Road rage

Estava a meio da corrida matinal e já só vi a ambulância a ir embora.

Alguém deixou o carro estacionado em cima da passadeira e um taxista não viu a senhora que estava a atravessar a rua.

Foi neste cruzamento da Jornal de Notícias, rua em que os carros andam normalmente muito acima da velocidade permitida, que já por si é muito elevada. Ali, a vida anda sempre por um fio.

A agressividade na estrada é isto. Um sentimento de impunidade que faz com que as pessoas pensem que chegar à hora que querem ao destino e andarem a pé o mínimo possível é um direito seu, muito acima dos direitos fundamentais dos outros.

Crónicas do Primeiro Mundo CXIX

Amigos destas guerras enviaram-me este recorte. Um presente de Natal atrasado, portantos.

Caro Miguel,

Estas férias de Natal serviram para fazermos umas limpezas e no sótão do nosso mais velho estavam imensos jornais antigos (perfeito combustível) de onde retiramos este artigo de um tal Sr. Globo, que desconhecemos a proveniência ou a idoneidade.

No entanto, há onze anos atrás já havia alguém com alguma pontaria sibilina, em cujo artigo parece antever as guerras que hoje travamos…

Para o que (e se) interessar, aqui fica o dito com o devido mau aspecto da qualidade de imagem.

P.S. viva a mudança!

Motivar as Massas CXVI

This teaser is featuring Hugo Rocha, a fixed gear rider from Porto, Portugal. Covered with cobblestones and hills, Porto is definitly not the place to ride a bike without brakes, still Hugo is commuting with his bike every day.

The final project “The use of Space” is going to be architecture Master Thesis – about how to use urban space, with bikes, skateboards or just simple with your body.

Desabafo electrónico

Não percebi se isto que recebi no meu email era um poema, se um desabafo, se os dois, mas percebi a mensagem.

E diz-me ela, vais andar de bicicleta com este frio? E eu, eu andava de bicicleta na Dinamarca, pá.

Bicicleta órbita, selim Tabor? Diz-me tu que percebes do assunto. Muita pinta sim senhor. Essa e a minha e mais três e era um engarrafamento de biclas no metro.
Foi o Sr. Progresso e Gramática, amigo do coração.

Mudar de vida

… ou uma espécie de “disclaimer”.

Alguns fregueses notaram que a Adega do Ciclista tem andado assim para o calmo nos últimos dias. A verdade é que isto tem uma justificação simples. Decidi mudar de vida.

Aliás, não decidi mudar de vida, mas dedicar-me muito mais ao que realmente gosto: as bicicletas e às pessoas que gostam de cidades que estão feitas para quem se transporta de bicicleta (ou a pé, ou de transportes públicos).

Foi por isso que apareceu aquela coisa nova que podem ver ali acima, no canto superior direito, para onde (desejavelmente) aponta a seta verde.

É isso. O Sérgio, eu e o Hugo, outro amigo desta coisa das bicicletas, que também tem um blogue, mas não gosta muito que se saiba (não tem nada a ver com bicicletas e bate-nos aos pontos em audiências), decidimos criar uma empresa dedicada aos ciclistas urbanos: a Velo Culture.

Ainda não é a Adega do Ciclista em carne e osso, apesar de isto também poder vir a acontecer, mas também se quer um ponto de encontro do pessoal das biclas. A nossa ideia é ganhar a vida a fazer aquilo com que toda a gente sonha: ter um emprego quem nem parece trabalho de tanto que se gosta dele e uma base que nos dê flexibilidade para os nossos projectos mais “activistas”.

O 1PNP não é alheio a isto tudo. Ao longo deste ano e picos aconteceu muita coisa, tendo o blogue conseguido uma visibilidade que não podia sequer imaginar no início do Outono de 2010. Conheci pessoas fantásticas (muito fantásticas, diga-se) e tenho-me divertido muito, é certo. Penso também que já ajudei um pouco a tornar esta cidade mais amiga do ciclista e a tirar um ou dois carros da rua.

Mas não há bela sem senão e, por isto tudo, os níveis de exigência acabaram por aumentar de postal para postal, obrigando a muitas horas pela noite dentro a escrever e a rever textos.

O que é certo, é que até ao momento, ninguém quis patrocionar o 1PNP, ajudando a pagar um pouco este trabalho, o que me levou a pensar em alternativas. A alternativa encontrada foi patrocinar-me a mim mesmo.

Está o “disclaimer” feito, deixando a promessa de manter aqui o vosso tasco preferido como até agora, sem interferências. Está também justificada a Volta a Matosinhos que se tem dado aqui no blogue. É que o nosso poiso  vai ser lá, numa das lojas exteriores do Mercado Municipal.

Entretanto, se quiserem conhecer mais sobre a coisa, podem ir seguindo as aventuras do pessoal no nosso blogue, que é escrito por um alter-ego do Velho Lau, travestido de CMO do melhor sítio para se trabalhar do Mundo.

Crónicas do Primeiro Mundo CXVIII

Acesso gratuito à internet e televisão digital na linha 207

Os clientes da linha 207 (Campanhã/Mercado da Foz) da STCP vão aceder gratuitamente à Internet e televisão digital a partir de quinta-feira, anunciou esta quarta-feira a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.

Em comunicado, a STCP afirma que este serviço será oferecido experimentalmente durante 6 meses, sendo que “a arquitectura de comunicações desenvolvida está preparada para ser alargada a metros e táxis”, permitindo, assim, que os passageiros usem o serviço de forma contínua durante uma viagem que inclua inter-modalidade.

Porto24.

O Valor do Mercado

O autocarro não passava, tinha sido assim toda a manhã, mas agora ao fim da tarde estava muito pior. Perguntámos à condutora do autocarro se já tinha chamado o reboque ou a polícia, ao que esta respondeu que sim: “o reboque chamei quando arranquei o primeiro retrovisor lá atrás e a polícia já cá esteve mas disse que não podia fazer nada…”

Mas o valor do mercado desceu vertiginosamente quando nos deparamos com esta situação caótica de trânsito para a qual não existe justificação. Tudo isto era previsível e nenhuma organização tem o direito de se abster de assumir as responsabilidades quando projecta para a vizinhança de uma maternidade um evento, sem assegurar que existem condições – ou estacionamento suficiente ou fiscalização – para que este se realize. A rua é estreita e de sentido único, como também é o principal acesso à maternidade, sendo ainda utilizado para se chegar ao Santo António, mas o palacete tem muito espaço para os expositores estacionarem, enquanto os visitantes poderiam ter usado o parque em frente que se encontrava vazio. Vimos uns vendedores a carregar os produtos desde as garagens próximas ou dos estacionamentos autorizados na envolvente, mas uma grande parte deles estacionou no passeio e com “modos de quem está a trabalhar”, ou seja, com todo o direito e os outros que se lixem. Assistimos ainda a ambulâncias em emergência a fazerem marcha-atrás para darem a volta, o que é intolerável.

Ler todo o texto dos Secretos no TAF.

O peão não pode esperar. Nunca.

A comunidade científica internacional tem estado em suspense por estes dias.

Nas semanas que passaram, anunciou-se a confirmação da descoberta do Bosão de Higgs lá para meados do ano que está para chegar e a existência de um planeta potencialmente habitável, apenas a 600 anos-luz da querida imbicta.

Menos mediática, mas de igual importância, foi a apresentação dos resultados de um estudo da Universidade de Camberra Oriental, confirmando que as vibrações do motor de arranque do carro, que chegam pelo rodar da chave, fazem  o cérebro humano desligar a maior parte das zonas onde se encontram as características que  diferenciam o homem dos demais mamíferos, em especial dos de grande porte.

E isto explica o efeito “manada em fúria na pradaria” dos automobilistas em ruas em que, para o bem da sobrevivência da espécie, se deveriam comportar como serenos koalas em período pós-procriativo.

Compete às autoridades, tanto policiais, como da gestão do espaço público, fazer, respectivamente, o papel do cow-boy que vai controlar a manada e o do zelador da paliçada que a vai manter sossegadinha enquanto não está ninguém a olhar.

É por isso que não faz sentido o Ministro Mota Soares ter um carro novo de 86.000 euros e a PSP de Aldoar estar limitada a um Fiat do tempo da outra senhora com um buraco no banco do condutor.

E também é por isso que a CMP, enquanto zeladora da cerca, não pode  deixar uma passadeira por pintar todo o fim-de-semana após intervenção na via pública.

A pintura da passadeira ficou para depois do fim-de-semana.

Este Sábado, debaixo de chuva e com uma criança ao colo, acenando a pedir passagem, estive quase cinco minutos a tentar atravessar a Rua 5 de Outubro, vindo da estação do Metro mesmo ali ao lado.

Ninguém, mas mesmo ninguém, se dignou a abrandar, já que a passadeira estava por pintar. Acabei por ir dar “uma grande volta” até à passadeira mais próxima, que ainda me obrigou a esperar em dois semáforos para poder atravessar.

Nunca percebi aquela rua e a forma como é permitido conduzir ali. A saída de Sidónio Pais, com uma curva aberta, é cenário de acidentes constantes e o semáforo/passadeira logo à frente um perigo fenomenal, tanto para os peões, como para os carros que ficam lá parados.

Vindos da Via Rápida, os carros chegam facilmente à Rotunda da Boavista perto dos 100 km/h, sem qualquer obstáculo, ignorando olimpicamente as passadeiras (mesmo quando estão pintadas) e os outros utilizadores da rua.

Curiosamente, a 5 de Outubro é uma rua cheia de potencial, tendo o Metro lá perto, a Casa da Música e uma área residencial mais do que consolidada, que  vai dando negócio aos restaurantes e os pequenos comércios que ainda subsistem.

Soluções para isto?

Assim rapidamente, colocar semáforos activados por radar e marcar melhor as passadeiras, enquanto não se fazem coisas verdadeiramente estruturantes como alargar passeios, criar bike lanes e introduzir limitadores de velocidade (aquelas mini-lombas sonoras têm um efeito psicológico espectacular).

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PS: Entretanto a comunidade foi dando feed-back. É mais grave do que inicialmente pensava.

Sérgio:  aquela passadeira está por pintar à montes de tempo
a semana passada quase fui atropelado lá
à noite com a sandra
MNT: Aconteceu-me a mesma coisa, só não estava a chover, e não foi a unica que não foi pintada, a da rua que vai dar á estação de metro também não estava lá!

Ciclocoisas no meio da rua não funcionam

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Pequeno vídeo na ciclovia em Cristo Rei, filmado hoje ao final da tarde (com o videofone), que ilustra na perfeição o erro das ciclovias e ciclofaixas no meio da estrada.

Aquilo ao minuto 1:22 é de bradar aos céus e acontece sempre.

Os condutores, encasquetaram tanto o “istonãoserveparanada”, que nem nos vêem quando estamos ao lado deles.

Motivar as Massas CXV

Na Gronelândia. Posso jurar que o tipo vai a subir.

E finalmente o Velho Lau saiu do armário e escolheu a bicicleta como meio exclusivo de locomoção de Segunda a Sexta.

Já o era antes, menos quando chovia a pactotes (tinha que ser mesmo mesmo a pacotes), alturas em que ia sentir o povo para o 501 Sá da Bandeira, ou Matosinhos Praia, dependendo do sentido da viagem.

Agora, um casaco com capuz, um gorro de lã e uma muda de calças e peúgas na mochila resolvem o problema. Este mês, especialmente chuvoso, já apanhei diversas molhas, que compensaram altamente com tempo passado a fazer coisas que não têm nada a ver com transportar-me de um lado para o outro.

Para todos os efeitos, de bicicleta demoro sempre muito menos do que recorrendo a qualquer outro meio de transporte, especialmente quando chove, por isso o tempinho que se perde no WC a trocar de calças e peúgas não incomoda nada.

Claro que há soluções que ajudam, como os guarda-lamas, as rain-mates ou até os ponchos maléficos (mas muito eficazes), mas eu jurei não gastar mais do que cinco euros por mês com a bina e por isso, só lá para o Inverno de 2016 é que estarei equipado à maneira.

É por isso que, espreitando uma nuvem negra lá fora, publico o postal com neve da praxe, a lembrar que há outras latitudes em que as coisas podem ser piores, muito piores. Tipo a Gronelândia.

A friend of ours, Theis, is in Greenland at the moment on a film shoot. He took this photo of a citizen inNanortalik on his Christiania cargo bike. It was only a balmy -10 C at the time but getting around the town is easy peasy on human-powered wheels.

Copenhagenize.

Crónicas do Primeiro Mundo CXVI

STCP apresenta GATO

Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) apresenta esta quinta-feira (23h00, no Café Piolho) o novo serviço de transporte, denominado “GATO”.

Trata-se de um serviço de transporte flexível que vai garantir ligações entre o pólo da Asprela e a Baixa e funcionará até ao final de Abril de 2012, nas noites de quintas, sextas e sábados.

É indicado como um projecto experimental que tem características inovadoras na cidade do Porto.
Destina-se, em particular, ao segmento da população estudantil do pólo universitário da Asprela (Hospital de S. João) e funciona através de marcação prévia, por internet ou telefone.

Cada viagem tem o seu percurso próprio, dependente das reservas de entradas e saídas de paragens efectuadas, sendo apenas fixas as paragens de início e fim de serviço (Hospital S. João e Praça Guilherme Gomes Fernandes, no Carmo).

Primeira Mão

Uma boa notícia em formato “baldemóbile” a fazer lembrar a crónica do primeiro mundo anterior e também esta notícia do dia.

Papel no Alforge VII

A começar a semana, recebi a seguinte mensagem do Andrea:

Hey, have a look here (in Italian).

She’s one of my heroes, and a great scientist and outspoken progressive citizen, and she’s going to present her autobiographical book “La mia vita in bicicletta” (My life on a bicycle) this week…

Keep an eye out – if anything in English about her and her book pops up, it should be good material for a 1PNP post!

Já sabíamos que de Itália, quando chegam coisas com bicicletas, o resultado costuma ser bom, por isso foi com expectativa que, no dia seguinte, abri uma nova mensagem:

After sending you that brief link to a potentially obscure newspaper article yesterday, i digged a bit further and out came some good stuff for a serious “momento pernoléu da semana” blog post, if you like it.

Not only Margherita Hack is a fine scientist with a real passion to make physics and astronomy accessible through her many books devoted to public understanding of science, but she is also a very energetic, outspoken and witty woman who had a very interesting life.

As an outspoken critic of religious beliefs aspiring to influence public life, atheist, animal lover, vegetarian, champion of gay rights, co-founder of the astronomy magazine “L’astronomia” (which was a constant presence in my parents’ home in my childhood and through which i started loving physics and the night sky), she is definitely one of my top heroes.

And she has always had a very special relationship with cycling.

So much so that last year she appeared in a music video by the Italian band Têtes de bois, for their song Alfonsina e la bici, playing the character of Alfonsina.

Who was this Alfonsina? Alfonsina Strada (nomen omen: strada means “road” in Italian), born in 1891, was a woman so stubbornly passionate about cycling that ended up taking part, first woman ever, in the 1924 Giro d’Italia, which she heroically run through the end through incredible adventures (on a day of extremely adverse weather she broke her handlebars and arrived at the finish line with half handlebar replaced with a broomstick). Towards the end of the music video, we can hear Margherita’s voice talking about memorable long bike trips she loved.

So here we have two extremely energetic Italian women cyclists, and -i think Margherita Hack deserves the be a poster girl for a momento pernoléu da semana: I’m generally not too impressed by images of young-chicks-on-a-bike (which i suppose would like to suggest a positive association between cycling and being fit and pretty), as it’s relatively easy, after all, to be fit and pretty when young, but Margherita is definitely one of the most beautiful 90-years old women I know of, and although not all of this could be linked to her cycling throughout her life, i’m sure that cycling had a role there, and what a better proof could we have that leading an healthy and active life is a great way to keep oneself in top shape until old age?

One last pearl linked to this – Margherita Hack’s latest book (La mia vita in bicicletta – My life on a bicycle), an autobiography centered around her love for cycling, is published by Ediciclo (ediciclo.it), an Italian publisher focusing on bicycles, cycling, and outdoors life.

Enough for Italian cycling pride?

Crónicas do Primeiro Mundo CXV

Shortly after the new Skywriter Plane Artwork, another new Banksy piece has been spotted, this time in Poplar, London. Using an advertising spot on a building in the historic residential district, Banksy put up the slogan “Sorry! The lifestyle you ordered is currently out of stock”, the usual ironic statement that one would expect from him.

Highsnobiety

Quase lá

A primeira parte da ciclovia da Boavista está quase pronta e não parece nada mal. Bem vistas as coisas, apesar de não ser adepto deste tipo de solução, até gosto bastante desta em particular, à excepção de um pormenor importante. Um pormenor que resulta do facto de ter sido construída para aproveitar um espaço vazio e não como uma solução pensada de raíz na primeira renovação do troço poente da Avenida há meia dúzia de anos e atrás. Falo, obviamente, dos acessos, já que, estando no meio da Avenida, para se lá chegar temos que atravessar duas faixas de auto-estrada.

Para piorar a coisa, como a ciclovia é delimitada por um relvado e umas floreiras, os acessos são feitos pelos cruzamentos, acrescendo assim o perigo, particularmente em António Aroso, uma zona complicada por natureza.

Fogo Lau, e agora como entramos na ciclovia? Só se formos até lá abaixo!*

Disse o fotógrafo de bicicletas, quando íamos a mais uma grande volta a Matosinhos.

Agora? Agora atravessamos e galgamos a floreira. Fácil.

E foi isso que começamos a fazer, quando num momento perfect storm, com carros a virem a grande velocidade e o fotógrafo de bicicletas colado à minha roda de trás, deixei de sentir a manete do único travão que funcionava em condições. Com um pé no chão e dentes cerrados, lá consegui dominar a fera e evitar um atropelamento duplo, para depois constatar que o cabo se tinha partido.

Moral da história? Nenhuma. É só mais uma história.

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* Acho que já disse que acho que o Sérgio não diz ‘fogo’.

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Post scriptum: depois de pagar 2,5€ pelo cabo e alguma mão-de-obra numa loja ali da zona, o Sérgio atirou-me:

Fogo Lau, estes gajos são careiros!

Estamos mesmo mal habituados. 

Témoignage parisien

Há largas décadas atrás, um comentário da Maria Ana num post, esteve na origem de um dos primeiros percursos-on-demand da Adega do Ciclista.

Não é que tenha servido de grande coisa, porque na prática a sua rotina ainda não foi alterada, mas pelo menos a forma como olha para a nossa maneira de utilizar a cidade já mudou. Com tempo lá chegaremos.

E é assim que chega a sua história a pedal, vivida a 1212 quilómetos daqui, mais minuto, menos minuto.

Não endoideci e não passei a vir trabalhar de bicicleta. Continuo a achar que não é compativel com os meus horarios e as minhas responsabilidades profissionais e pessoais, mas tenho um testemunho a pedal interessante e espero que motivador.

No último fim-de-semana estivemos em Paris, e nas vésperas da partida incentivaram-nos a andar de bicicleta por lá. Pareceu-me logo uma óptima ideia. Como não estávamos sozinhos e o tempo não esteve fantastico, não foi possível fazê-lo todos os dias, mas no ultimo dia o sol brilhou e resolvemos mesmo aproveitar a oportunidade. Em Paris existe um esquema de aluguer de bicicletas que tem imensos locais para levantar e devolver bicicletas de forma rápida.

Nós não lemos isto antes de ir, por isso podemos dizer que não é intuitiva a requisição das bicicletas e que no primeiro local onde tentámos recolher todas estavam danificadas (sem pedal, ou com a corrente solta). Começámos por isso mal, desmotivados e por  isso  seguimos em direcção ao Metro. Por sorte pelo caminho encontrámos outro local para levantar bicicletas e conseguimos começar a dar ao pedal.

Fizemos um percurso que nos levava da Rua Pergolaise à Torre Eiffel sem qualquer problema. A principal dificuldade foi mesmo adaptarmo-nos ao trânsito e ao movimento das rotundas de Paris. Penso que foi mais dificil porque nunca tinha andado de bicicleta na estrada, mas ao fim de dez minutos estavámos completamente “integrados”.

Passámos por baixo da Torre onde supostamente terminaria o nosso percurso. Pensámos que seria fácil numa zona tão turística encontrar um local para devolver as bicicletas, mas não foi. Ainda perguntámos aos policias que por ali andavam, mas ninguém nos soube ajudar. Resolvemos então prolongar o nosso percursso e visitar mais um bocadinho de Paris.

Infelizmente, a margem do Sena estava em parte cortada ao trânsito e tivemos que circular pelo meio dos bairros, mas facilmente chegámos à Place de la Concorde. Resolvi finalmente ser eu a olhar para o Mapa… e adivinhem, tinha lá a localização de todos os pontos de entrega das Velib (nem todos os mapas os têm) e havia uns ali mesmo ao lado. Com muita pena nossa deixámos a Bicicleta e seguimos de Metro, para o programa seguinte.

Lição aprendida: da proxima vez que for fazer turismo a qualquer cidade europeia vou procurar saber se dispõe de um sistema como o de Paris. Fiquei fã!

Se forem à capital francesa, esqueçam o Metro e vão de Bicicleta. Os edifícios de Paris são fantasticos e bem mais interessantes que as paredes dos túneis do Metro!

Obrigada por teres sido também um incentivo para esta aventura!

Um outro Domingo

Depois do Domingo diferente de Outubro, a comunidade lá se uniu outra vez para a  Feira de Garagem da Cooperativa Sache de Dezembro.

Com previsões diversas durante a semana, o AccuWeather lá estabilizou a coisa em “sol com algumas nuvens” nos dois dias que antecederam o evento, pelo que, aparentemente, não havia necessidade de alterar a data. Foi por isso que ontem, quando acordei por volta das sete da matina, fiquei com cara de tacho a olhar para a morrinha persistente e para a cooperativa toda encharcada, coisa estranha já que, três horas antes, tinha chegado a casa debaixo de um céu razoavelmente estrelado.

Velho Lau, agora o que fazemos?

Perguntou o vizinho Braga uma hora mais tarde, enquando dormitávamos num sofá que tínhamos arrastado para baixo de uma das coberturas.

Agora, olha.

Foi o que respondi com um encolher de ombros. E esperamos.

Mesmo com chuva, por volta das dez horas começaram a chegar as primeiras pessoas e foram-se ocupando os espaços cobertos. O tempo ia dando sinais de melhoria e rapidamente se improvisaram coberturas com guarda-sóis, toldos e tendas, o que acabou por dar um colorido especial à feira. E claro, quando a chuva vinha, a espaços, as pessoas encolhiam-se e iam-se conhecendo um pouco melhor.

Cores numa manhã cinzenta.

Nesta edição da feira apareceram diversas novidades, como uma banca de legumes, bolos caseiros, livros, uma oficina de fantoches e muito artesanato.

O frio que se foi sentido durante a manhã foi combatido com copinhos de chá quente, cortesia da família Braga e com a ginginha maravilha, em versão bomba alcoólica, servida numa das bancas.

As bicicletas foram uma constante todo o dia, com diversos visitantes a chegarem de bicla, como o pessoal do grupo Oporto Cycle Chic que passou por lá ao final da tarde, os nossos amigos do projecto dos mapas e visitas inesperadas, acabadas de chegar do outro lado do Mundo.

A cicloficina.

O pessoal da cicloficina marcou novamente presença e a partir de agora fixou residência em Aldoar nos primeiros Domingos de cada mês. Desta vez, o Sérgio Moura e o Rui Simonetti foram os heróis de serviço.

Apareceram também muitas bicicletas para venda, entre coisas tipo bina mutante, yé-yés em estado original e uma choper da Vilar.

Epá, esta é perfeita para ir dar umas surfadas de manhã!

No final do dia estávamos estourados, mas já com vontade de fazer a próxima feira. Mesmo com frio e chuva, a fórmula resultou e, por isso, ficou decidido que todos os primeiros Domingos de cada mês, das 10h00 às 17h00, cá estaremos com uma nova feira de garagem.

Até lá, para abrir o apetite, podem ver as fotografias de ontem na seguinte galeria:

Papel no Alforge VI

Nasceu hoje. A revista B é coisa dedicada a quem gosta de andar de bicicleta, mesmo que não rape as pernas e o seu kit de eleição seja uma mola da roupa para segurar a bainha das calças.

A B em segurança.

Aqui está ela à porta de casa do Sr. Moura, na caixa das couves da bina da minha senhora, ao lado do novo trécotréco de segurança que chegou no mesmo dia. A minha Tai não é de carbono e foi feita para durar uma vida. Agora tenho quase a certeza que essa será passada ao meu lado.

E pronto, ide comprar a B, que está carregadinha de bom material, fotografias do melhor que há e um papel que nem parece papel de tão bom que é.

Equipa editorial de luxo, com bons amigos de dentro e de fora da rede.

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PS: reparei agora que na página 49 vem uma singela referência à Adega do Ciclista. Que bonito.