracas.

Spatialforces

Repensar suburbia

É que quando acabar a gota, ou fogem, ou ficam lá fechados.

In Levittown, The Ur-Suburb, A Proposal To Remake Sprawl Into A Small-Biz Oasis 

Diller Scofidio + Renfro, with Dutch design label Droog, comes up with a plan that would allow suburban tract homes to be repurposed as vibrant centers of town life.

FastCompany Design

SOS Urbanized

Quem gostou do Helvetica ou do Objectified, vai de certeza adorar o documentário que completa a triologia, o Urbanized, que tem tudo a ver com o que se discute aqui no 1PNP. Isto se a coisa chegar a vias de facto.

Portantos, o realizador Gary Hustwit lançou o seguinte apelo no Facebook:

“Greetings Objectified fans! Director Gary Hustwit has started a Kickstarter campaign to raise funds to finish his new film, Urbanized. Rewards include a new Urbanized T-shirt designed by Build, the limited-edition Design Trilogy box set, and more. The Kickstarter page also features a video with the first taste of footage from the film. Please help support the making of Urbanized!”

Podem ver uma pequena introdução em video a esta campanha nesta página (crowdfunding), já que o espectacolher WordPress insiste em não me deixar embedder coisas que não venham do Vimeo ou Youtube.

Crónicas do Primeiro Mundo X

Nova contagem de mortos na estrada mostra aumento de 91% entre os peões

A nova contabilização de mortes nas estradas – um registo alargado a 30 dias – mostra uma nova realidade: uma grande subida de falecimentos entre os peões.

(…) Paulo Marques, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), informou que entre Janeiro e Abril deste ano morreram nos hospitais, segundo o novo modelo, 275 pessoas em resultado de acidentes de trânsito.

No JN, via Sr. Gomes (já agora vão lá espreitar o comentário que ele retirou da página da notícia original)


Feliz 2011, Sr. Automobilista.

Desbloquear o carro passa a custar o dobro.

O carro bloqueado vai sair mais caro. O Governo aumentou as taxas de desbloqueamento e reboque dos automóveis em infracção.

Desde 2001, estas taxas, diz o Governo, nunca foram actualizadas. Agora, actualiza-as, em alguns casos para o dobro do valor, e garante a sua actualização anual consoante a taxa de inflação.

No Jornal de Negócios.

Crónicas do Primeiro Mundo V

Disparou contra estudante que atravessou a passadeira devagar

A Polícia Judiciária anunciou hoje, segunda-feira, a detenção de um homem de 42 anos suspeito de tentar matar, com uma arma de e fogo e em plena via pública de Valpaços, um estudante de 20 anos.

Segundo refere a PJ em comunicado, os factos ocorreram quando a vítima, acompanhada de dois colegas, atravessava uma passadeira em Valpaços e o arguido saiu do automóvel que conduzia protestando contra a alegada lentidão da marcha dos peões.”

No JN.

A vulgaridade do carro

¿Qué tienen en común los libros, las perlas, el jade, los coches y, ahora, las bicis?  Todos ellos han sido usados como símbolos de estatus social. Antes de la imprenta, los escasos libros sólo estaban en las mejores estanterías; las costosas piedras preciosas muestran la exclusividad de sus portadores y cuanto más reconocible era el logo de un coche, icono del capitalismo, mayor era la supuesta clase del conductor/a. En el caso de los hombres también es bastante común hacer ciertas analogías con su virilidad. Ahora las bicis, con su esencia altermundista y cierto aire de contracultura, son un símbolo de estatus.

Ler o resto aqui e o texto original do NY Times aqui.


Cidades do Futuro vs Futuro das Cidades

Recebi a visão de Carlos Leite sobre o futuro das cidades, um contributo apresentado no TED Santos, Brasil. Como o WordPress insiste nos bugs sempre que se tenta colocar conteúdo “embbed”  e como a minha paciência se esgota com os conteúdos do vímeo e do youtube, fica aqui um outro vídeo para uma apresentação semelhante do mesmo autor:

Ver mais aqui.

Densidade

Este filme capta um pouco da atmosfera da Imbicta, cidade à qual tenho, como é sabido pelos mais chegados, um amor incondicional. Sim, podem dizer que temos chuva e nevoeiros frequentes, vindos do Douro ou do Atlântico (neste caso a bolerada), mas isso até nem é propriamente mau. Na verdade, gosto deste clima a lembrar outras latitudes, que me oferece também as geadas de Coura (já não temos nada na terra que se estrague facilmente) e as tempestades no mar de Moledo.

O filme (recomendo os outros da autora, já agora)  foi gravado no coração comercial da Cidade, numa transversal de Santa Catarina e incomoda porque está cheio de carros onde deveriam estar muitas mais pessoas. É que pelo movimento, deverá ser final do dia e a meteorologia desta vez até parece estar do lado dos pedestres.

É isso, entre outras coisas espectaculares mais a gosto do comum ciclista, nós por cá temos frio, nevoeiro e…. muitos carros. Não há sítio nenhum em que não se ouça o raio dos bichinhos, até porque há a VCI a cortar a meio o Município e a Circunvalação a fazer o mesmo com a Cidade (quem esteve no Cidades pela Retoma no dia 20 sabe exactamente o quero dizer), o que faz com que o zum zom zum seja permanente a partir das 6h00 da matina, pelo menos. A Campo Aberto percebe disto e o Francisco Cárdenas traçou o diagnóstico ainda dentro do avião, à chegada ao Sá Carneiro:

Quando na quinta-feira passada o avião de Francisco Cárdenas se aproximou de terra, à chegada ao Porto, o espanhol não pôde deixar de reparar no aglomerado de casas que se vislumbrava. “Parece que dispararam casas do céu e elas caíram em todas as partes. Olhes para onde olhes, vês casas.” O Porto, e toda a sua área metropolitana, é um exemplo daquilo a que o director de programação e planeamento da Agência Ecologia Urbana de Barcelona chama “cidade difusa”, o protótipo que está, pouco a pouco, a apoderar-se da Europa: um modelo que tem no carro o elemento central de construção das cidades, que faz do cidadão um mero actor secundário.

Baixa densidade, ou uma cidade feita para os carros.

Mudando de assunto sem mudar de tema (hu?), a semana que passou não foi grande coisa em termos de notícias para a Região.

Com a introdução de portagens nas ex-SCUT a prometerem sabotar parte dos nossos motores (de combustão interna) económicos, como o Aeroporto Sá Carneiro, o Porto de Leixões, os turistas galegos (que não chegam cá de bicla) e todas as empresas exportadoras que dependem tanto dos primeiros, como da estrada com a portagem mais cara e caótica do Mundo,  espera-se, sem grande esperança, pela crise anunciada pelo OE2011, até porque não há alternativas viáveis para a ‘economia em pneumático’ tendo em conta o desinvestimento generalizado no caminho de ferro de mercadorias e o cancelamento de uma ligação ferroviária eficiente ao Norte e à Galiza.*

Mas, como diria o velho sábio (talvez chinês), em todas as crises há uma oportunidade e as portagens nas SCUT, se não servem as empresas que dependem da estrada, podem servir pelo menos para “obrigar” os particulares (que raio de palavra) a pouparem uns trocos e o ambiente e também a melhorar a sua qualidade de vida, tal como noticiado aqui:

SCUT: recurso ao Metro aumentou 5% depois da introdução de portagens

Linha Porto/Póvoa de Varzim com maior afluência de passageiros desde a introdução de portagens na A28

A cobrança de portagens nas antigas SCUT pode estar a levar mais pessoas a optar pelo Metro. A afluência a algumas linhas do Metro do Porto aumentou ligeiramente na última semana, desde que foram introduzidas portagens.

No entanto, deve ter-se em conta que «o período de comparação é muito curto, pelo que estes números indicam um crescimento que está longe de se poder considerar sustentado», explica a mesma fonte.

«Quem faz estas viagens com regularidade, opta pela assinatura mensal. A haver uma tendência de crescimento, vai sentir-se mais no início de Novembro, com as assinaturas mensais».

Em termos gerais, a utilização do Metro do Porto «continua a crescer em toda a rede», registando a empresa «mais de 200 mil clientes/validações por dia».

Certo, já tenho o querido leitor a dizer, então, afinal de que te queixas?

Bem, lendo com pouca atenção este parágrafo, o aumento foi só ligeiro, para já, e na linha da Póvoa, aquela que traz passageiros de mais longe e uma das únicas verdadeiramente alternativas às ex-SCUT (existem também os urbanos da CP, que não estão mal). Ou seja, resolve apenas parte do problema.

Esta notícia teria sido acolhida com um entusiasmo muito maior, se não tivesse recebido esta praticamente no mesmo dia e que comprova que o único interesse do Governo é melhorar o retrato do País para uma entidade abstracta chamada misteriosamente de “Os mercados”, à custa de um sacrifício que tudo indica vir a ter resultados muito limitados:

Os autarcas dos concelhos do Grande Porto que não tiveram qualquer verba inscrita no PIDDAC dizem-se revoltados, sobretudo com a ausência de  dinheiro para a linha da Trofa (Metro). Isto quando, apontam também os dirigentes partidários, o Governo mantém o TGV (Lisboa – Madrid).

Entretanto, enquanto esperam que a crise passe e uma vez que não é desta que se faz um upgrade ambicioso à mobilidade na Área Metropolitana, recomendo que se entretenham com a matéria fantástica com que o Nuno, o Rei das infografias, nos vem brindando no seu blogue (recomendo tudo) e se estiverem interessados em resolver alguns dos problemas de mobilidade no Porto, podem seguir as suas sugestões para a ferrovia a Norte, complementadas por este estudo e antecedidas deste diagnóstico. É esclarecedor.

* Por ligação eficiente entenda-se algo melhor do que as automoras Diesel que fazem actualmente a linha do Minho, que funciona em via única e com um serviço do mais lento e fraco que há.

Um outro estado das coisas II

Boris Johnson, Mayor de Londres é um apaixonado pelas biclas.

tinha falado do que se anda a fazer pela qualidade de vida dos Londoners.

Pois é, parece que o Boris está imparável…

Investment in cycling in the UK has been shown to give a return of £3 for every £1 spent, with much of this coming via crucial health benefits. Investing in London cycling is a cost-effective opportunity to relieve the pressure on the NHS, and create a less congested, cleaner, happier and more mobile city.

According to the Mayor’s recent announcement, the Cycle Hire scheme will be expanded eastwards to Docklands. The scheme will also be intensified in Zone 1, with more docking stations and bikes, including around 350 bikes at Waterloo station. And the Cycle Superhighways project will continue with its plan to build 12 radial commuter routes from the suburbs to central London by 2015.

No Urban Velo