Saber Fazer

Numa noite branda e acolhedora, Alice Bernardo mostrou-nos alguns dos cachecóis feitos para a sua página noussnouss, e fusos e lã do seu projeto Saber Fazer. Falámos de ciclos e da importância de conhecer a origem dos materiais que consumimos. De como tudo o que compramos é cada vez mais perecível. Falámos de colaborações, de artes que se perdem, da beleza das pequenas coisas. Passámos a mão na lã e sentimos a lanolina, gordurosa, a prender-se aos dedos. Por um momento, quase que ouvimos chocalhos.

Eu nunca tinha falado aqui da Alice. É uma pessoa que tive o prazer de conhecer muito recentemente. Fomos apresentados pelo Gomes, na mesma noite em que conheci in persona o Oliveira, rapaz com quem já trocava cromos há algum tempo.

A Alice tem um projecto, quer dizer, tem muitos, mas tem um que é assim mesmo mesmo especial.

Saber Fazer é um projecto orientado para o registo de técnicas artesanais e semi-industriais em Portugal, tendo como objectivo a preservação e transmissão do seu conhecimento prático.

Há cerca de cinco anos atrás tive a oportunidade de acompanhar as obras de restauro de um edifício classificado como património histórico e, com a ajuda indispensável dos técnicos responsáveis foi possível registar pormenorizadamente os trabalhos de recuperação de tectos estucados e pinturas de fingidos.

Tornou-se clara, nessa altura, a importância de registar as técnicas tradicionais, transversais a todo o tipo de produção na nossa sociedade, que carecendo de aprendizes estão destinadas a ser esquecidas.

Criei esta página com o objectivo de divulgar o projecto enquanto partilho o trabalho fotográfico e as impressões que vou trazendo de cada uma das minhas visitas.

Entretanto, os amigos lá de Braga convidaram-na para as Conversas no Tanque, às quais não fui, porque não deu. Está tudo devidamente gravado e devem ir lá ouvir. Mesmo.

Motivar as Massas XLV

O Nuno Miranda Ribeiro, nosso anfitrião no tanque, enviou a seguinte mensagem:

Quero agradecer-vos, mais uma vez, por terem vindo. A conversa correu muito bem e foi claro que as pessoas continuariam, se pudéssemos ter ficado mais um pouco. Depois de saírem, de facto a conversa continuou entre as pessoas que estavam. E, a um nível pessoal, a conversa desse dia deu-me o impulso que me estava a faltar. Tenho vindo sempre de bicicleta para o trabalho e uso-a também para as deslocações em Braga. Já não pego no carro há uns dias.

O resumo está aqui.

Testemunhos a Pedal II

Acho que os dirigentes deveriam viajar para Copenhagen, Amsterdam, etc…e de lá trazer boas coisas.”

Eduardo Petta, brasileiro, jornalista, colaborador das revistas National Geographic Brasil, Vida Simples e TAM, entre outras, e doutorando em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, tem 40 anos e “commuta” diariamente entre Lavadores (VN Gaia) e Braga, o que dá 160 kms por dia, mais minuto, menos minuto.

Meu caminho diário é Praia de Lavadores – São Bento (a parte da ponte até a estação é uma subida chata) – comboio para Braga – e depois – da estação de Braga, pelo centro histórico até a Universidade do Minho, onde tenho que cavar um lugar abrigado da chuva para guardar a bike.

O Eduardo deixa ainda uma série de sugestões, em linha com o que se tem vindo a dizer aqui no 1PNPeONP, uma vez que nas suas palavras o trânsito vai ficar cada vez mais caótico e as pessoas estão cada vez mais sedentárias em seu cotidiano:

O sonho seria uma ciclovia para andar a cidade inteira, mas perto de onde venho já é bom, principalmente aqui na beira-mar de Gaia. Penso que da Ponte D.Luís até a foz de ambos os lados seria vital para a cidade uma ciclofaixa.

Também acho que o comboio deveria facilitar o apoio das magrelas, pois vc tem que ficar segurando ela a viagem toda – às vezes longa, como quando vou do Porto (São Bento) a Braga, e muita gente ainda me olha como se fosse um alienígena. Deveriam haver mais pontes, passarelas, elevadores para bicicletas.

Mas é isso aí. é uma economia e faz bem pra sáude. O resto é estado de espírito.

O percurso do Eduardo por estes lados (não conheço Braga suficientemente bem) é uma beleza, sempre planinho pela marginal a ver o Porto na outra banda, podendo até a parte chata ser “amenizada” pelos ciclistas com menos forma e com andante mensal, utilizando a alternativa artificial à Mouzinho da Silveira, que é o Funicular dos Guindais, ganhando depois a descida como brinde.

Isto é a mobilidade inteligente, descomplicando onde os outros encontrariam pelos menos três desculpas para pegar no carro: a distância, o tempo de viagem no comboio e a subida até à estação.

Valeu Eduardo!

Crónicas do Primeiro Mundo

Avançam já este mês as multas para peões infractores

O número de atropelamentos mortais tem vindo a aumentar. Ciente desta “triste” realidade, o Governo Civil de Braga quer avançar para contra-ordenações para quem anda a pé e não obedece às regras de trânsito. Também existirá um reforço da fiscalização.

“As nossos acções de sensibilização junto dos peões não bastam. Continuamos com registos que são uma vergonha, dignos de um país de terceiro mundo e não pode ser”, afirmou José Lopes, chefe de Gabinete do GCB. No total, durante este ano e até ao mês de Agosto, registaram-se 257 atropelamentos, dos quais resultaram oito vítimas mortais.

No JN.

Vou emigrar.