Crime e vergonha

Clicar na imagem para ver o vídeo.

Ponto 1

A Massa Crítica é um movimento informal, chamemos-lhe uma coincidência, que acontece na última Sexta-feira de cada mês. É um momento de celebração da bicicleta como meio de transporte, um convívio daqueles que nos outros dias todos do mês fazem com que o ambiente das cidades seja um pouco melhor.

Sem ser uma manifestação, nem havendo organizadores, a Massa é um protesto pacífico daqueles que acreditam que se pode viver melhor se houverem menos carros, que a vida urbana pode ser muito mais interessante e inclusiva se as pessoas que mandam nas cidades não se preocuparem tanto com o o ‘conforto’ dos automóveis.

Ponto 2

Durante uma Massa Crítica, a norma é incomodar o menos possível. Se formos muitos, claro que vamos incomodar mais do que se formos poucos, mas procuramos sempre fazer o nosso protesto de forma ordeira e pacífica.

Uma coisa que fazemos para incomodar menos e para manter a segurança do grupo, é andar o mais junto possível, não deixando a Massa esticar.  Para isso ser possível, é necessário não deixar partir o grupo, coisa que pode acontecer nos cruzamentos, quando a cabeça da Massa passa um sinal verde e o resto é apanhado pelo vermelho. Aqui faz-se uma coisa chamada ‘rolha’, onde dois ou três voluntários se posicionam e pedem aos carros para esperar um pouco enquanto o grupo passa.

A Massa nunca passa um sinal vermelho, se este assim o estiver quando o início do grupo chega ao cruzamento.

Quem lê este blogue, sabe que não me canso de elogiar os STCP e os transportes públicos em geral. À excepção de um ou outro incidente, como uma tentativa de abalroamento por parte de um motorista da Resende numa destas semanas, considero os condutores dos autocarros bastante cordiais e compreensivos com quem anda de bicicleta.

É por isso que não consigo conceber que exista alguém como o senhor da fotografia lá em cima ao volante de um autocarro pago com os meus impostos.

Voltando atrás, para se perceber porque estou a escrever isto.

Estive a semana que passou em Londres. Foi a terceira semana este ano, a sexta num espaço muito curto de tempo.

Neste espaço muito curto de tempo, observei o fabuloso crescimento do número de ciclistas, crescimento que é devidamente apoiado por quem manda. Cartazes por todo o lado avisam os motoristas para ter cuidado. Os autocarros avisam os ciclistas relativamente à melhor forma de os ultrapassar. Há sinais com a bicicleta por tudo o que é pavimento.

Preparava-me para regressar ao Porto e para escrever um postal sobre isto, quando recebi um email da Carmo Cardoso que me deixou perplexo.

Serve este mail como desabafo.

Será que a adega do ciclista tem confessionário?

Inacreditável o que acabei de observar. Um motorista da STCP forçou caminho pelo meio do passeio da Massa Crítica do Porto, empurrando com o autocarro pelo menos dois ciclistas.

Estou em estado de choque, não deviam estes senhores dar o exemplo de civismo? Mas o que é isto? Espero que hajam fotos e que se chame este senhor à responsabilidade. Devo dizer ainda, a bem da verdade que o pelotão da Massa Crítica estava a passar um semáforo vermelho. Pessoalmente, quando ando de bicicleta respeito sempre os semáforos, mas tenho-me apercebido que a maior parte dos ciclistas não o faz.

Ainda há muito a fazer-se, discutir e pensar sobre o crescente número de ciclistas nas cidades. Um código de procedimentos, se não existe deve existir. Mas o que este senhor fez não se faz! Escudar-se de uma armadura de toneladas albarroar ciclistas é pura cobardia. Ponto Final!

Estou ensandecida com a raiva, tinha de desabafar!

Para o próximo mês junto-me à Massa Crítica, quantos mais melhor!

Sim, isto aconteceu.

Umas horas depois de receber o email, estava este vídeo disponível no grupo da Massa Crítica do Porto, para perplexidade é geral. Há um rumor, que algum dos leitores pode confirmar, ou desconfirmar, que diz que o motorista, quando confrontado com os ciclistas que lhe batiam no vidro a pedirem para ele parar com esta tentativa de homicídio, lhes respondeu com um enérgico “BATE COM OS CORNOS”. Sem mais, nem menos.

O homem pode achar que tem o direito de passar, mas não pode achar que tem o direito de o fazer à força e à custa da vida dos outros. E antes que venham aqui para os comentários disparatar com balelas sobre a lei e o código da estrada, vou só relembrar o que lá diz sobre este assunto, no seu Artigo 29, de forma clarinha como a água:

 o condutor com prioridade de passagem deve observar as cautelas necessárias à segurança do trânsito (infracção dá multa entre €120 e €600).

Neste caso, o condutor não só não observou as cautelas necessárias à segurança, como deliberadamente atropelou quem estava à sua frente com um monstro de várias toneladas pago por todos nós.

Cobardia e insanidade. Este homem tem que ser impedido de voltar a conduzir um autocarro.

_________________

PS: para além do vídeo indicado atrás, existe um outro, enviado pelo João Lopes Cardoso, onde se consegue ver o início e o fim do incidente.

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41 thoughts on “Crime e vergonha

  1. Os meus parabéns pelo texto Miguel. Tudo se passou exactamente da forma como relatas. Assim que a cabeça do movimento passou o verde, tentamos educadamente fazer a rolha. Cai o vermelho e respectivo verde para o transito da Rua do Breiner e nem houve um segundo de hesitação. O motorista lançou o autocarro para cima de nós. Nunca demonstrou um pingo de educação ou tolerância para com as pessoas que se autolocomoviam e que foram inesperadamente apanhadas na encruzilhada. Temo pelos utentes da STCP que são conduzidas por este mau profissional.

  2. Estou estupefacto não só pela atitude do motorista dos STCP, mas porque numa época em que o acontecimento Massa Critíca já não é uma novidade, era tempo de a empresa de transportes do Porto, na formação que dá (partindo do principio que isso acontece) aos seus funcionários devia sensibilizá-los para lidar tranquilamente para situações em que têm veículos de peso inferior, priveligiando-os e não atropelando-os. Principalmente, porque antes do tipo de veiculo, é uma vida humana que está em risco e deveria ser do senso comum (de todos, mas ainda mais) de quem tem a responsabilidade de conduzir um veiculo de várias toneladas, que a vida humana é algo a prezar a todo o custo. Essa atitude reflecte apenas o tipo de pessoa que está por trás do volante desse autocarro, é um ser desprezível como são desprezíveis todos aqueles que atentam contra outro ser igual ou inferior valendo-se da arma que no momento têem sob a sua responsabilidade.
    Por isso, aconselho que seja de imediato apresentada queixa por atentado à vida humana, por parte do condutor desse autocarro; e independentemente do tempo que a queixa seguir os tramites legais, o caso seja levado até às ultimas consequências, e no contacto com a empresa proprietária do autocarro, acrescentem que seria bom que tal como acontece na congénere de Lisboa, melhorem o nível de qualidade dos motoristas, para evitar que incidentes como este se repitam.
    Ás vitimas, espero que não tenham sofrido danos físicos graves, mas os psicológicos podem levar mais tempo a ultrapassar; e desde Lisboa envio um voto de rápidas melhoras.

  3. Fónix… Isto mostra a importância fulcral das rolhas na Massa Crítica, têm que ser muito bem feitas, com o máximo de comunicação e cortesia/simpatia, para desconstruir e desarmadilhar este tipo de actos… Espero que ninguém se tenha magoado. E é de accionar todos os mecanismos legais para que esse condutor seja punido e, obviamente, despedido.

  4. O pensamento do motorista foi…”vou atropelar!” não tem desculpa! Espero atitude pelos os superiores dos STCP. E como o Miguel disse e bem, só tenho elogios aos STCP tirando uma outra situação, não percebo o que deu ao motorista. O desemprego infelizmente é a única solução, temos pena…devia ter pensado nisso antes.

    • É de acto um acto lamentavél…ok que ele estava a fazer o seu serviço,mas rsses serviço não abrange este tipo de situações…portanto,rua com ele,tirar-lhe a carta e oferecer uma bina ao sr. para se deslocar diariamente para entender do que falamos…e desejo que nenhum autocarro entretanto passe por cima dele…em relação aos ciclistas envolidos,espero que esteja bem e que tais situações não voltem a suceder.Abraços de LX

  5. Pingback: stcp, isto é, Só Tentamos Concluir Passagem | na bicicleta

  6. Não estive nesta M.C por circunstâncias particulares mas poderia ter estado, Com efeito fazer arrancar um autocarro, mesmo com a legitimidade conferida por um semáforo verde, depois de o condutor indubitavelmente se aperceber que se trataria de um grupo de ciclistas em circulação e que por essa razão teriam feito a “rolha” como medida de proteçã, seria o equivalente a investir contra um cortejo fúnebre , uma procissão, um desfile de Carnaval, uma manifestação pública, um grupo de turistas em visita à cidade ou outra circunstância equivalente, desde que a coberto de um sinal verde. Não é aceitável que motoristas de um serviço público e que são sujeitos a testes psicotécnicos para aferir, entre outros factores, a sua resiliência psicológica perante situações adversas, manifeste um comportamento agressivo ao nível do condutor corrente, dotado do défice cultural , civilizacional e de cidadania em que a generalidade dos condutores portugueses é pródiga. .

  7. Precisamos de dados para poder responsabilizar o condutor. Resposta da STCP:

    STCP – Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, SA wrote:

    “Para poder ser averiguado, precisamos de mais dados: data, hora, local e nº do autocarro ou da linha que fazia. No texto do blog não estava essa informação.

    Para se analisar o que se passou, só mesmo com o envio desses dados para o email linhaazul@stcp.pt.”

  8. Estou chocado com esta noticia.
    Espero que tenham apresentado uma queixa na PSP e na STCP. Este acto não pode passar impune!
    Esse sr. não pode continuar a trabalhar na STPC. Isso seria tão escandaloso como o próprio atropelamento premeditado!

  9. Pingback: Crime e vergonha « Um pé no Porto e outro no pedal « Matemática em Sobral

  10. 28 de setembro, +- 19h25, Rua do Bryner (cruzamento com Rua do Rosário), penso que só há uma linha STCP na Rua do Bryner, com franqueza vou ter que confirmar a informação, eu estava na massa e vi, confirmo o comportamento altamente reprovável do motorista, qualquer empresa séria, abriria inquérito disciplinar para averiguar o incidente, inclusive, houve um ferido ligeiro, podem confirmar na facebook da massa.

    • Viva Diogo, com essa lógica, um dia que o veja a atravessar fora duma passadeira, vou fazer por o atropelar.

      Se não sabe ler, não venha para aqui armar-se em assassino.

        • Entao o facto de o sinal passar para verde dá o direto a qualquer um de atropelar com esteja pela frente, sejam eles ciclicstas, pessoas idosas que demorem um pouco mais a atravessae ou qualquer outra pessoa numa outra situacao?
          Pela sua fotografia deduzo que seja ainda uma crianca e, por isso, perdoam-se esse comentarios, mas se continuar com essa forma de ver o mundo, peco-lhe, ao menos, que nunca pense em conduzir nas nossas cidades.

  11. Concordo em parte com Diogo Monteiro. Diria antes que a culpa é primeiro dos ciclistas.
    Ja ciclei muito no Porto e em Londres. Se vir que nao vem carro nao paro nos vermelhos (o facto de ser ilegal nao me preocupa) mas ir para a frente de alguem que tem verde é estar a pedi-las. Vai ser precisa uma desgraça para esses ciclistas pensarem? Será que não têm respeito pela própria vida?
    Entre 1986 e 2011 morreram so em Londres 439 ciclistas em acidentes de transito, mesmo sendo a maioria dos condutores em Londres muito mais respeitadores que a maioria dos condutores em Portugal.
    https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AuEtgCUuVBDUdHZqbEZ1NVctVTBVeFRqTmNVbGZnbXc&hl=de#gid=0
    https://maps.google.com/maps/ms?ie=UTF8&hl=de&msa=0&msid=207305429162328382245.00049de451f464602f536&z=11
    Não é com mártires que se defende o uso da bicicleta.

    • Ora bem, o que o motorista fez é crime. Se alguém tivesse morrido, seria acusado de homicidio voluntário e de certeza teria ido parar à cadeia.

      Houve uma pessoa que ficou ferida, porque este motorista profissional decidiu passar com um autocarro de muitas toneladas por cima de um ser humano.

      Espero sinceramente que nenhuma das pessoas que defende o comportamento deste assassino tenha carta de condução ou o acesso a um carro.

      • Acho incrível como dizem que o motorista atentou à vida dos ciclistas. Aquela velocidade? Fazem-me rir! Um homem mostrou uma posição. Gostem ou não. Se quisesse matar alguém, alguém estava morto. E ainda dizem que o autocarro passou por cima de alguém…

        Já pensaram na posição do motorista? O homem tem um bando de mecos à frente, sem legitimidade para cortar a via. Enquanto outros atravessam a via a uma velocidade inferior à de passeio e às pingas. Todos muito preocupados em olhar uns para os outros…

        Quanto aos que dizem que a atitude dele é covarde, vocês são mais em muito maior número. O tipo estava claramente chateado com a situação.

        Eu dou razão e apoio o movimento ciclista no caso de ultrapassagens tangentes. Aqui não. Se chateiam alguém, alguém vos pode responder. Ainda que da forma menos própria que esperavam.

        Conclusão: se querem cortar vias de trânsito chamem a polícia, vocês lá por serem muitos não têm autoridade. Mostrem civismo, pode ser que recebam civismo em troca.

        • Interessante como questiona a autoridade que os ciclistas têm para cortar ruas ou passar semáforos com o vermelho mas não se questiona sobre a autoridade que o motorista tem para covardemente atropelar pessoas. Que escala de valores interessante..

  12. Vou escrever isto de forma diferente.

    1. Eu estou num clube de tiro, com uma pistola na mão.

    2. Há uma pessoa que, apesar dos avisos para não o fazer, entra na área de tiro.

    3. Eu vejo essa pessoa e penso: “eh pá, este tipo não devia estar aqui”. Levanto a pistola, e dou-lhe um tiro na cabeça.

    4. O tipo que entrou na área permitida morre.

    5. Eu sou aplaudido por alguns dos meus amigos, que acham que fiz muito bem.

    Perceberam, ou querem que peça ao Palhaço Batatinha para explicar?

  13. Caro Miguel,

    Vergonha devias ter tu também. Ênfase no ‘também’.

    Não concordo em nada com a atitude do condutor do autocarro.
    É deplorável o respeito que esse senhor demonstra pela vida de outra pessoa.

    Apesar disso, e voltando ao problema que está na origem da situação reportada no mail, qual é a legitimidade para passar um sinal vermelho? Nenhuma. E legitimidade para mandar parar o trânsito? Nenhuma também. Mais uma vez, nem quero pensar que se alguém passar um sinal vermelho outra pessoa qualquer tenha direito de a atropelar só porque infringiu a lei. Não é sobre isso que escrevo, isso é-me claro como a água.

    Há uma coisa que não percebo, essa coisa chamada “rolha”… o que é isso? É que a forma como é apresentada até parece coisa legítima, mas vendo bem, é uma absoluta ilegalidade. Ainda bem que “A Massa nunca passa um sinal vermelho”, só quando parte da Massa já passou no verde e então aí a outra parte da Massa passa no vermelho. Em que é que ficamos?

    “Aqui faz-se uma coisa chamada ‘rolha’, onde dois ou três voluntários se posicionam e pedem aos carros para esperar um pouco enquanto o grupo passa.”
    Para quem escreve o texto como se fosse moralmente superior (passar vermelhos posso, atropelar pessoas não posso! E não é da parte de não poder atropelar que eu discordo. E ainda citações do código da estrada, porque não citaste o artigo 69º alínea 1a também?), gosto da parte onde se “pede” aos carros para esperarem. Mas como é que se pede? Ah, colocamos dois ou três tipos a bloquear a estrada (só para o caso de o condutor não estar muito receptivo), assim o carro sempre tem uma escolha a fazer, ou pára ou pára. Isto se não quiser ser acusado de homicídio. Não achas que isso é invadir um bocadinho a liberdade dos outros?
    Ora se te colocares do outro lado (na pele de condutor) a situação que vês é a seguinte: tens o semáforo verde, portanto nada te impede de avançar. Mas verificas que alguém se colocou no caminho sem ter legitimidade nenhuma para o fazer. Achas isso bem? Obviamente não podes remover o obstáculo à força, mas a minha pergunta é se estás a respeitar todos os utentes da via pública?

    Se calhar é melhor rever a política da Massa Crítica, porque andar em pelotão dentro da cidade desrespeitando a sinalização não me parece uma forma de protesto saudável para ninguém. A atitude correcta, parece-me a mim, é requisitar a presença da autoridade neste tipo de protestos, e se a autoridade achar necessário, então ela interrompe o trânsito onde necessário.

    Boas pedaladas.

    PS: no exemplo fundamentalista faltou-te acrescentar que o propósito dessa pessoa entrar na área de tiro é precisamente para te impedir de disparares. Não é um acaso. Só para ficar claro.

    • José Manuel,

      No teu discurso pró-atropelamento, ficou claro uma coisa;

      “PS: no exemplo fundamentalista faltou-te acrescentar que o propósito dessa pessoa entrar na área de tiro é precisamente para te impedir de disparares. Não é um acaso. Só para ficar claro.”

      Para ti, alguém entrar na área de tiro para te impedir de disparar, está a legitimar o teu disparo a matar.

      Está tudo dito, e assim tudo vai bem no reino do automóvel, senhor na terra.

      Já agora, não tenho vergonha nenhuma do que faço, bem entendido? Nenhuma.

      Vou continuar a lutar para que as cidades sejam mais inclusivas e para que o caos gerado por uma cidade totalmente orientada para os interesses dos senhores automobilistas venha a ter um fim.

      Vou também continuar a lutar para que criminosos, que tu tão bem defendes, sejam responsabilizados pelo que fazem.

      Vergonha devias ter tu.

      • Miguel,

        Gosto da tua leitura selectiva.
        O facto de teres pegado no PS diz alguma coisa sobre a tua compreensão do resto do texto.
        Mas ainda tens que me explicar onde é que eu legitimo o disparo. Achei que o exemplo que deste não reflectia completamente a situação descrita.

        Três excertos do meu discurso pró-atropelamento:
        - “Não concordo em nada com a atitude do condutor do autocarro.
        É deplorável o respeito que esse senhor demonstra pela vida de outra pessoa.”
        - “Mais uma vez, nem quero pensar que se alguém passar um sinal vermelho outra pessoa qualquer tenha direito de a atropelar só porque infringiu a lei.”
        - “Obviamente não podes remover o obstáculo à força (…)”
        Deu para perceber, ou queres que peça ao Palhaço Batatinha para te explicar?

        Não te preocupes com o fim dos “interesses do senhores automobilistas”. Tudo tem um fim!

        • José Manuel, começaste o texto a chamar-me fundamentalista e a dizer que eu devia ter vergonha.

          Pois não tenho vergonha nenhuma de denunciar este homem. Vir falar do vermelho, é vir falar de uma coisa que nada tem a ver com o assunto e só serve para desviar a atenção do que importa aqui.

          Houve uma agressão muito grave a duas pessoas que estavam apenas a pedir ao senhor para esperar um pouco enquanto o grupo acabava de passar o semáforo,

          Este homem conduz um autocarro pago com os nossos impostos e ganha do nosso dinheiro, incluindo o das pessoas que atropelou de propósito, Este homem acha que a vida de duas pessoas não valem cinco minutos da sua própria vida.

          Se alguém morresse, este homem era preso por homicido voluntário. Não, não era negligência e não, não era involuntário.

          Aindas achas que sou fundamentalista e devia ter vergonha? Pois eu acho que tu é que devias ter vergonha de me vir dizer isso.

          O que se passou aqui faz-me lembrar duas coisas, na devida escala:

          1. Isto – http://www.youtube.com/watch?v=6XL3g4vPK30

          2 Isto – http://www.youtube.com/watch?v=qq8zFLIftGk&feature=related

  14. Penso que um motorista sensato, que é o que nós esperamos ter nos transportes públicos, pararia o autocarro e verificava o que se estaria a passar na Rua do Rosário para justificar a presença de um ciclista cuidadosamente a pedir que esperasse um pouco, esse ciclista não tinha pasado com vermelho note-se isso! isto é uma agressão, ainda por cima cobarde, é como guerrear nativos que só tem paus com metrelhadoras.
    A opinião dos que defendem a atitude do motorista não tem qualquer fundamento no seio de uma sociedade moderna equilibrada, educada e responsável e só a posso ter em conta pelo facto de não terem prescensiado a ocorrência. A queixa segue com certeza e cheia de razão para os STCP e eles que façam o que entenderem à pobre criatura. A ideia é que todos possamos aprender com os erros.

  15. Viu quem viu a agressidade do motorista. Viu quem viu o tipo a avançar indiscriminadamente para cima de quem foi apanhado na encruzilhada. Viu quem viu este mau profissional, que todos os dias tem a vida de centenas de pessoas nas mãos, a arriscar a vida de duas pessoas só porque não tiveram a oportunidade de terminar a passagem no cruzamento. Viu quem viu a cara de gozo do sujeito, escudado num veículo, acelerando e desacelerando o autocarro para cima da mulher ciclista, empurrando-a como se empurra um condenado. Viu quem viu, e eu vi. Não me venham agora para aqui com falsos moralismos, regras de trânsito, vermelhos, verdes… Onde fica o civismo, o respeito, a educação? Estamos feitos ao bife, é o que é!

  16. é a cultura e educação do nosso país…na manifestação da crise somos um dos povos mais pacíficos … mas depois não respeitamos um grupo de pessoas que apenas pretende sensibilizar para este fabuloso meio de transporte previsto no código da estrada e aplicam “a força” em desigualdade física, sem sequer respeitar a integridade fisica do nosso semelhante…

  17. Pingback: Uma guerra declarada « Um pé no Porto e outro no pedal

  18. Não Miguel. O exemplo é fundamentalista, a ti não te conheço para fazer tal juízo de valor.
    Pelo que vejo no restante do blog pareces ser uma pessoa bastante activa na sociedade, de uma forma positiva.

    Creio que falhaste completamente o objectivo do meu comentário.
    Se calhar não fui claro o suficiente, ou então foi por falar de algo que parece que ninguém quer falar.
    Continuas a escrever como se estivesse em dúvida a atitude demente do condutor do autocarro. Já deixei a minha opinião sobre essa situação, e volto a dizer, não é sobre isso que escrevo.

    Depreendo das tuas palavras que semáforos não têm nada a ver com este assunto, o que é uma observação muito perspicaz. Isso de desviar a atenção do que importa é bonito. No entanto baseias-te no código da estrada para apoiar os teus argumentos (e com razão no caso abusivo do condutor do autocarro, não me canso de dizer), para umas palavras antes publicitares situações em que se passam vermelhos e embaraçam o trânsito. Aliás, aparentemente essa “técnica” até tem um nome. É socialmente aceite no reino da bicicleta. No mundo real nem por isso. Talvez por infringir o código da estrada.
    Escrevi o que escrevi porque, no meu entender e corrige-me se estiver errado, em nenhuma parte do texto é dito que não se pode passar sinais vermelhos, ou embaraçar o trânsito. Aliás, antevendo a situação de que alguém poderia sequer levantar isso, agarras logo no código da estrada e citas o que te interessa.
    Só vi mais dois comentários até agora a referir este ponto, um acusaste-o de se armar em assassino (nem vou discutir o que ele escreveu ou da forma que o fez) e no outro nem respondeste.

    Fico com dúvidas se percebes mesmo a noção de “direito” ou se a distorces quando dá jeito. “O homem pode achar que tem o direito de passar, mas não pode achar que tem o direito de o fazer à força e à custa da vida dos outros.” E que direito é que a Massa Crítica tem de obstruir a via, ainda que seja por 5 minutos? Aquela moeda do civismo, tem duas faces.

    Não quero desviar a atenção mais uma vez (até porque o que vai acontecer é que vais pegar nestas últimas palavras e tentar ignorar o resto, como da última vez) mas, e essa indignação com o dinheiro dos impostos, é menos grave se o autocarro não fosse pago com os nossos impostos?

    • Olha lá, eu apenas disse para não virem com as balelas do código da estrada, sabendo que era por aí que a conversa ia seguir. Disse-o, porque o mesmo não era para aqui chamado e não era isso que se ia discutir, apenas uma atitude absolutamente inaceitável.

      Se quiseste fazer um filme e dizer que eu tinha que ter vergonha por isso, azar o teu. Anda mais de bicicleta e olha… tem cuidado com os autocarros.

      Agora não vou perder muito tempo a ler os teus testamentos nas entrelinhas, para estar aqui de bate papo por causa de um motorista de autocarro psicopata.

      Mas se queres ir por aí, eu um dia faço um post só para ti a explicar porque é que quando não havia carros, também não havia semáforos.

      • Se não querias que a conversa não entrasse pela lei e pelo código da estrada tinhas acrescentado que passar vermelhos também não é legal, em vez de utilizares eufemismos para o justificar, já para não falar de dizeres que isso não tem nada a ver com a situação e é desviar a atenção. Ainda não li a tua opinião sobre isto, apesar de já ter escrito tantos testamentos.

        Portanto, tu publicas um texto e queres controlar o que se vai discutir? “(…) e não era isso que se ia discutir, (…)”. Está visto que vim comentar ao blog errado. De facto azar o meu.

        Agradeço a tua recomendação acerca do tempo que eu passo em cima da bicicleta. Isso também poderia ser assunto para outro dia. Obrigado pela preocupação, vou tentar não ter encontros imediatos com os ditos.

        Olha, mas nesse post especial para mim dizes logo o que é que se pode discutir?

        • Acho incrível a leviandade com que se comparam as duas coisas como se fossem infrações ao mesmo nível. Não são. Passar o vermelho ou causar embaraço ao trânsito são consideradas contra-ordenações ao CE que pode dar origem a uma coima. Atropelar deliberadamente um grupo de pessoas é um crime pode dar (deveria dar) prisão.

  19. Eu costumo participar nas MC, não do Porto, mas do Seixal e Lisboa. No entanto não posso concordar com a maneira como se faz a rolha… Como alguém já disse, o que se faz não é mais que um bloqueio… Ninguém pede nada a ninguém. Acho que assim não vamos conseguir que nos respeitem, pelo contrário. Vão olhar-nos como vandalos, “aqueles que fazem parar o transito!”. Penso ser simples, pede-se, se o condutor não quer parar, não o devemos obrigar!… Seja um transporte público ou não!…

    Não temos o direito de bloquear alguém e se queremos respeito, temos também de nos dar ao respeito. A nossa liberdade acaba onde começa a do outro.

    Pelo que sei, a MC tem o intuito também de nos integrar nas estradas, de sensibilizar os AINDA não ciclo-utilizadores, para que não hajam carros a razarem-nos os punhos, etc…

    Por exemplo, será que faz sentido sensibilizar as pessoas relativamente à violência doméstica, com umas chapadas à mistura? Ao bloquear-mos o transito sem direito a tal estamos a cometer o mesmo erro que cometem connosco, ciclo-utilizadores – desrespeito.

  20. Apesar de o vídeo não mostrar tudo o que efectivamente se passou, a mim só me ocorre uma coisa: o motorista agiu deliberadamente e com o propósito de magoar e atentar contra a vida dos ciclistas em questão… mesmo com o sinal verde para o autocarro, para onde é que o motorista queria avançar? Para cima dos carros que estavam em fila a seguir ao cruzamento?! O que aqui está em causa é falta de civismo, respeito pelo próximo e pela vida de quem anda de bicicleta!!! Nada justifica o atropelamento! Ou será que alguns senhores ainda não perceberam!!! A MC não é nenhum grupo de terroristas armados com bicicletas explosivas que só querem, por exemplo, ocupar e entupir ruas e acessos, fazer buracos, poluir o ambiente, estacionar nos passeios, etc, etc… É tão triste ler certos comentários, que só espelham o tipo de seres humanos que são e que não conseguem entender o que está em causa!!! Será que não percebem que o senhor motorista não gosta de ciclistas e que não gostou que lhe tivessem pedido para parar, mesmo sabendo ele que não podia avançar!!! E se as pessoas em causa se tivessem revoltado de forma violenta! Aqui imperou a “lei” do mais forte, habitualmente seguida por indivíduos ignorantes, sem valores e respeito pela vida humana, que se julgam “donos da estrada”, que não olham a meios para atingir fins. Ainda se indignam quando aqui se escreve que este assassino deve ser punido… Sim, assassino, pois não me ocorre outra palavra para o classificar um senhor que é designado por motorista profissional!!!

  21. Pergunta simples:
    O código da estrada não impede que se avance num cruzamento sem ter certeza que se vai efectivamente conseguir atravessa-lo na totalidade e, assim, não ficar a impedir a passagem dos outros veículos que vêm na perpendicular, quando o sinal abrir?

    Vamos mesmo entrar na selvajaria da luta “código da estrada” vs “direitos humanos”?

  22. Pingback: generalizando, mas apontando o dedo | na bicicleta

  23. Pingback: A respeito de motoristas no convívio com ciclista « Matemática em Sobral

  24. Ola!
    Gostava só de deixar o meu comentário a esta noticia e ao texto.

    Não sendo um ciclista assíduo (felizmente tenho acesso a transportes públicos eficazes), assisto diariamente a uma realidade bem diferente da que tanto se fala em Portugal. Vivo na Noruega, e aqui realmente assiste-se a uma harmonia entre automóveis/autocarros e ciclistas e peões. Nunca assisti a um acidente sequer, em 9 meses. As pessoas foram educadas para conviverem em conjunto e aqui é uma realidade absoluta o uso da bicicleta, tanto como lazer como transporte diário casa-trabalho.

    Dito isto, o comportamento deste motorista é em todos os aspectos reprovável. Demonstrou uma total falta de civismo, já para não falar em falta de ética e humanismo. Sem duvida.
    Agora concordo também que a pratica da “rolha” viola a liberdade de circulação dos restantes utentes da via publica. Isto não é uma ofensa obviamente, é apenas um comentário.

    Cumprimentos.

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