Crónicas do Primeiro Mundo LXXXVI

Chiara Sonzogni é uma arquitecta italiana. Por estes dias, podemos encontrá-la na Rua da Vitória ou na Rua de Trás, no centro histórico, o palco do Manobras no Porto. Na primeira, em cima de uma ruína, Chiara fez nascer uma horta; na segunda, noutro espaço abandonado, nasceu um “jardim suspenso” onde há um mural para partilha de informação à comunidade. Até domingo, há muitas actividades nos 2 espaços, mas Chiara já só pensa nos tempos seguintes: ela quer que estes espaços sejam devolvidos à cidade.

Porto24

Crónicas do Primeiro Mundo LXXXV

Isto é demasiado forte para o coração de um velho taberneiro. Então, enquanto esperava pelos primeiros fregueses da manhã, a tomar um cafézinho e a passar os olhos nos jornais da casa, não é que leio no Público que os carros vão ter mais dificuldades a estacionar? E a fotografia traz uma bicicleta, como a lembrar que há alternativas?

E logo de seguida, ainda a recompôr-me, leio no JN que, uma semana depois de fecharem a Ribeira aos carros, mais três ruas da Baixa vão passar a ser pedonais? Assim de taco?

As ruas das Flores, dos Caldeireiros e de Trás, no Porto, vão passar a ser pedonais. A reabilitação do eixo Mouzinho da Silveira/Flores tem garantido financiamento europeu.

Amanhã vai ser o primeiro dia do resto da minha vida. Vou tirar o cheirinho do primeiro café da manhã.

Motivar as Massas XCV

O Velho Lau anda em falta com a freguesia . É isso, o momento ‘pernoléu da semana’ já não é visto há várias semanas. Minto, foi visto esta semana, mas repetido de um ‘momento pernoléu da semana’ de uma semana anterior.

E pronto, numa espécie de redenção, mimam-se os leitores insastisfeitos com o ‘momento pernoléu do mês passado e talvez do próximo mês’.

How to pilot your bicycle in a decorous fashion

When piloting your velocipede it is imperative that you consider prudence, modesty, and decorum at all times, lest you be sanctioned by local law-keepers for improper attire. For, you see, high moral conduct is the chief concern of our metropolitan constabulary, and young women on bicycles must bear in mind the moral weakness of pedestrians as they navigate our sin-besotted conurbation. Forthwith, our guide to proper cycling conduct, lest you suffer the same fate as Jasmijn Rijcken, a Dutch woman who, at the beginning of the summer, was threatened with a ticket by a police officer because she was “too sexy.”

Ver o resto na Brooklin Magazine

Um pé no Sul da China, a cabeça no Porto e os olhos em bico.

O editor da Gazeta da Adega do Ciclista tem consciência que vive num Mundo que entretanto ficou pequeno. E se o Mundo ficou pequeno, a querida Imbicta ficou tipo invisível.

Por isso, o brioso gazeteiro não tem poupado nem esforços, nem euros, para mandar a sua equipa além-fronteiras, numa tentativa de antecipar aquelas que serão as tendências em terras lusas daqui a dois anos.

E assim, a Gazeta, depois de enviar a Londres o Sr. Lau, o seu repórter mais sénior  (aqui e aqui) e a Oslo o Sr. Silva (aqui), encomendou um texto ao Sr. Borges, repórter residente no Sul da China.

Pediste-me para te escrever sobre Pequim. Acontece que moro em Xiamen há três anos, uma ilha no sul da China, entre Xangai e Hong-Kong e de frente para Taiwan. Antes morei um ano em Xangai.

Sempre fui um aficcionado por bicicletas e sempre as usei para transporte e lazer, tanto em Portugal, como no Brasil, durante os seis anos que lá morei.

Uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei a Xangai, foi procurar e comprar uma tradicional pasteleira chinesa, a pesada e mega confortável ‘Rosa’. Não é uma “Flying Pigeon” (a marca mais tradicional), mas uma YoungJiu de quadro reforçado, usada pelos carteiros.

Ao longo destes quatro anos comprei mais duas bicicletas, que vou alternando. Uma Giant ATX790 comprada em Xiamen e uma fixed-gear comprada às peças em várias lojas entre Xangai, Shenzhen e HongKong e depois montada em casa.

Mas vamos ao que interessa, como é usar a bicicleta como meio de transporte na China?

Antes de morar aqui, já sabia que por cá, no que respeita o transporte urbano, a bicicleta é a rainha. Já contava com as ondas de bicicletas, motos e e-bikes a cada cruzamento, mas, confesso, assim que saí da loja montado na minha ‘Rosa’, senti-me receoso, pois, nas ruas de Xangai apenas tinha usado o taxi. Mas, ao fim de 5 minutos senti-me parte da estrada e totalmente camuflado com a cidade.

O que parecia à primeira vista um transito caótico, mostrou-se-se imediatamente um simples ‘Caos Organizado’. Nas maiores avenidas existem inúmeras e largas ciclovias e, nas outras ruas, uma pequena faixa de cada lado para as bicicletas.

Nos cruzamentos, o fluxo do trânsito dita a prioridade. Bicicletas de todos os feitios e tamanhos, avós com crianças, casais, desportistas, operários, lixeiros, triciclos cheios de carga, riquechós com passageiros,  motorizadas e uma variedade infinita de bicicletas eléctricas. E eu perdido no meio daquilo tudo!

Foi uma autentica injecção de adrenalina e desde então não utilizei mais transporte nenhum. O meu escritório era a vinte quilómetros de casa e todas as semanas descobria um caminho diferente. Saia à noite de bicicleta para bares e boémia e aos fins de semana ia descobrir os cantos à casa, pelo meio de quelhos, vielas e mercados.

Um ciclista (chamemos-lhe assim) é bastante respeitado em toda a China, pelo facto de ainda ser o transporte número um. Há cada vez mais carros, mais estradas e mais poluição, mas, se pensarmos que 90% dos chineses que conduzem um carro já usaram, ou ainda usam, uma bicicleta como meio de transporte, percebemos o respeito e cuidado com os ciclistas.

Para além da segurança, há outros confortos e comodidades para os ciclistas. Em cada quarteirão pode encontrar-se facilmente um pequeno quiosque, montado na traseira de um triciclo, com um ‘biclo-mecânico’, várias ferramentas e peças necessárias para um rápido concerto a preços irrisórios. Tanto que, quando saio com a ‘Rosa’ para as compras (é basicamente o uso que lhe dou actualmente), nem carrego a pequena caixa de ferramentas, que só uso quando vou para longas distâncias, onde não sei se encontro facilmente um destes magos.

Tive a oportunidade de conhecer Pequim mais a fundo no mês passado com uns amigos, pois decidimos alugar bicicletas (a 2,5€ por dia!). Andamos por ciclovias mais largas que a Avenida da Boavista, cruzamentos, semáforos e sinaleiros só para os ciclistas mas, assim como em Xangai e Xiamen, o que não me deixa de surpreender aqui é o respeito por quem se faz transportar em duas rodas. Pequim é sem sombra de dúvida a cidade das bicicletas. Enfim, Xangai e Pequim são duas metrópoles gigantescas, ambas facilmente cicláveis, planas, com largas avenidas e ruas, sinalizadas.

Xiamen é uma cidade relativamente recente, uma ilha que durante anos foi porto de mercadores Portugueses, Franceses e Holandeses. Foi a segunda cidade a ser aberta ao comércio internacional na década de 80 mas, ao contrário de Shengzhen e Guangzhou, que cresceram sem planeamento, com fábricas e prédios nos mesmos blocos, Xiamen apostou em ser a cidade mais ecológica da China.

Por ser uma ilha e as fábricas encontrarem-se no continente, foi a primeira cidade com tratamento de águas. Aqui não há motorizadas, nem motos (a menos que sejam eléctricas), os taxis são a GPL e os autocarros estão a mudar para o mesmo combustível.

A cidade é bastante verde, cheia de parques, canteiros a dividir as estradas das ciclovias, passeios largos, lagos artificiais e praias limpas com o mar azul. É difícil descrever a cidade, mas, resumidamente, não parece que estamos na China!

O serviço de transporte público aqui é o mais eficaz da China inteira. Uma vasta rede de autocarros, o primeiro sistema de BRT (Bus Rapid Transit) do País, que circula em viadutos suspensos exclusivos, faz com que poucas pessoas precisem da bicicleta dentro da cidade, mas as ciclovias existem (não em tão larga escala como em Pequim ou Xangai), tal como o respeito pelo ciclista.

Ando de bicicleta todos os dias e, como qualquer errante, uns dias mais depressa do que outros. Nunca tive um único problema no trânsito.

Pequenos percalços e gente mentecapta existem em todo o lado. Taxistas e condutores de autocarros são universalmente raças inferiores, com as quais todos temos que ter cuidado e, no fim, desculpá-los pelo infeliz destino a que os levou aquela profissão. Mas sinto-me extremamente seguro e tranquilo em usar a bicicleta aqui na China, de dia ou de noite.

Se algum dia vieres à China, aluga uma bicicleta e sente o que te tentei descrever. Provavelmente concordarás comigo, quando digo que qualquer individuo ao tirar a carta de condução, deveria percorrer no mínimo cem quilómetros em trânsito de cidade numa bicicleta. Talvez assim as pessoas pudesse ver e sentir a bicicleta como um outro veiculo na estrada e não como ‘um brinquedo perigoso’, guiado por ecologistas idiotas e irresponsáveis sem capacete”.

Crónicas do Primeiro Mundo LXXXIV

Vinha na Rua do Rosário a pedalar com uma calma relativa (não vinha em sprint), quando comecei a sentir-me pressionado por um autocarro. Sem abrandar o ritmo, nesse momento passaram-me várias coisas pela cabeça:

  • tentei calcular a distância para o meu destino e perceber se uma esgaçadela breve me tiraria do caminho do monstro cor-de-laranja;
  • tentei perceber onde me poderia apear rapidamente (a rua tem carros de um lado e pilaretes do outro);
  • tentei calcular a velocidade a que ia e perceber qual seria um limite de velocidade disciplinador para uma rua daquelas.

Quando o tó começou a buzinar, deixei-me ir como ia. Quando arranjei um sítio para me encostar, berrei-lhe um insulto, já que ele, como eu, estava a ver que a única alternativa teria sido baixar-me e rezar para que o autocarro passasse por cima sem me acertar com o carter na pinha.

A Rua do Rosário é o coração do quarteirão de Miguel Bombarda. Há dezenas de lojas ‘independentes’, um hospital gigantesco numa extremidade, um hotel, vários hosteis, uma escola. Mais do que uma zona 30, a Rua do Rosário devia ser uma zona 20. Numa zona 20, o autocarro tinha cuidado com o ciclista e o ciclista não se tinha sentido pressionado com o autocarro.

Mais tarde, quando chego ao escritório, vejo esta notícia:

Eurodeputados querem impôr limite de 30 km/h em zonas residenciais

O Parlamento Europeu quer limitar aos 30 quilómetros/hora a velocidade máxima de circulação rodoviária nas zonas residenciais que não tenham faixa específica para ciclistas, segundo um relatório aprovado, esta terça-feira, em Estrasburgo.

Era doce, como a sanduíche de queijo de cabra, mel e maçã que comia enquanto pensava nisto (antes de ser mais tarde e já ter chegado ao escritório). E estava no melhor sítio para se ciclopensar, já que no Quintal temos onde guardar a bicicleta e o staff dá o exemplo, pedalando para o trabalho.

Crónicas do Primeiro Mundo LXXIII

Contas espectaculares, na Maia:

A Câmara da Maia vai arrancar, em Outubro, com mais um troço da Via Periférica da Maia, obra que está orçada em 1,5 milhões de euros, atingindo assim os 75 por cento de obra realizada. Esta intervenção vai permitir resolver um dos problemas de escoamento do trânsito mais complicados do concelho, desde que a A41 foi portajada, assinala a autarquia.

Primeira Mão

Ou seja, portaja-se para aliviar as contas públicas e gastam-se 1,5 milhões para o pessoal não pagar portagens.

Entretanto, regista-se também uma certa ingenuidade (do Velho Lau) em Gaia:

13 milhões em quatro novos parques

É o último de quatro parques de estacionamento concessionados à empresa Parquegil, em Gaia, tem a assinatura do arquitecto Alcino Soutinho e foi inaugurado, ontem, junto ao tabuleiro de baixo da ponte Luís I, na Rua General Torres.

JN

Obras no centro histórico de Gaia arrancam em Outubro

As obras para a construção da via circular ao centro histórico de Vila Nova de Gaia arrancam “até 15, 20 de Outubro” e deverão estar concluídas no final de 2012.

A garantia foi deixada esta segunda-feira pelo presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, que falava à margem da inauguração do Parque Luiz I, junto à escarpa da serra do Pilar, que disponibiliza mais 200 lugares para estacionamento e corresponde a um investimento de 4,5 milhões de euros.

Porto24

Quando li ‘quatro novos parques’ e ‘obras no centro histórico’ pensei em árvores, relva e casas velhas restauradas.  Não, afinal parques e obras são coisas de carros.

Entretanto, a (des)propósito:

Reabilitação do Bolhão debate-se com o “problema” do seu “financiamento” - JN

Rui Rio lamenta “cidade borrada de grafitis” - JN

Papel no Alforge III

Chegou ontem.

O Raoul Taburin é um tipo alegre, mas às vezes fica triste. É um dos homens mais respeitados numa aldeia onde o seu nome é sinónimo de bicicleta. Até foi ele quem preparou a bina de um vencedor de etapa do Tour.

Os outros dois personagens com o direito a ter coisas baptizadas com o seu nome são o charcuteiro e o oculista. Mas, ao contrário do charcuteiro, que se alambuza diariamente com os seus presuntos e do oculista, que não passa sem os seus óculos, o Raoul nunca conseguiu aprender a andar de Taburin.

Já tinha falado do livro aqui e não resisti a mandar vir.

Testemunhos a Pedal XLI

Nem ninguém parece querer saber que cada vez há mais ciclistas nesta cidade.

Há poucos dias publiquei um post com um trabalho que o Pedro Figueiredo tinha já levado à Baixa do Porto. Agora é a vez da Adega do Ciclista ter um texto do Pedro em primeira mão.

O quadragésimo primeiro testemunho, é assim uma espécie de prosa poética e explica-nos porque uma cidade com subidas (e um metro) é uma cidade ciclável.

Duas rodas: o regresso ao futuro.

A minha relação com a bicicleta é lógica, antes de ser ideo–lógica. É porque ela me faz falta que eu a uso. Mas, usar a bicicleta também é uma forma de salvar o planeta. Cada vez que usamos uma bicicleta em vez de um carro, salvamo-lo um bocadinho mais.

Sou de uma geração de (ex) gaienses dependentes do autocarro na nossa relação com a cidade do Porto e traumatizada pela fraca prestação dos STCP dos anos 80, a quem o Metro do Porto resgatou para o ‘prazer’ de usar um transporte público.

Ainda sou do tempo em que a Avenida de Gaia era ‘o trauma’, com o terceiro-mundismo das dezenas de empresas de camionagem a atafulhar a Avenida. Camioneta atrás de camioneta, atrás de camioneta (tenho fotografias inacreditáveis para mostrar a quem não acredite).

A bicicleta surgiu naturalmente como um complemento lógico dos trajetos de Metro. Uso a bicicleta dentro do Metro para fazer ‘subidas de cota’ e uso a bicicleta tout-court para as descidas ou andar na horizontal (biciclistas sim, mas não burros).

O impulso para usar a bicicleta como o meio de transporte casa-trabalho e trabalho–casa, surge do facto de eu morar na zona de cota mais alta da cidade, o Marquês. Surge também do facto de trabalhar perto da zona de Serralves, o que possibilita um trajecto ‘para lá’ totalmente a descer. Surge, por fim, pela possibilidade de parte do trajecto ‘para cá’ poder ser complementado pelo Metro (a partir da rotunda da Boavista).

Para isto contribui a lógica moderna deste Metro, que já foi concebido para ‘a mobilidade’, ao contrário de outros mais antigos. O nosso Metro tem (sempre) escadas rolantes, portas largas, entradas sem barreira, elevadores, ao contrário do de Lisboa ou Paris. É a vantagem de  ter sido o último a fazer-se , o atrasado!

Não é assim tão fácil bicicletar no Porto, mas também não é assim tão difícil bicicletar no Porto.

No fundo, o Porto é uma cidade muito ciclável. É, mas só “em potência”. Há demasiados carros, em baixo, em cima, ao lado das ruas e dos passeios. Também há rampas que atrapalham a bicicleta e uma espécie de “ódio” dos automobilistas a esta coisa estranha com duas rodas, que desponta agressividade nesses senhores.

E não há políticas públicas. Ninguém projectou uma rede de ciclovias, nem ninguém concebeu um sistema público de uso colectivo de bicicletas. Nem ninguém parece querer saber que cada vez há mais ciclistas nesta cidade. A razão lógica,  transforma-se em “ideológica”.

‘Quem anda de bicla, só pode ser um gajo fixe’. Esta é uma premissa que desculpa o ciclista, enquanto gajo diferente que chega à empresa e o olham como extravagante, alternativo ou pobre. O gajo que não tem dinheiro para comprar um carro, sequer.

Andamos de bicicleta porque queremos, gostamos, e porfim, porque faz bem ao ambiente, é mais lógico e mais barato que um carro.

Palavras para quê? O futuro foi ontem. Somos sobreviventes.

A bicicleta é uma regressão?

Não. Só se fôr um “Regresso ao Futuro”.

Carros?… é tão anos 80!

O percurso do Pedro está ali na barra da direita.

Puxar pela cabeça e colaborar

O João Paulo deixou o seguinte bilhete debaixo da porta da  Adega do Ciclista:

Miguel, como curiosidade gostava de saber que caminho farias se tivesses de ir do Parque da Cidade até ao Hospital da Prelada ?

… é o meu trajecto diário!

Assim, à primeira vista e olhando para os percursos já mapeados, recomendaria este, mas, normalmente, não ando para estes lados:

Clica para ampliar

Alguma sugestão?

Testemunhos a Pedal XL

Mal ponho um pé no pedal o meu lado criativo musical começa a funcionar e vou assobiando ou cantarolando.

Há uns dias atrás, vi a Célia a chegar ao escritório onde trabalha. Vinha em grande pressa, tendo abandonado a sua dobrável na portaria, ao mesmo tempo que, após lhe ter pedido um minuto, me atirou um “venho já!”.

E quando voltou, a irradiar simpatia, falei-lhe da Adega do Ciclista, tasco que ela já conhecia. Deixei o meu email para o envio de um testemunho e aqui está ele. É o testemunho XL, que chega em dose XS.

Tarde e a más horas, mas cá estou a enviar o meu testemunho.

Sou a “ciclista” que abordou um dia destes à porta do escritório. Já conhecia o projecto e o blogue. Muitos parabéns pela iniciativa!

Resumidamente a minha experiência nestas andanças de duas rodas é muito curta. Vim trabalhar para o Porto em Maio e, como moro perto do local de trabalho, a bicicleta foi logo a minha primeira opção de transporte.

Não vou ser grande ajuda para sugerir o melhor percurso casa-trabalho, porque a distância é mesmo curta (Rua da Boavista – Rua da Saudade).

Andar de bicicleta torna o percurso e o tempo mais melodioso. Mal ponho um pé no pedal o meu lado criativo musical começa a funcionar e vou assobiando ou cantarolando. A leveza do ritmo a percorrer o tempo é maravilhosa, tirando a parte dos paralelos claro.

Na verdade ainda não me aventurei em grandes percursos, tenho receio da confusão dos passeios, estradas, rampas, peões, carrinhos de bébé, sinais de trânsito no meio dos passeios, paralelos, etc. Portanto, estou mais inclinada para fazer grandes percursos em sítios destinados para o efeito, como as ciclovias à beira mar. Como a minha bicicleta se parte ao meio, posso colocá-la facilmente na mala de um carro, no metro ou num elevador.

Entretanto gostaria de partilhar este vídeo.

Ver a Cidade de cima

Portantos, como combinado, a malta aproveitou a Cicloficina e lá subiu até ao bairro mais inqualificável da querida Imbicta (isto é um elogio e dos grandes), para trabalhar no projecto dos mapas.

Ao fim de um compasso de espera à volta das afinações, lá subimos ao segundo andar da Es.Col.A, onde acampamos em duas secretárias daquelas antigas.

Os valentes que ontem se chegaram à frente foram os seguintes:

Este primeiro encontro, serviu para dar o pontapé de saída e criar sintonia à volta dos passos a dar em cada momento, tendo ficado combinado o seguinte:

  1. avançamos agora com o projecto do mapa “estático”, ou seja, aquele que pode ser impresso e distribuído em PDF;
  2. após concluída esta primeira fase, avançamos para o mapa interactivo, a disponibilizar na web. Para este trabalho vamos ter que integrar mais competências, que penso estarem todas disponíveis dentro do grupo que tem participado na discussão nos comentários deste post.

Relativamente ao trabalho no mapa estático, vamos fazer o seguinte:

  • Até 6/10 –  Reunir o máximo de percursos que conseguirmos;
  • Entre 6/10 e 13/10 – Definir os percursos principais, canalisando as alternativas mais periféricas para essas vias com maior pressão ciclística. Este trabalho será feito de forma sistemática, dividindo-se a cidade em 7 partes: Porto Ocidental, Porto Central, Porto Oriental, Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar;
  • Entre 13/10 e 20/10 – Ir para o terreno tirar dúvidas;
  • Entre 20/10 e 3/11 – Desenhar o mapa (competências em infografia needed).

A próxima reunião ficou marcada para 6/10.

Crónicas do Primeiro Mundo LXXII

STCP investiga atropelamento mortal no Campo Alegre

Segundo fonte da empresa, a vítima, um homem de 68 anos, foi atropelada numa passadeira cerca das 9h15 por um autocarro da linha 504.

Em 2010, os atropelamentos nas passadeiras do Porto representaram 6,19%  da sinistralidade rodoviária. E em cada 10 atropelamentos de peões, seis (58,96%) ocorrem em passadeiras.

Ler artigo completo no Porto24

Coisas a funcionar

O primeiro empréstimo já está a funcionar.

O Pedro pediu uma bicicleta para experimentar o percurso entre casa e o trabalho antes de fazer um investimento em material próprio.

Olá Miguel,

Já tenho a bicicleta comigo e fiz o percurso até à Prelada ….fiquei a transpirar, mas os meus caminhos habituais nao são tão distantes, por isso penso que vou ficar adepto! É um bocado complicado andar na estrada, mas acho que me vou habituar.

Obrigado,

Pedro

Agora venham mais biclas para a base de dados.

Tocar a reunir

E pronto. O tempo passa rápido, Setembro caminha alegremente para o seu fim e a Cicloficina do Porto é já nesta Quinta-feira (22) na ES.COL.A da Fontinha.

A primeira reunião dos carolas voluntários que se foram chegando à frente para trabalhar no projecto dos mapas (ver este artigo e respectivos comentários) será realizada no mesmo dia e local, a partir das 19h00.

A ordem de trabalhos poderá ser algo como isto:

  • Apresentações (nomes e o que cada um sabe ou poder fazer que tenha utilidade para o projecto);
  • Análise dos dados entretanto já recolhidos;
  • Definição das linhas-base da estratégia (o que se pretende obter no final, como vamos lá chegar e quando);
  • Distribuição de tarefas e prazos para as suas conclusão.

Posso adiantar já a minha sugestão relativa aos resultados finais a atingir, aproveitando uma conversa que tive há pouco no Facebook.

Quem estiver interessado em participar, ponha o braço no ar, ou seja, deixe essa indicação nos comentários deste post.

Porto Intermodal

O Pedro Figueiredo é um habitué da Baixa do Porto. Há uns tempos, enviou uma proposta muito interessante, que de certa forma complementa a ideia dos mapas que por aqui vamos discutindo.

Rascunho de Ciclovias para o Porto, que fiz por cima do mapa Andante.

1 – PROJECTO

Sistema duplo que integra um conjunto de ciclovias  concebidas como faixas cicláveis integradas em ruas pré-existentes com um sistema público de acesso colectivo a bicicletas , com inúmeros pontos estratégicos de disponibilização e recolha dos veículos.

2 – ESTRATÉGIA DE REDE

A estratégia urbana consiste na integração total deste (sub)sistema no actual sistema ANDANTE. O sistema ANDANTE , que é, por excelência o sistema de mobilidade que integra as várias valências da Área Metropolitana, vai continuar a ser o motor integrador das múltiplas formas de transporte.

Assim, junta-se o novo sistema colectivo de bicicletas ao sistema colectivo de autocarros (stcp), ainda ao sistema colectivo de comboios ( CP- Urbanos) e  ao sistema colectivo de Metro (Metro do Porto).

Ver o resto aqui.


			

Crónicas do Primeiro Mundo LXXI

No dia 30 de Maio, a web da CMP anunciava o seguinte:

Requalificação da Avenida da Boavista entre o Castelo do Queijo e Rua António Aroso praticamente concluída.

A primeira parte das obras de requalificação da Avenida da Boavista, entre o Castelo do Queijo e a Rua António Aroso (troço pontente), estão praticamente concluídas.

Todavia, no sentido de precaver algum desgaste, as intervenções relacionadas com a pintura da ciclovia e de outras marcas relativas à sinalização, bem como a colocação das floreiras na placa central da Avenida, só serão concluídas depois da realização das provas automobilísticas referentes à edição deste ano do Circuito da Boavista.

Portantos, estamos a 20 de Setembro e, acabadas as corridas há coisa de 2 meses, mais minuto, menos minuto, o que lá está é um verdadeiro nojo, que não serve nem as pessoas, nem as bicicletas, ou sequer os carros. A ver:

  • Um gigantesco canteiro de relva por cortar;
  • Uma estrada com três ou quatro faixas, que de repente, sem aviso ou marcação, passam para duas ou três. O número de faixas é à vontade do freguês, já que não estão marcadas. Quando as faixas encolhem num sentido, alargam no sentido oposto;
  • Umas marcas no pavimento gigantes, verdes, que serviram para as corridas;
  • Dezenas de separadores de plástico a cortar o trânsito e os atravessamentos;
  • Umas coisas de betão, nos últimos 100 metros, que supostamente serão canteiros;
  • Zero árvores;
  • Zero flores;
  • Zero ciclovias;
  • Zero meninas todas bonitas em bicicletas clássicas (pelo menos no sítio indicado na fotografia).

Não é que me incomode muito não haver ali a ciclovia, até porque só utilizava o espaço no meio da avenida para correr de madrugada, mas caramba, aquilo está feio que dói.

Pernas pesadas

Voltando ao tópico Porto nas alturas, hoje descobri um desenrascanço engraçado para aqueles dias em que apetecia estar, mais do que numa cidade plana, numa só com descidas.

Para ir da zona da Trindade para lá para cima, para Gonçalo Cristóvão, há um elevador gratuíto, que nos deixa na Travessa Alferes Malheiro, que por sua vez dá acesso ao Largo do Dr. Tito Fontes, bem pertinho do JN e de Santa Catarina.

É isso. O elevador do Metro da Trindade, que vai ter ao cubo que podem ver por cima da estação.

Poupa-se a subida e uma grande volta.

Testemunhos a Pedal XXXIX

O Velho Lau ia a descer calmamente a rua e viu algo que lhe chamou a atenção. Isto.

Uma Yéyé a ser restaurada no meio da rua é bom tema para uma posta, mas, o que começou por ser apenas uma fotografia para a série ‘Crónicas do Primeiro Mundo‘, acabou por escorregar para o trigésimo nono testemunho da Adega do Ciclista.

Um blogue sobre bicicletas? As bicicletas são o futuro e o Porto é excelente para isso. É uma cidade bastante plana e o tempo é excelente, ao contrário do que as pessoas dizem.

Foi-me dizendo o Zé, enquanto se aproximava para a conversa.

Ei! Isto promete!

Pensei, ao mesmo tempo que enfiava as unhas no saco do Sport Billy à procura do bloco de notas e da caneta.

Estou a arranjar esta bicicleta para a minha namorada. Comprei-a baratinha e só lhe estou a dar um jeito. Gosto delas assim com este ar.

Vivi muitos anos fora. As pessoas não imaginam os diferentes tipos de bicicletas que há. Só conhecem as holandesas e as pasteleiras. Em França há bicicletas lindas, como as de senhora dos anos 70 e 80.

Há bicicletas típicas de cada país com uma cultura ciclística forte. Em África, por exemplo, gostam de pasteleiras destas e transformam-nas de formas muito loucas, com grandes grades à frente e coisas assim.

Por cá utiliza-se demasiado o carro, a maioria das vezes para ir a sítios muito perto. Assim as cidades perdem o factor humano. O carro faz sentido para as alturas em que não existem alternativas.

Eu faço surf e tenho um jipe para ir para a praia, que é normalmente longe. Na cidade prefiro outras formas de me deslocar.

Gosto de bicicletas, mas prefiro o long (skate), que é também rápido, mas mais flexível, podendo levá-lo tranquilamente para onde quiser.

O Zé é dono da Bollywood. Vale a pena dar lá um salto.

Crónicas do Primeiro Mundo LXX

A Árvores de Portugal foi alertada por um cidadão do Porto, António Santos Cunha (autor das fotografias que reproduzimos), para o abate de um conjunto de plátanos na zona da Foz Velha, na freguesia da Foz do Douro. As fotografias mostram alguns pormenores dessa intervenção e, no caso da foto mais à direita, árvores que ainda não foram intervencionadas, mas que estarão também marcadas para abate.

Os plátanos em causa estarão a ser abatidos por uma pretensa situação de falta de segurança. Assim sendo, decidimos remeter o seguinte e-mail à Câmara Municipal do Porto a solicitar esclarecimentos urgentes sobre este caso, na expectativa que seja (ainda) possível salvar algumas árvores:

Tendo sido informados do abate de um conjunto de plátanos no lugar da Foz Velha, na Foz do Douro, vimos, por este meio, questionar a vossa autarquia sobre os motivos que levaram a este tipo de intervenção.

Assim sendo, gostaríamos que os vossos serviços divulgassem o relatório técnico que, alegadamente, sustentará esta decisão.

De igual modo, gostaríamos de saber se foram ponderadas outras soluções e quais os motivos que levaram a este desfecho, ou seja, por que motivo não foram tomadas atempadamente medidas que pudessem ter evitado este triste episódio. Isto, claro, assumindo que efetivamente existem motivos para cortar estas árvores, situação que ainda está por esclarecer.

Por último, gostaríamos de saber se a população foi informada desta intervenção e esclarecida sobre os motivos da mesma; ou se, como repetidamente acontece por todo o país, as populações se viram privadas, de um dia para o outro e sem qualquer explicação, da presença de árvores que marcavam o seu dia a dia e a paisagem urbana há várias gerações.

Agradecemos uma resposta urgente a este pedido de informações. Confiantes que este pedido merecerá, da vossa parte, a maior atenção, aguardamos pelos vossos esclarecimentos.

Aqui. Ver também isto e isto.

Crónicas do Primeiro Mundo LXIX

Presidente do ACP: António Costa só faz “asneira” na mobilidade e devia sair da autarquia.

A cidade de Lisboa é liderada por um presidente e por um vice-presidente que têm uma obsessão, que nunca vão conseguir na vida, que é pôr todos os portugueses a andar de bicicleta. Tudo o que poderem destruir em mobilidade em Lisboa vão fazê-lo” disse hoje Carlos Barbosa.

Como sou um teso e a minha identidade é pública, vou-me abster de escrever todos os insultos que me estão a passar pela cabeça. O mais ligeiro é troglodita.

Crónicas do Primeiro Mundo LXVIII

Sindicatos condenam Hospital de São João por aumento “escandaloso” do estacionamento.

A minha mente enviesada levou-me a concluir que eles estavam chocados com o aumento de números de lugares disponíveis. Afinal estão só preocupados com os preços.

O aumento do preço dos parques de estacionamento dos trabalhadores do Hospital de São João, no Porto, foi esta terça-feira considerado “inaceitável” por três sindicatos.

Ler aqui.