Crónicas do Primeiro Mundo CXXVII

Quando abrimos a loja, lançamos o desafio aos nossos senhorios, o pessoal da CMM, de ordenar o caos que era o estacionamento de bicicletas no Mercado Municipal de Matosinhos.

Basicamente, desde pessoal “em transição” a ir de bicicleta comprar coisas boas ao Mercado, a utilizadores do Metro ou comerciantes da zona, aquilo andava bastante desorganizado e pouco seguro, pois muita gente amarrava as máquinas a coisas tão sólidas como as estacas de madeira que suportam as árvores recentemente lá plantadas.

A ideia para resolver isto consistiu, basicamente, em transformar um dos lugares destinados aos carros, num bicicletário. Menos um carro, mais bicicletas, gostamos disto.

O desafio foi logo aceite e, com uma humildade rara em quem manda, pedida a opinião sobre a melhor forma de o fazer. O fácil seria meter um daqueles wheel benders que devem existir por lá aos pontapés.

Tendo como ponto de partida a nossa experiência pessoal e alguma documentação cedida pelo Miguel Barroso, optamos por recomendar o modelo de Sheffield, tal como se pode ver no desenho seguinte.

Depois de duas ou três conversas com o pessoal da Manutenção, as coisas ficaram acertadas. Ontem, foi sem surpresa que, quando chegamos à loja, vimos o lugar já delimitado e, horas mais tarde, estava a beleza da fotografia instalada.

Primeiro mundo, portantos. Esperamos ter contribuido para se criar um bom caso de estudo, elevando a fasquia para outras coisas que se venham a fazer.

Mais mimos

George Lewis Jr., ele que assina como Twin Shadow na sua existência musical, disse prontamente que sim à ideia de subir ao terraço de um prédio lá para os lados da Boavista e, com uma guitarra na mão e uma vista privilegiada (inspiradora, até), oferecer à Videoteca Bodyspace uma das canções do seu disco de estreia.

Ver e ler tudo na Videoteca.

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Coisas boas podem acontecer…

… quando há uma crise.

Uma delas é o pessoal amanhar-se a fazer o que gosta, como é o caso do Ricardo, rapazinho que conheci há uns tempos lá na loja e com quem tive o prazer de conversar sobre o seu novo projecto a pedal: o HandBikeHand, primeiro serviço de estafetas em bicicleta da Querida Imbicta.

É isto. Eu e o meu telemóvel e a Internet, sem estrutura física. Uma coisa muito leve.

Vou começar lá para o final do mês, assim que tenha a empresa OK. No início limito-me ao Porto e depois vou aumentando conforme a procura.

O meu objectivo é ter clientes regulares, com avenças. É necessário que as empresas vejam isto como um serviço tão fiável como o de estafetas de mota, mas mais ecológico.

 Amigo Ricardo, quando quiseres vir para Matosinhos, tens aqui um cliente.

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PS: o Ricardo deu uma entrevista neste mesmo dia ao Porto24, em que explica como vai funcionar a coisa. Pode ser lida aqui.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXV

Hoje ao abrir a Adega tinha uma embalagem entalada na caixa de correio. Abri o embrulho e saltou lá de dentro uma cassete e um bilhete que dizia o seguinte:

Há muitos e muitos meses atrás prometi um testemunho e nunca o enviei.

A primeira razão foi a brutal preguiça que me persegue diariamente. A segunda razão foi ter passado a vir para o trabalho de carro, decisão que não dependeu de mim e que tão cedo não vou conseguir contornar.

No entanto, como forma de compensação, envio um mini video feito com o meu telemóvel e de qualidade fracota, que fiz esta semana em Amesterdão. Estive lá uns dias em trabalho e presenciei todos os dias estas horas de ponta.

Repara como o condutor do Mercedes que aparece no fim do video respeita os ciclistas.

Testemunhos a Pedal LII

A Patrícia é a quinquagésima segunda personagem a vir ao balcão da Adega do Ciclista contar o que a motiva. Fica um testemunho fresquinho de quem chegou agora à vida a pedal.

Na passagem de ano arranjei um amante de residência alocada. Demorei duas semanas até ter vontade de lhe dar uma alcunha À coisa de uma semana ele lá finalmente conseguiu convencer-me a dar um passeio de bicicleta. Não aguentei o amor à primeira vista pela bicicleta emprestada e nessa mesma noite arranjei um nome para a minha nova companheira: Matilda.

Ao contrário da maior parte dos ciclitas urbanos, a minha história com as bicicletas é bastante recente. Quando era miúda, não tinha uma bicicleta e não ia andar no monte com o pai e os primos. Aprendi a andar na antiga bicla da minha irmã (nas suas horas livres) quando era muito nova. O facto de não ter rodas e de ter dado tantos trambolhões talvez me tenha afastado deste incrível mundo, há muito adiado. No ginásio sempre detestei essa obrigação. As negras do meu primo, depois dos seus treinos de trial, convenciam-me a recarregar o andante da STCP.

E o que me levou a experimentar, outra vez, este belo espécime? Discussões infindáveis de um ciclista urbano convencidíssimo das vantagens do uso diário da Matilda, a independência de circulação, o desprendimento e a libertação a horários rígidos dos transportes públicos e a liberdade que só vocês, ciclistas, sabem de que falo. Escusado será falar do ambiente e da possibilidade de repetir a sobremesa depois do jantar.

A Matilda, por enquanto, apenas me acompanha em pequenos circuitos devido à minha péssima condição física. Já a levei a passear do Marquês à Universidade Católica, mas como tudo o que desce sobe, ela ainda se queixa das subidas um pouco inclinadas. Com ela, tomei consciência da má condição das estradas para os ciclistas e da falta de lugares para as colocar a descansar. Os carros em segunda fila e as ruas anoréticas do Porto ainda dificultam a circulação.

Com a Matilda sei que vou, não só experienciar a cidade de uma outra forma, como também redescobri-la ao desvendar novos percursos. A minha carteira agradece e a gordura desaparece. Consigo esvaziar a mente e organizar o meu dia de uma forma que as viagens frenéticas e over-crowded de autocarro não permitem. Agora, só espero que tenha força de vontade para insistir nos meus circuitos de modo a não dar descanso à Matilda. Nem às minhas pernocas.

O Velocipedista

Já se tinha avisado. Velho Lau associou-se à empreitada do amigo André Correia, ciclo-historiador nas horas vagas,  e os dois lançaram um novo coiso: o Velocipedista.

E o Velocipedista não é mais que um sítio para onde vamos atirando coisas fixes sobre as bicicletas do tempo em que as bicicletas não eram do tempo de hoje (estava com saudades disto), nomeadamente tiradas de incursões à Biblioteca Pública Municipal do Porto e algum trabalho de campo como o que foi feito hoje e cujos resultados podem ver neste postal.

Assim, tema tema, são as bicicletas. Fetiche fetiche, é o Real Velo Club do Porto e o Maria Amélia.

Com este trabalho, além das pérolas que já temos, esperamos também lançar a base para um ou mais eventos, cujos pormenores diremos a devido tempo.