Eu SOU trânsito

O Paulo deixou na caixa de comentários deste postal uma pergunta em forma de desabafo:

Desculpem lá a questão que é off topic, mas; como é que vocês fazem para circular na Damião de Góis?

Destesto estorvar o trânsito. Não tem que ver com com os automóveis, que também uso, embora tendencialmente menos, mas sim com o respeito pelas pessoas independentemente de como se deslocam.

Quando estou de carro, se for preciso faço 500m a pé mas nunca estaciono em segunda fila, ou num local impróprio, seja para ir ao multibanco, à farmácia ou para deixar os miúdos à porta da escola.

O desrespeito pelos outros, mais do que propriamente pela lei, deixa-me completamente indignado! Da mesma forma, se circulo de bicicleta e se estou a atrasar o trânsito procuro desviar-me e ceder passagem. Ou seja, sem nunca recorrer a malabarismos exagerados, faço os possíveis para não empatar o trânsito.

Ora na Damião de Góis nunca sei por onde hei-de circular! Se vou encostado à direita vou pela faixa de BUS a incomodar os transportes públicos, se vou pela faixa do meio sou alvo dos mais variados insultos e das mais arrojadas tangentes daqueles tipos que gostam de passar de gás para depois ficarem em fila nos semáforos. Pelo passeio também não me parece bem! Sinceramente prefiro evitar a Damião de Góis, seja hora de ponta ou não, mas gostava de ouvir os vossos comentários e sugestões.

A minha resposta foi a seguinte:

Viva Paulo, a questão não é tão simples.

Eu SOU trânsito, tenho direitos e ocupo muito menos espaço que um carro. Transporto os meus 75kg numa bicicleta de 14, que ocupa menos espaço que o meu próprio corpo. Se alguém precisa de 6 metros quadrados e uma tonelada e meia para se transportar, tem que perceber que não pode exigir mais espaço aos outros.

Se vou no trânsito, a minha preocupação é a minha segurança, e mantenho sempre os 1,5 metros para os carros estacionados à direita, para dar espaço de manobra em caso de se abrir uma porta, um carro começar a saída do estacionamento, etc.

As coisas estão a mudar. Em cidades como Copenhaga, Amesterdão não passa pela cabeça de ninguém desviar-se para um carro passar. Em Barcelona, Paris ou Londres, começa a acontecer o mesmo.

As pessoas dos carros, se têm carros parados à frente, abrandam e engarrafam. Devem abrandar também quando vêem uma bicicleta.

Querem rapidez na cidade? Comprem uma mota, uma bicicleta, um carro mais quequeno. Em suma, ocupem menos espaço.

Alguém quer acrescentar alguma coisa?

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9 thoughts on “Eu SOU trânsito

  1. Respondendo de forma mais directa, eu que faço a Damião de Gois todos os dias opto por ir exactamente pela faixa do BUS. Se for nessa faixa regra geral tanto os autocarros como os taxis têm espaço para me ultrapassar caso necessitem, mas normalmente até acabo por ser eu a passar pelos autocarros.

  2. O mesmo se aplica à Rua Julio Dinis, quem vai para a Rotunda, como em grande parte da Costa Cabral e em outras artérias. O que eu faço, mesmo que não me vejam com bons olhos, é pedalar pela faixa de BUS, espaço priveligiado para uns quantos que não deveriam estar ali e por incrivel que pareça não me lembro de ver algum veículo multado e bloqueado por estar ali estacionado a impedir a circulação de veículos de emergência e transportes públicos. Afinal de contas se a faixa BUS é uma via subaproveitada, onde a bicicleta pode circular sem estorvar quem quer que seja, porque não abrir de uma vez por todas o direito ao ciclista circular nela. Em Lisboa derrubou-se um mito.

  3. Eu tenho sempre evitado as faixas de Bus, até que se faça como o exemplo dado em Lisboa.
    Por uma razão muito simples: dos dissabores que tenho tido com condutores motorizados na cidade, os mais perigosos foram precisamente com profissionais: táxis e autocarros.

    Não me livro, claro, de ouvir barbaridades tipo: “isso não é uma mota, vai para o passeio, otário!”

    Mas antes isso que ser abalroado num local onde de facto, segundo o código, não posso circular.

    • Há duas semanas, um condutor da Resende encostou-me contra os carros em Álvaro Castelões (Matosinhos). Não contente, apertou-me depois, ostensivamente, para o lado esquerdo.

      Ficou admirado quando fui ao pé dele charmar a atenção de forma menos simpática. Claro que o covardola não se atreveu a responder.

      É muito valente, mas só quando vai a conduzir aquele monstro.

  4. Eu passo por Damião de Gois quase todos os dias e, vou sempre pelo Bus, sempre com o cuidado de ver se vem o autocarro, quando vem encosto e, sigo viagem… os táxis (alguns) é que são piores.

  5. Eu em Damião de Gois circulo pela faixa do Bus, e normalmente os taxistas que me mandam bocas do tipo ” vai para o passeio ó #%$£¥” Apanham comigo a bater-lhes ao vidro nos semáforos a perguntar se tem os cor$£#os muito grandes que não lhes permita partilhar a via comigo….

  6. É muito raro a situação de simultaneamente um carro conseguir andar mais depressa do que eu, e não ter montes de espaço para passar. nesses casos paciência. além de que na maior parte dos casos em que acontece um carro fazer uma manobra perigosa para me ultrapassar, é para parar logo um pouco mais à frente. quando isso acontece não me coibo de lhes chamar a atenção para a estupidez que estão a fazer.
    Algumas vezes exaltado insulto-os com todas as palvras que conheço, quando estou de melhor humor tento chamar a atenção de forma inventiva.
    por exemplo encontrei o gajo mais à frente parado numa fila, passo à frente dele, ponho a bicla no descanso olho para o relógio, faço que estou a ler o jornal, ou quando há espaço, dou duas ou três voltas ao carro. O importante é mostrar que fez uma ultrapassagem perigosa para ganhar duas décimas de segundo para a seguir ficar minutos parado atrás de outro carro ou num semáforo.

  7. Pois no outro dia, àhora de almoço envolvi-me numa cena surreal, depois de ter mostrado o dedinho do meio (ok, eu sei que n se faz), a um automobilista que me apertou, encostou e buzinou, segui o meu caminho, para umas ruas mais à frente o gajo atravessar o carro à minha frente e sair do caro a dizer caralhadas… passou-se! Tenho de ter mais calma e n mostrar o dedinho… Porque se eu n tivesse bazado quando ele saiu do carro, n sei o que seria da minha integridade física!

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