Ia aqui o Velho Lau muito calmamente ao final da tarde a caminho de um promissor jantar em família, quando passou a toda a velocidade uma coisa pouco vulgar: uma rapariga com um cão dentro de uma daquelas caixas de fruta amarrada à bicla. O bicho não era daqueles a pilhas e tinha um tamanho já respeitável.
Como tinha a máquina comigo, instintivamente acelerei a bicicleta e fui atrás dela. Quando a apanhei, umas dezenas de metros mais à frente, logo a reconheci.
Alguns de vocês lembram-se da Luísa. Não vai há muito tempo, que a entrevistei para o projectinho com o pessoal do Primavera Sound, onde ela falou da facilidade em andar de bicicleta na Querida Imbicta e do seu dia-a-dia a pedal.
O cão, de seu nome Gaspar, tinha ido esticar as pernas com a dona. No regresso, já cansado, pediu, como costume, para ir para a caixa. O Gaspar foi motivo para mais uma conversa à volta das bicicletas e houve uma frase que ficou e que é mais ou menos a seguinte (se não for, a Luísa pode sempre corrigir):
Os cães são como as pessoas, vão-se adaptando às condições da vida.
Basicamente, se para ser transportado tem que ir na bicicleta, vai-se habituar a fazê-lo com naturalidade. Mais esperto que alguns humanos, não há dúvidas.

Boa, esse companheiro de viagem eu não conhecia, não costuma vir na caixa da bicla para a instituição trabalhar :)
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