Há uns meses atrás, recebi um email por causa dos empréstimos. Tratava-se de uma rapariga da Letónia que estava pela querida Imbicta num projecto de voluntariado e queria uma bicla para andar no dia-a-dia.
A única bicicleta que tinha disponível na altura era “O Canhão”, uma Bike Tour semi avariada, que no último ano andou de mão em mão.
Apesar da maior parte das pessoas com quem me dou actualmente ter mais do que uma bicicleta, poucas se disponibilizaram para o projecto. O Vitor, dono d’”O Canhão” foi dos poucos a chegar-se à frente e até é menino a necessitar de uma bicla nova, que a que tem é pouco mais prática que esta.
Curiosamente, alguns dos amigos mais chegados, um concretamente, até fazem questão de coleccionar charutos, mas dizem que nunca sabe quando vai precisar de todos eles ao mesmo tempo.
Voltando à Letã, o seu nome é Irita e foi voluntária na loja de comércio justo do Parque da Cidade. Levou “O Canhão” e diz que foi perfeito, não como meio de transporte, mas como uma forma de manter a forma. É que, para além dos 20 quilos de material foleiro, as mudanças entravam mal e o travão da frente estava empenado, travando a roda. Apesar de tudo, ainda deu umas voltas, tendo chegado até Espinho, passeio em que não deu com o caminho de volta a casa.
Relativamente à ciclabilidade da nossa linda cidade, achou a coisa fraca. Primeiro, andava com “O Canhão”, logo a cidade só podia descer – admite que com uma bicicleta noutras condições a coisa até devia ir bem. Depois, o trânsito é caótico, não existindo “bike routes” que se possam chamar “bike routes” e não temos por onde ir em segurança.
Parecendo que não, estamos às portas do Outono e a Irita está de volta à Letónia e ao aconchego de um país onde se pedala debaixo de neve.

Fico cheio de pena da Irita que tanto sofreu numa cidade como o Porto, talvez, se houver, numa proxima vez alugue um carro para não sofrer tanto…
Viva Pai Natal, tal como tu, ela prefere pedalar na neve.
Irei à Letónia em Novembro…..será que vou pedalar sob gelo? Aiiiiiiiii
Para a próxima, se souberes de alguém que precise de uma bicicleta emprestada, diz-me. É que ao contrário dos últimos 3 anos, em que só tinha 1, agora sou a fiel proprietária de 3 bicicletas e 2 cadeados. Claro que não passo a minha Bobbin a qualquer um, mas a dobrável, emprestarei com prazer!