Um Pé no Porto e outro no Primavera Sound II

Então, como prometido no postal anterior, fica aqui mais alguma coisa sobre o acontecimento do ano, cujos organizadores querem mesmo ter gente a ir para lá a pedal.

  • Vai haver um parque de bicicletas, que é mesmo ao lado da entrada do recinto, como podem ver no mapa aqui em baixo;
  • O parque vai ser vigiado das 16h00 até às 6h00 da manhã. Durante este período, as pessoas entregam a bicicleta e recebem uma senha para levantar a mesma. No entanto, também podem levar o seu próprio cadeado se quiserem;
  • Para quem chegar a pedalar, a Optimus preparou uns presentes que irá distribuir assim que o participante deixar a sua bicicleta no parque.

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Nota irritantezinha: repararam que no vídeo há duas biclas? hã, hã? Apesar de tudo, gosto mais deste.

Resoluções e Um Pé no Porto e outro no Primavera Sound I

Hoje, entre a chegada de mais uma viagem para tirar o pulso à Europa bicicletada e a partida para dar uma perninha nos preparativos do acontecimento ciclistico do verão marroquino lisboeta, aconteceram duas coisas.

Coisa que aconteceu número 1: Reparei com alegria que o motor estatístico aqui da Adega do Ciclista voltou a mexer com vontade. Os fregueses mais atentos já notaram que, aos poucos, as coisas estão a voltar à normalidade e que aqui o Velho Lau está a entrar novamente no ritmo a que os habituou.

A isto não é alheio o facto de ter decidido deixar de ter pruridos derivados de agora ter um interesse comercial nisto das biclas. Pá… se abri um negócio para me dedicar ao activismo a tempo inteiro, não posso deixar cair o blogue no marasmo. Seria estúpido.

Então a fórmula encontrada foi a seguinte:

a. para além das anormalidades do costume, vou publicar também tudo o que me apetecer sobre a loja e, se tiver interesse para o âmbito do 1PNP, até faço algum cross-posting com o blogue lá da Megastore onde, por acaso, só eu é que escrevo;

b. vou fazer obviamente pouca publicidade a coisas que não me interessam publicitar. Já agora, nem imaginam a quantidade de coisas que pedem para divulgar. Houve até quem “exigisse” um postal, já que eu o fazia com a minha loja. Desculpem, mas pá (outra vez), isto não é como o querido leitor quer: é como eu quero;

c. vou dar de volta o que tirei e tornar isto um pouco mais pessoal. É natural que, por isso mesmo, publique coisas que aparentemente tem pouco a ver com bicicletas, cidades ou whatever, mas que para mim fazem sentido estar aqui.

Coisa que aconteceu número 2: recebi um pedido de ajuda do pessoal do Optimus Primavera Sound, que, para quem não sabe, é um dos mais importantes acontecimentos musicais da Europa e começa para a semana na Querida Imbicta.

A organização do festival está apostada em ter GRANDES condições para os ciclistas, tendo um parque próprio para as nossas meninas, com vigilância permanente. Vai existir, por exemplo, um esquema facultativo, que permitirá a entrega da bicicleta no parque e o posterior levantamento contra senha.

O pedido de ajuda que recebi, vai no sentido de apoiar quem quiser deslocar-se para o recinto de bicla, isto em articulação com o meu trabalho na Cidade Ciclável, entre outras coisas. Os contornos da colaboração ainda não estão definidos, mas entretanto vou publicando umas postas sobre o assunto, a começar já na que se vai seguir a esta.

Então prontos, foi isto que aconteceu.

Infra-estruturas do Norte

O Porto de Leixões apresenta 10 milhões de lucros. O Norte tem a ganhar se se organizar. Este dinheiro deveria ser investido na região, por exemplo na reabilitação ferroviária ou na redução de dívida do Metro e não na holding dos Portos, para ir pagar deficits dos portos de Lisboa ou outros. A regionalização e a coordenação centrada destas infra-estruturas, porto – aeroporto – metro – ferrovia, seria o grande motor da região. Entendo não fazer sentido holdings sectoriais, modelo obsoleto que urge abandonar nesta nova ordem económica e social que se está a construir. Nós no Norte podemos e devemos construir este modelo.

José Ferraz Alves, no TAF.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXXIX

O Porto tem restaurante móvel onde se cozinha a sol

Sol em Sol é um restaurante móvel, estacionado no Parque da Cidade no Porto, que só funciona em pleno nos dias em que os raios solares podem aquecer os fogões em que toda a comida é confeccionada.

Os donos chamam-lhe “gastronomia solar” e estão a dar os primeiros passos num conceito que querem levar a todo o país, o de cozinhar conforme as nuvens deixam ou não, em locais emblemáticos e sem gastar electricidade.

Porto24

Crónicas do Primeiro Mundo CXXXVIII

Why Generation Y is Causing the Great Migration of the 21st Century

Just after the close of World War II, the last Great Migration in the United States — the move from the city to the new suburbs — began to emerge, fueled by new roads, low congestion, and modest energy costs.

After 60 years, many commentators have announced that the American Dream is poised to make its next great shift — this time from the suburbs to the urban core of our cities.

Here.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXXVI

STCP consegue equilíbrio operacional pela primeira vez em 40 anos

Desda a década de 1970 que a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) ainda não tinha atingido o equilíbrio operacional. De acordo com uma nota enviada à imprensa, a “a taxa de cobertura dos gastos operacionais pelos proveitos operacionais, excluindo os gastos com as amortizações e incluindo a cobertura do serviço social prestado, atingiu, em abril de 2012, os 100% pela primeira vez, com um EBITDAR positivo de 1,9 milhões de euros”.

Ler tudo no JPN.

Testemunhos a Pedal LIII

Um destes dias preparava-me para pagar o café matinal numa esplanada na Carlos Alberto, quando a pessoa que estava a atender me atirou o seguinte:

A sua bicicleta é muito bonita.

Quer dizer, não foi bem isto, mas foi um elogio na mesma. Depois de dizer que ando com ela por todo o lado, lá me confidenciou que também é um convertido ao pedal. Claro que depois de ouvir isto, fui logo buscar o caderninho mágico e comecei o testemunho do Rui Correia, dono da Docelândia.

Comecei a usar a bicicleta há coisa de uma ano e meio, por uma questão de saúde e mobilidade.

Até essa altura, andava de transportes públicos, mas não gostava do barulho e da confusão. Ter que cumprir os horários estipulados também me causava stress, porque andava sempre preocupado para não perder o autocarro.

Quando estou na bicicleta, estou no melhor momento do dia e sinto-me bem tanto física, como psicologicamente. É um momento que é só para mim, quase como se fosse uma terapia. Quando chego a casa gosto de tomar um banho. Depois sinto-me revigorado.

Trabalho aqui e moro na Rua D. Afonso Henriques, na Areosa. Parece longe, mas até gostava de morar o dobro mais longe, para prolongar o prazer de ir para casa a pedalar. Só ao fim-de-semana é que procuro alternativas. É que tenho medo de ir a pedalar embora de madrugada com todos os condutores com os copos que andam por aí e não me sinto nada seguro.

A minha bicicleta custou-me 250 euros, já está paga com o que poupei neste tempo, mas mesmo que não estivesse, não havia preço para o prazer que me dá.

Os carros de compras e a cidade

Clicar para ler

E prontos. Finalmente cumpri o prometido ao pessoal do Porto24 e enviei o primeiro artigo de opinião, que aparece no rescaldo de uma conversa que fui ter ao Porto Canal na semana passada.

É basicamente a reacção a umas coisas que por lá ouvi, relacionadas, claro está, com a automania dos portugueses e que representam ideias de meados do século passado, mais minuto, menos minuto.

Parece que há pessoal que não está a gostar, mas vão ter que viver com isto daqui para a frente.

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PS – As declarações foram as seguintes:

Aos 41’40” -”O Porto é uma cidade muito acidentada o que provoca uma diferença relativamente à mobilidade das pessoas. Se nós hoje olharmos e pensarmos, uma pessoa que tiver que ir a Santa Catarina e tiver que ir para Cedofeita a pé, torna-se complicado. É muito melhor haver essa mobilidade em termos de carros”.

Aos 42:45” – “A Rua de Cedofeita era das mais movimentadas da Cidade do Porto, que passava lá uma série de carros todos os dias e hoje vemos uma parte pedonal em que os comerciantes se queixam constantemente”

Aos 42:58” – “E vemos agora uma intervenção que a CMP deseja fazer e que está a preparar para isso na Rua das Flores para tornar a rua pedonal, o que nós consideramos que não é o melhor caminho e que vai fazer com que muitas pessoas deixem de frequentar estas zonas”.

Naco Retimbrado

Foi um sábado de manhã normal no Mercado do Bolhão. Frutas e legumes, peixes e carnes, há quem aproveite para colocar a conversa em dia, há quem mande para o ar os piropos do costume; o normal bater cardíaco no coração da cidade do Porto. Mas de repente tudo muda. Chegam bombos e tambores, afinam-se os sorrisos, os Retimbrar aquecem os motores e quando NACO chega com um “Trago de luz” já o Mercado do Bolhão parou em peso para uma festa longa e rija que fez com que as peixeiras dessem mesmo um pézinho de dança e os clássicos moradores da casa soltassem pregões diferentes em voz baixa mas com convicção: “Ao menos isto para vir alegrar o bolhão” diziam uns, “Por nós podiam voltar todos os sábados” diziam outros.

Na Videoteca do Bodyspace, mais uma vez.

Matana Roberts

Pouco depois de oferecer um memorável concerto para uma sala a abarrotar no Gallery Hostel Porto, a norte-americana Matana Roberts, um dos nomes maiores do jazz actual, aceitou com prontidão subir a um terraço nas costas do edifício da Miguel Bombarda e, com o seu saxofone, pintar a banda-sonora para os últimos raios de luz de domingo à tarde e espalhar som por um quarteirão inteiro. Pouco a pouco, inesperadamente, alguns curiosos foram pondo a cabeça, corpo e ouvidos fora das suas janelas e varandas para testemunhar, com uma vista superior, aquilo que não costuma acontecer todos os domingos (ou em qualquer outro dia, diga-se).

Bem bom, na Videoteca do Bodyspace.

Com uma pequena ajuda da freguesia…

… o pessoal vai lá.

Pois é. Já repararam com certeza que cada vez mais a Adega do Ciclista é feita pelos seus fregueses, que vão dando uma perninha ao Velho Lau. Uma boa parte dos postais que tenho publicado chegam pelo correio, ou então são respostas a desafios e perguntas que me vão colocando.

Um destes dias, talvez aborrecido com a falta crónica de momentos pernoléu da semana, o Ricardo, que assina IIIartins, enviou não um, mas oito pares de belas pernas montadas em reluzentes alazões de aço.

É assim que começo a série Ricardo IIIartins, que irá alimentar a rúbrica mais querida do 1PNP durante as próximas oito semanas, com publicação sempre ao Domingo.