Motivar as Massas LXXIII

Com pouco esforço, o Porto podia ser mais amigo dos ciclistas

Com “investimentos reduzidos” seria possível transformar o Porto e as cidades limítrofes em zonas bastante mais “cicláveis”, através da criação de zonas de aparcamento e caixas para bicicletas nos semáforos, por exemplo, defende o ciclista Miguel Barbot, envolvido no lançamento de um grupo de trabalho para sensibilizar os poderes públicos.

“Estou a falar de investimentos de baixo custo: sinais a avisar os automobilistas de que andam ciclistas na cidade, zonas de aparcamento, caixas para as bicicletas pararem nos semáforos… uma série de coisas que melhorariam a ciclabilidade da cidade”, descreve.

Para sensibilizar os poderes públicos, o consultor de 35 anos resolveu cruzar os vários percursos usados pela comunidade de ciclistas urbanos da zona do Porto para perceber quais as áreas de “maior pressão”.

A zona da Avenida Fabril do Norte e a dos “Produtos Estrela”, na Senhora da Hora, e a zona industrial do Porto são alguns dos eixos que têm “muita gente a andar de bicicleta” e que, sendo zonas planas, “podem ser trabalhadas com investimentos reduzidos”.

Miguel Barbot foi colocando os vários percursos no blogue Um pé no Porto e outro no pedale a comunidade já lhes deu outro destino. “Estamos a criar um grupo de trabalho que está a estudar a criação de um mapa com percursos cicláveis, indicação das zonas de aparcamento, de oficinas, do tipo de piso existente em determinada zona, etc.”, revela.

A cidade é “amiga” dos ciclistas

O consultor alerta que o Porto é uma cidade “amiga” das bicicletas e que até o clima ajuda.

“Tirando as subidas de ligação da cota do rio à cota superior, quase não há grandes declives. E no Porto temos um clima quase ideal. Não chove assim tanto, não faz muito calor e também não há períodos de frio intenso”, observa, garantindo que no último inverno apenas trocou a bicicleta pelo autocarro “durante 3 dias”.

Sérgio Moura, arquitecto de 35 anos, autor do projecto Ciclistas Urbanos, considera que não há desculpas para não andar neste veículo no Porto, embora a cidade precise de “alguns corredores para bicicletas nas vias de maior velocidade e tráfego e mais estacionamento dedicado”.

“Muitas pessoas tentam justificar a sua preguiça criticando a cidade pela sua falta de ciclovias ou declives excessivos, mas acho que até é simpática para pedalar. Setenta por cento da cidade é quase plana, e com bicicletas com mudanças é simples vencer as zonas com mais declives. Muitas pessoas associam a bicicleta a desporto, mas para a usar como forma de transporte devemos fazê-lo de forma a minimizar o esforço e tornar o percurso o mais suave possível”.

Também Paulo Almeida, funcionário público de 45 anos, considera que “o Porto é das melhores cidades para o uso da bicicleta”, porque “embora tenha uma topografia complicada, se houver um bom planeamento dos percursos certamente que se encontrará um bom compromisso entre a distância e os declives”.

Quanto às condições da cidade, considera que “poucas” das ciclovias existentes “são realmente funcionais” e as “restantes apenas servem para segregar o ciclista”.

A “grande revolução” que melhoraria a vida aos ciclistas seria “uma eficaz actualização e adaptação do Código da Estrada à utilização das bicicletas”.

No Porto24

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