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Motivar as Massas CII

2011/10/31

O Leco, aparelhómetro que deu fama à Adega do Ciclista, foi utilizado pela última vez no Verão. E foi utilizado pela última vez, fundamentalmente por dois motivos:

  • Porque, a Nortada foi desmontada para peças, dada a fraca qualidade do material. A coisa não dá para montar na Tai, que entretanto foi promovida a viatura do dia-a-dia. Bem, até dá para montar, mas fica instável com um puto entre mim e as manetes dos travões, instaladas lá ao fundo.
  • Porque entretanto a descendência cresceu e aquilo começou a ficar desconfortável.

Por isso, em Setembro, comecei a pensar investir numa Kona UTE, até que, curto de finanças, comecei a fazer umas experiências com a Órbita e uns alforges da Decathlon que tinha para lá encostados e improvisei uma “sela” para a canalhada. A coisa funcionou bem e umas idas à praia depois, o projecto da UTE ficou posto de lado.

O conforto (do puto) não ficou comprometido e a Órbita, apesar de ter plástico a mais, revelou-se à altura, não se notando dobras ou folgas no porta-couves ou desvios na roda a indiciar empenadelas, que poderiam surgir depois de se carregar um matulão de seis anos de idade pelos paralelos e buracos da Cidade.

O conforto é tanto, mas tanto, que ontem surpreendemos metade do bairro com uma chegada triunfal a casa.

Foi assim. Decidimos aproveitar a hora extra oferecida pelo calendário e dar um passeio antes do almoço até à praia. A coisa é bonita, feita integralmente pelo Parque da Cidade. E é engraçado ver o olhar e os comentários das pessoas, a meio caminho entre o pasmado e o divertido, com aquele pai maluco que leva  a criança da forma mais simples possível, sem cadeirinhas mastronças ou sequer um capacete*. Estivessem noutras latitudes e viam familias inteiras a fazer o mesmo.

A meio do caminho, o Gui começou a ficar com frio, culpa de um excesso de optimismo meu, enfiando os braços por baixo da minha camisola. Passado uns quilómetros, já de regresso a casa, fez o mesmo à cabeça, o que nos tornou a atracção do momento.

O que as pessoas não viram, salvo as que andavam pela rua mesmo à porta de casa, foi a melhor parte. O chavalo vinha a ressonar como se não houvesse amanhã, obrigando a um pedido de ajuda a uma das avós para o tirar da bicla.

E assim ficou oficializado o novo transporte escolar para a época 2011/2012, a utilizar diariamente a partir de Janeiro, entre Aldoar e Leça da Palmeira.

Menos um mito. Cada vez gosto mais de bicicletas.

___________________

* O puto é inflexível quanto ao capacete, mesmo não sendo pessoa de birras, não o consegue suportar, obrigando-me a redobrar cuidados e a ir sempre pelo passeio. Para os percursos maiores e mais perigosos vou ter que arranjar um capacete mais confortável.

___________________

Post scriptum, ou siga as instruções antes de fazer isto lá em casa. As sacolas são fundamentais para manter os pés dos miúdos afastados das rodas. Na primavera tivemos um acidente numa brincadeira, que resultou num pé trilhado.

16 Comments leave one →
  1. 2011/10/31 16.31

    Aproveitar as sacolas para enfiar as pernas do puto é de mestre. Bons passeios.

  2. Ana Brütt permalink
    2011/10/31 16.31

    Espectacular!
    Mas a criança já está a ficar com tamanho de pedalar! Mesmo que andes com uma barra para o rebocar quando estiver cansado.

  3. 2011/10/31 16.31

    Muitas vezes é necessário andar ao ritmo de adulto :-)

    • 2011/10/31 16.31

      Não te preocupes, os fregueses da adega (barrigudos da cerveja) percebem que também já não vais para novo e que é complicado ao puto, cheio de sangue na guelra, ter de andar tão devagar a acompanhar o teu ritmo de adulto.

  4. 2011/11/01 16.31

    Fazes mal em abandonar a ideia da Ute… porque não gastas menos dinheiro, e vais para uma Xtracycle? Muda a vida de uma pessoa! Mas esse desenrascanso é fixolas!

    • 2011/11/02 16.31

      Depois de resolvido este problema, como praticamente não uso o carro para nada, não sinto grande necessidade de um investimento tão grande. Mais tarde, talvez.

  5. 2011/11/02 16.31

    Nunca curti muito meter as pernas dos putos nos sacos. Acho que em caso de desiquilíbrio (tipo cair para o lado, etc) pode complicar uma saída de emergência da parte deles.

    Também tenho uma foto parecida! :D

    http://1.bp.blogspot.com/-LQ795i8YxvA/TeWNVEVJYGI/AAAAAAAABtM/WjchMwO_WTI/s1600/Foto0254.jpg

    • 2011/11/02 16.31

      Chuva e calções. Vivemos mesmo num país diferente :-))

      A alternativa aos sacos é meter os pés em “nada” e a última vez que isso aconteceu, o Gui teve direito a 4 semanas de gesso.

      Não acho isto menos seguro que aquelas cadeirinhas onde os putos vão amarrados… sempre tem mais amplitude de movimentos.

      • 2011/11/02 16.31

        Alterações climáticas….

        Pois, tem que haver uma protecção entre a roda e as pernas (algo que tenho na xtracycle).

        Em relação à cargo-bike, só depois de se ter uma é que realmente se dá o valor aquela capacidade de carga e, sobretudo, de lidar com o inesperado, como dar boleia a alguém, transportar compras feitas sem restrições de capacidade de carga, levar uma bicicleta extra, etc, etc.

        A UTE teve nos meus planos, mas felizmente que se atrasou e mudei de planos pois são dois muitos à parte, o xtracycle e o non-xtracycle.

  6. 2011/11/02 16.31

    Esta bicla custou 180 euros. Algumas dezenas a separam da UTE ou Xtra.

  7. 2011/11/02 16.31

    Centenas, queres tu dizer. :)
    Eu diria que são rapidamente amortizáveis, mas claro, cada um gere o seu orçamento.
    Para mim, a quantidade de viagens de carro que mos tem evitado vale ouro.

  8. 2011/11/02 16.31

    Vejam isto, soluções extra não faltam. E vontade de ter uma dessas também não me falta, o que me faz falta, para além dos aéreos, é ter espaço para guardar um veículo longo.

  9. 2011/11/05 16.31

    As pernas dentro dos alorges não será a melhor solução. O miúdo fica preso em caso de queda. Miguel, já pensaste em colocar uns apoios tipo BMX e um guarda-casacos ou algo assim para evitar os pés nos raios?

  10. 2011/11/05 16.31

    Tenho que experimentar uns trajectos mais compridos e uma rotina mais prolongada para ver se vale a pena investir em quitanços neste charuto,,, A ideia dos patins e o guarda-casacos são uma boa solução.

    Hoje tive que fazer na de corrida o trajecto entre minha casa e a escola do Gui (mas sem Gui à pendura) e ainda demorei meia.hora… esta solução impôe um ritmo muito mais lento, por isso, se calhar, a partir de Janeiro, vou ter que ir para algo mais ‘longo’, que permita maior conforto de ambos.

Trackbacks

  1. Kinder “Nortada” Surpresa « Um pé no Porto e outro no pedal

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