A comunidade científica internacional tem estado em suspense por estes dias.
Nas semanas que passaram, anunciou-se a confirmação da descoberta do Bosão de Higgs lá para meados do ano que está para chegar e a existência de um planeta potencialmente habitável, apenas a 600 anos-luz da querida imbicta.
Menos mediática, mas de igual importância, foi a apresentação dos resultados de um estudo da Universidade de Camberra Oriental, confirmando que as vibrações do motor de arranque do carro, que chegam pelo rodar da chave, fazem o cérebro humano desligar a maior parte das zonas onde se encontram as características que diferenciam o homem dos demais mamíferos, em especial dos de grande porte.
E isto explica o efeito “manada em fúria na pradaria” dos automobilistas em ruas em que, para o bem da sobrevivência da espécie, se deveriam comportar como serenos koalas em período pós-procriativo.
Compete às autoridades, tanto policiais, como da gestão do espaço público, fazer, respectivamente, o papel do cow-boy que vai controlar a manada e o do zelador da paliçada que a vai manter sossegadinha enquanto não está ninguém a olhar.
É por isso que não faz sentido o Ministro Mota Soares ter um carro novo de 86.000 euros e a PSP de Aldoar estar limitada a um Fiat do tempo da outra senhora com um buraco no banco do condutor.
E também é por isso que a CMP, enquanto zeladora da cerca, não pode deixar uma passadeira por pintar todo o fim-de-semana após intervenção na via pública.

A pintura da passadeira ficou para depois do fim-de-semana.
Este Sábado, debaixo de chuva e com uma criança ao colo, acenando a pedir passagem, estive quase cinco minutos a tentar atravessar a Rua 5 de Outubro, vindo da estação do Metro mesmo ali ao lado.
Ninguém, mas mesmo ninguém, se dignou a abrandar, já que a passadeira estava por pintar. Acabei por ir dar “uma grande volta” até à passadeira mais próxima, que ainda me obrigou a esperar em dois semáforos para poder atravessar.
Nunca percebi aquela rua e a forma como é permitido conduzir ali. A saída de Sidónio Pais, com uma curva aberta, é cenário de acidentes constantes e o semáforo/passadeira logo à frente um perigo fenomenal, tanto para os peões, como para os carros que ficam lá parados.
Vindos da Via Rápida, os carros chegam facilmente à Rotunda da Boavista perto dos 100 km/h, sem qualquer obstáculo, ignorando olimpicamente as passadeiras (mesmo quando estão pintadas) e os outros utilizadores da rua.
Curiosamente, a 5 de Outubro é uma rua cheia de potencial, tendo o Metro lá perto, a Casa da Música e uma área residencial mais do que consolidada, que vai dando negócio aos restaurantes e os pequenos comércios que ainda subsistem.
Soluções para isto?
Assim rapidamente, colocar semáforos activados por radar e marcar melhor as passadeiras, enquanto não se fazem coisas verdadeiramente estruturantes como alargar passeios, criar bike lanes e introduzir limitadores de velocidade (aquelas mini-lombas sonoras têm um efeito psicológico espectacular).
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PS: Entretanto a comunidade foi dando feed-back. É mais grave do que inicialmente pensava.
Sérgio: aquela passadeira está por pintar à montes de tempo
a semana passada quase fui atropelado lá
à noite com a sandra
MNT: Aconteceu-me a mesma coisa, só não estava a chover, e não foi a unica que não foi pintada, a da rua que vai dar á estação de metro também não estava lá!