Testemunhos a Pedal XLIV
Ou ando de canadianas, ou ando de bicicleta. Não tenho outra hipótese.
O Velho Lau ia a descer lançado a rua das biclas, quando viu o que confirma que a mitologia sobre as cidades portuguesas é coisa muito séria. A partir de hoje, é inegável que, apesar dos risos da jornalista da Antena 1, o Porto é uma cidade ‘super-ciclável’, tal como a Ana disse . O resto é tanga.
O Mário de Almeida Santos, ganhou a vida a conduzir carros, mas é a bicicleta que a salva um bocadinho todos os dias.
Com 85 anos, depois de uma carreira longa como motorista da Carris (STCP), onde esteve trinta e um anos, aos quais se somam outros vinte e dois atrás do volante de um táxi, o nosso amigo, desde há dois anos a esta parte, não dispensa a bicicleta para os seus afazeres diários.
Ou ando de canadianas, ou ando de bicicleta. Não tenho outra hipótese.
Para além desta, que uso para ir às compras e à pesca (um triciclo de carga vermelho), tenho mais duas bicletas de duas rodas, uma de montanha e outra mais pequena.
Aqui há tempos fiz a promessa de ir de Fátima a Ourém. Comecei a treinar na Foz, mas estava sempre a cair. Foi por isso que comprei uma bicicleta mais pequena e depois a de carga.
Esta aqui é melhor para o dia-a-dia, porque tenho a certeza que posso andar carregado sem me desequilibrar.
Moro na Ramada Alta e a bicicleta leva-me para todo o lado. Quando ando pelo Porto, para ir à Praça, por exemplo, vou nesta. Se vou para mais longe levo uma das outras.
O mais engraçado é que, como reformado da Carris, onde fui um dos primeiros funcionários, tenho transportes públicos de graça.
Quando vou pescar, meto esta de carga na carrinha, vou até ao paredão, estaciono e descarrego tudo e depois ando na bicicleta a fazer as minhas coisas.
Agora vai-me desculpar, porque estou com pressa. Muito obrigado pela entrevista! Depois pode-me enviar a fotografia para mostrar aos meus filhos?
Quando o deixei, continuei no meu caminho. Quando olhei para trás, lá ia o Mário a subir calmamente a Júlio Dinis em direcção ao Parque Itália. O Velho Lau, quando for grande, quer ser assim.





Se não é igual, é MUITO parecida com a que temos aqui no escritório… embora esta tenha mudanças…
Essa referência da Rua das Artes Gráficas, tão imóvel que já tem os pneus colados ao chão :-)
É como o Vinho do Porto.
Prós lados de Mira o triciclo é a bicla de trabalho por excelência.
também quero ser assim. há quase dois anos atrás ter-me iam dito “vês que até aquele velhinho anda de bicicleta, e tu não?!”