Ecoética na governância empresarial

… ou um título pomposo para atrair resultados do Google para a causa das binas e dos bineiros.

O Nuno deixou um comentário no post com o seu testemunho:

Embora puxadito o percurso, dá uma enorme satisfação de o concretizar logo pela manhã. À tarde, no regresso, sem pressa, dou uma volta maior e exploro novos caminhos. É sempre divertido.

Dada a dureza da ida para o trabalho, não posso considerar ser um “cycle chic” ou “casual rider”, não abdico das lycras (nem do capacete). Felizmente sei que quando chegar ao trabalho, posso tomar um reconfortante banho, antes de começar a trabalhar!

Além do banho, tenho muito lugar para deixar a bicicleta com segurança!!

Pois, há tipos com sorte. Ou talvez não. Depois de trepar o Monte da Virgem, o commuter valente bem merece o duchinho.

Depois do comentário, o Nuno enviou ainda a seguinte mensagem:

Ao acrescentar um comentário à publicação lembrei me de uma coisa.. uma ideia idiota talvez.

Criar uma lista de empresas “amigas” de quem usa bicicleta como meio de transporte, ou seja, que disponibilizam local para banhos dos “ciclistas citadinos” e parque seguro para as bicicletas.

Não digo isto para acrescentar aquela onde trabalho mas, caso haja um interessa geral, para promover a aceitação desta realidade noutras empresas.

Fica o boato, lançado na mesa, entre dois goles de uma cervejinha fresca!

A empresa onde trabalho vai mudar brevemente de instalações e duas das ideias são precisamente a instalação de uma zona de duche e de um parque para biclas.

Aqui na oficina há um cromo que tem metro porta-a-porta e mesmo assim prefere vir de carro. Diz que, havendo um duche, mais rapidamente vinha da Maia de bicicleta do que de transportes públicos. Quero ver isso.

Testemunhos a Pedal XXVII

“Os comentários foram positivos por parte dos meus colegas, tirando imbecis infelizes sem vida própria que deviam viver amordaçados!”

O Nuno deixou-nos o seu testemunho, pragmática e rapidamente, como quem entra na Adega do Ciclista e engole o cafézinho sem tirar os olhos da porta, onde a bicla está encostada sem cadeado. O problema dele não é a bicicleta, que por aqui é tudo boa gente, mas antes aquele nervoso miudinho que antecede qualquer etapa de montanha.

O taberneiro registou mentalmente as suas palavras, e mal ele saiu pela porta de borboleta, abriu o mapa das estradas e foi lá anotar uns rabiscos, na esperança de virem a ser úteis para outros valentes.

Depois de algum tempo a escolher percurso, avaliar o tempo necessário, implicações, etc, etc, etc, finalmente lá me decidi a ir para o emprego de bicicleta.

Apesar da distância ser curta, qualquer coisa entre 5,5km e 6,5km (entre Francelos e Gaia), dependendo do percurso escolhido, o desnível acumulado assusta um pouco. É sempre a ‘trepar’, iniciando-se perto do nível do mar, até aos 250metros no final.

Com recurso ao Google Maps e ao Google Earth desenhei um percurso, através de ruas secundárias (ou serão quase rurais?), para conseguir a menor distância possível entre os dois pontos.

Ok. De facto este não é o melhor caminho, uma vez que percorro alguns sentidos proibidos, mas até encontrar alternativas será assim. Algumas inclinações poderiam ser mais suaves e menos longas, mas acho que será impossível ou pelo menos difícil melhorar.

 Acho que nós, portugueses de uma forma geral, não estamos mentalizados para utilizar a bicicleta no dia-a-dia. Eu necessito de fazer um exercício mental na véspera, para saber se posso ir de bicicleta para o trabalho, se não vou a lado nenhum ao final do dia, ou às compras. Mas aprendi que é possível deslocar-me de uma forma, económica e ecológica!

Os comentários foram positivos por parte dos meus colegas, tirando imbecis infelizes sem vida própria que deviam viver amordaçados!

Observações da Adega:

“E algumas inclinações poderiam ser mais suaves e menos longas… mas acho que será impossível ou pelo menos difícil melhorar.” Bem, o Nuno trabalha no Monte da Virgem, quer dizer, no cimo de um monte. O João faz a mesma coisa.

“imbecis infelizes sem vida própria”. Nunca me atrevi a isto aqui, apesar disto ser quase um tasco. Ainda bem que o Nuno o fez.

“saber se não vou a lado nenhum depois do trabalho, ou às compras.”  Há soluções para isto.

O percurso está ali na barra da direita.

No excuses

Um dos argumentos mais utilizados pelos detractores (não, não são os utilizadores de veículos motorizados em ambiente rural. Já agora, detratores em português do acordo), é a velha questão de dropar putos na escola.

Já falei disto aqui e até já recomendei uma rotina com economias financeiras e de tempo.

Hoje, a Cenas a Pedal, que devia levar um prémio pela extrema dedicação à causa das binas utilitárias, dedica uma página a este tema, apresentando várias soluções, incluindo esta fotografia do César “long-tail” Marques. A ver.

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PS: para quem segue o Planeta Bicicultura, as minhas desculpas por estar em modo ecolálico, mais ou menos a repetir postas de outros bloguers.

The end of suburbia

… ou pelo menos de um subúrbio singular.

The End of Suburbia é um filme sobre o Peak Oil e o seu impacto no estilo de vida suburbano. Este post não. É antes uma reflexão sobre o momento em que um subúrbio deixa de o ser para passar a ser cidade, se isso por acaso vier a acontecer.

Aldoar é uma coisa sobre a qual tenho vindo a escrever com alguma regularidade, até porque a ‘coisa’ é o sítio onde cresci e onde ainda passo grande parte do meu tempo, nem que seja a dormir.

Antigo enclave suburbano rural, entalado entre a Foz e Nevogilde (que também foram subúrbios da classe alta), Leixões  (o Porto e as Fábricas) e a Boavista, é agora uma zona urbana mais do que consolidada, indo perder brevemente mais um dos últimos testemunhos da sua condição original.

Quem por lá morou nos anos 80, lembra-se das grandes bouças que separavam a freguesia da Circunvalação e a zona da Vilarinha do Lidador. A Aldoar rural era, basicamente, uma aldeia. Foi dando lugar à cidade das cooperativas de habitação e agora a uma coisa que só não é um subúrbio, porque tecnicamente está enfiada bem dentro do Porto (que a bem dizer vai do Monte da Virgem até Leça da Palmeira).

Recentemente, o processo de integração numa malha urbana mais central tem vindo a acelerar: as bouças e campos foram dando lugar aos bairros de moradias económicas, depois aos bairros sociais e mais tarde às inúmeras cooperativas (exercícios e experiências de urbanismo na generalidade bem conseguidas). Nos anos 90, chegou o Parque da Cidade (como o conhecemos agora), cozendo a freguesia à Foz e a Matosinhos, ao mesmo tempo que se construía o grande centro escolar. Comum à time-line do processo é a construção de novas ruas e novas casas.

Nos anos 2000 chegaram o Hospital da CUF, o CLIP e  o novo centro de saúde e, pasme-se, um autódromo pop-up, que pópa-upa de dois em dois anos, a par de novos empreendimentos de escala reduzida, que começam a preencher a última grande bolsa rural na periferia noroeste da freguesia.

Isto tudo vem a propósito do quê? Vem a propósito do novo projecto para a instalação da Universidade Lusíada, que vai ocupar a mata ao lado do cemitério, bem perto do sítio onde agora vivo. Ficará naquela franja de terreno entre as casas e a parte mais arborizada que se consegue ver lá em cima na fotografia do Bing. Tanto a mata, como o quadrado vazio no gaveto estão já a ser preenchidos com empreendimentos mais ou menos luxuosos.

E tanta prosa para dizer que o projecto da Lusíada é mais ou menos esta coisa que podem ver na fotografia, que não aquece nem arrefece, e que vai despejar uns milhares de fregueses durante o dia nas ruas adormecidas da zona, algumas delas adormecidas forever, já que o campus é, como disse, colado ao cemitério.

Aldoar, no fundo vai continuar na mesma, marcando passo para ser ‘cidade’.

A oficina de bicicletas que existia ao lado da Junta desapareceu. Na mesma rua cresceram várias de automóveis. Hoje não há uma única caixa multibanco para além daquela na Fonte da Moura, que, tal como o Aviz, é mais Foz do que Aldoar e os comércios que existem são mais ou menos aqueles que não foram “secados” pela chegada do primeiro Continente do País no início dos 80′s.

O Continente de Matosinhos em 1985, numa fotografia a lembrar 1955, início do fim do negócio ao Sr. António. Fonte: JN.

Onde vai estar a Lusíada, esteve para ser, no âmbito de umas eleições autárquicas, uma zona desportiva. Ficamos à espera de um multibanco. Ou de um café aberto depois das 23h00.

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Coisas giras:

Motivar as Massas LXV

Não me estava a sentir bem.

Ia a pedalar a caminho de uma reunião de final de dia em Matosinhos e as coisas não estavam a sair da mesma forma. Uma pedalada longa a sentir um pedregulho no estômago, a garganta seca e as mãos a transpirar anormalmente, deixando as fitas do dropbar com uma cor esquisita.

Como é que eu podia ter feito aquilo? Como? Como podia ter traído os frequentadores da Adega com tamanha desconsideração? Como podia eu ter trazido um momento pernoléu da semana sem pernoléu?

Como podia um humilde taberneiro compensar a freguesia depois de tamanho balde de água fria? A malta é do Porto, não gosta de esperar. Não está habituada a esperar, nem que seja uma semana.

Uma solução era oferecer um momento pernoléu duplo. A outra era um momento pernoléu integral. Preferi esta última.

Senhores e senhores, o novo momento pernoléu da semana:

Phxed.

Pelo direito às alturas

O Luís enviou este email (pelos vistos para mais do que um blogue) e apesar de o Sérgio ter já publicado uma posta sobre o tema, gostaria de acrescentar dois ou três pontos à conversa:

Hoje de manhã, vim pela marginal fora (entre Matosinhos e o Campo Alegre) até ao meu trabalho, de bicicleta!

O pior foi subir D. Pedro V…

Ao ler o  teu blogue penso que talvez me possas ajudar ou encaminhar o meu e-mail para algum movimento associado à malta que quer andar de bicicleta pela cidade…

Será que o município do Porto ou a entidade que possui a tutela da ponte da arrábida (eventualmente a Estradas de Portugal ou o Institutto de infra-estruturas rodoviárias, IP) não poderiam reabilitar os elevadores da ponte da arrábida. Se fosse possível tornariam a nossa vida muito mais fácil, evitando o grande declive (em súbida para o trabalho) de D. Pedro V.

1. D. Pedro V demora 7 minutos a subir a pé. Faço-o muitas vezes e não sou o único, já que muitos automobilistas estacionam o carro na marginal, subindo depois para a zona da Galiza e Campo Alegre. Fight fire with fire, ou seja, luta por um problema comum dos ciclistas e automobilistas.

2. A ciclovia da marginal é aquela mais utilizada pelo ciclista de fim-de-semana. Porque não trazê-lo cá para cima e ajudar a acordar o centro nestas alturas?

3. Onde vão ter os elevadores? Neste momento, o acesso é feito algures entre o CDUP e a Via Panorâmica num local pouco agradável para pedalar. A reactivar os elevadores, deverão ser intervencionados também os acessos, sob o risco de a coisa se tornar uma Linha de Leixões.

O Sérgio, termina o seu texto desta forma:

Acho que com o aumento do número de ciclistas nas ruas do Porto, e com a ajuda de todos, talvez tenhamos massa crítica suficiente para endereçar um abaixo assinado + projecto/proposta/justificativo da necessidade da reactivação dos elevadores. São quatro, mas dois a trabalhar seriam mais que suficientes, talvez num modelo de exploração semelhante ao Funicular dos Guindais.

Será que temos equipa para isso?

Eu acho que temos.

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Já tinha escrito sobre a necessidade de reactivar os elevadores aqui e sobre o combate às cotas, aqui, aqui e aqui.

O que se faz noutros locais com problemas semelhantes: Portland (EUA) e Trondheim (Noruega).

Testemunhos a Pedal XXVI

“O gosto pelo ciclismo na cidade não estava esquecido: andar ao final da tarde pela Ribeira ou pela Foz para sentir o vento no rosto, o ar a maresia, o azul do Atlântico, o amarelo característico do muro da Avenida Brasil.”

O vigésimo sexto freguês da adega a responder ao desafio da Adega do Ciclista foi o Ricardo, que nos brindou com as suas palavras e com dois percursos para o mapa do Porto Ciclável, um deles saindo bastante do centro da cidade, em direcção à Maia.

Biclas e livros. A Giant do Ricardo em boa companhia.

Aprendi a andar de bicicleta pela mão do meu tio, por volta de 1978, em S. Pedro de France, nos arredores de Viseu. Lembro-me perfeitamente da sensação de euforia ao sentir que tinha conseguido fazer esta habilidade.

Ricardo na estrada onde aprendeu a andar de bicicleta.

Na bicicleta em terceira mão, reciclada do meu irmão, lembro-me de sentir o meu tio a segurar no selim de couro vermelho, de pedalar, e de, estranhamente, deixar de o ouvir a correr atrás de mim.

Ao olhar para trás, desconfiado, vi-o já longe, na estrada de terra batida, a contra-luz, com um sorriso rasgado, a ver-me pedalar sozinho e a ver-me cair, num desequilíbrio, misto de principiante e de desastrado, espantado por não ter ninguém a segurar-me!

Aos 21 comprei outra bicicleta. Circulava pelo Porto diariamente e a bicicleta era o meu meio de transporte. Assim foi durante dois anos até que tive um acidente estúpido, por causa de uma tampa de saneamento e de uma falha de alcatrão, que prendeu a roda dianteira, fazendo-me deslizar com a cara pelo asfalto.

Foram precisos vários anos para voltar a comprar uma bicicleta. Fi-lo com 32 anos. O gosto pelo ciclismo na cidade não estava esquecido: andar ao final da tarde pela Ribeira ou pela Foz para sentir o vento no rosto, o ar a maresia, o azul do Atlântico, o amarelo característico do muro da Avenida Brasil.

Aos 36 troquei de bicicleta novamente, e depois outra vez aos 38. A que utilizo agora talvez seja a melhor, a mais confortável, a tecnologicamente mais evoluída e a mais segura. A utilização que lhe dou é a de meio de transporte para o trabalho. Sou professor.

Trabalho em duas escolas. Uma na Maia, bem no centro, e outra na Foz, numa das zonas mais nobres do Porto. Desloco-me regularmente para uma e para outra, utilzando tanto este como este percurso.

Para quem quiser utilizar a bicicleta no Porto, deixo as minhas dicas:

  •  utilizar um elástico ou uma banda que prenda a calça da perna direita, que se pode sujar na corrente;
  • utilizar um espelho do lado esquerdo e fazer uso dele com frequência. Transitar é sobretudo comunicar com os outros utilizadores da via. A mensagem mais importante para os condutores que circulam atrás de nós, é informar que temos consciência da sua presença e que nos podem ultrapassar com segurança. A forma de conseguir isso é baixar a cabeça ligeiramente e para a esquerda, dando a entender que estamos a olhar ostensivamente para o espelho da bicicleta. Outra forma, para os automobilistas mais hesitantes, é simplesmente utilizar o gesto de permissão de ultrapassagem, descrito no código;
  • utilizar o capacete. É um sinal de que nos preocupamos com a segurança, nossa e dos outros;
  • utilizar uma campainha. Faço uso da minha sistematicamente, em intensidade diferentes. É especialmente útil, quando vejo veículos parados do lado direito, com o automobilista dentro, e quando vejo transeuntes com uma elevada probabilidade de se transformarem em peões, sem qualquer aviso prévio. Já me aconteceu ter que fazer travagens bem fortes por causa de peões que não me vêem, porque não me ouviram a aproximar;
  • devemos utilizar uma condução defensiva e preventiva, também de bicicleta, especialmente porque, ao contrário de cidades como Amesterdão ou Copenhaga, o automóvel é o rei nas faixas de rodagem.

Não me considero um ciclista profissional. A minha opção por utilizar este meio de transporte é recente, apesar de sempre, ao longo da vida, ter praticado ciclismo, com maior ou menor regularidade.

Para terminar este meu contributo, deixo uma fotografia que tirei recentemente em Toronto, onde, de dois em dois metros, em toda a cidade (toda mesmo), vemos estes postes para prender bicicletas.

Os passeios estão repletos de bicicletas estacionadas em linha. Curiosamente, não há faixas de rodagem para ciclistas, sendo uma preocupação e tema dos media locais os acidentes e atropelamentos de ciclistas, que, apesar de tudo e tendo em conta as condições de circulação, sendo preocupantes, não são uma epidemia.

Nota 1PNP: No percurso do Porto, o Ricardo refere o viaduto de Pedro Hispano e a proibição de circulação de bicicletas. Penso que depois da construção do Metro e eliminação da passagem de nível, esta restrição foi abandonada. O único sinal agora existente limita apenas os peões.

O Ricardo refere ainda o quebra-côco (quebracôco em português do acordo?) na mesma rua, onde há muito paralelo solto, recomendando ele a instalação de um espigão de selim com mola para atenuar os efeitos deste tipo de piso.

Os mapas estão já na barra da direita.

Motivar as Massas LXII

A gerência da Adega do Ciclista é protagonista nesta reportagem que o SAPO publicou hoje, juntamente com a Alice e o Nuno, dois bons companheiros das pedaladas na querida Imbicta.

A bicicleta mudou a forma como eles encaram a cidade

Nas ruas do Porto, vêem-se cada vez mais ciclistas. Não é apenas por ser Verão, quem usa este meio de transporte diz que o número de pessoas que escolhe a bicicleta para se locomover na cidade está a aumentar.

Miguel Barbot fala por experiência própria. Começou a andar de bicicleta no Porto há um ano e meio e nunca mais parou.

A opção de se deslocar de bicicleta para o trabalho foi uma solução para fugir ao trânsito, mas acabou por se tornar o meio de transporte mais utilizado por este consultor. “Uso a bicicleta para deslocações utilitárias, para ir às compras, para trabalhar, para sair à noite”, exemplifica Miguel.

Desde então, repara que existem mais ciclistas na cidade. “Há uma diferença muito grande, do ano passado para este ano. Vê-se muito mais pessoas e muitos mais tipos de pessoas a andar de bicicleta”, nota.

Alice Jeri é uma destas pessoas. Há cerca de três anos trouxe a bicicleta da sua cidade natal, Ovar, para o Porto e, desde então, “é raro não andar”. “Vou todos os dias para faculdade, para actividades extracurriculares e reuniões”, conta a estudante de Medicina, que, por vezes, conjuga a bicicleta com o metro.

A sustentabilidade ambiental, a prática de actividade física e a poupança são alguns dos motivos que levam cada vez mais pessoas a andar de bicicleta nas cidades. No caso de Miguel, consegue poupar mais de 160 euros por mês desde que deixou de andar de carro no Porto.

Entrave psicológico

Quem é do Porto ou conhece a cidade, provavelmente estará a pensar neste momento que é uma missão quase impossível andar de bicicleta, principalmente pelas ruas da baixa.

Esta ideia pré-concebida foi encontrada por Miguel Barbot muitas vezes depois que trocou a bicicleta pelo carro. “Os entraves são muito mais psicológicos”, defende Miguel, realçando que “o Porto é uma cidade melhor do que muitas cidades planas para andar de bicicleta”.

Nuno Lopes, que vive na Póvoa de Varzim mas se desloca ao Porto frequentemente conjugando o metro e a bicicleta, diz que muitas pessoas ficam “espantadas” por utilizar este meio de transporte. “Eu percebo o espanto, não percebo é pessoas que tentam me convencer a não andar”, diz o arquitecto.

Planear bem os percursos

Miguel reconhece “a topografia difícil da baixa” mas defende que o segredo está em planear bem os percursos. “Eu ando na baixa e muito naturalmente não gosto de subir, não sou um ciclista desportivo. Basicamente o que faço é um bom planeamento dos percursos”, refere.

Alice também sabe que nem sempre é fácil andar de bicicleta na baixa do Porto e refere que por vezes “é necessário infringir algumas regras de trânsito”, uma vez que as ruas estão pensadas para a circulação de carros e não de bicicletas.

Nuno corrobora com a estudante de medicina e acredita que ainda é “um pouco inseguro andar de bicicleta no Porto”. “Como as vias estão montadas para os carros, os condutores sentem-se um bocado os reis da estrada”, repara.

Existem, por isso mesmo, alguns cuidados que devem ser tomados para quem quer pedalar pelas ruas da Invicta.

Redescobrir a cidade

Miguel Barbot recorda que desde que trocou o seu “sofá com rodas” (carro) pela bicicleta começou a ter uma relação “mais humana” com a cidade.

“Vivo a cidade numa escala completamente diferente. Paro para falar com as pessoas, com amigos, paro no semáforo para falar com outros ciclistas”, conta Miguel.

“Ver a cidade a passar é uma sensação diferente do andar a pé”, diz Alice Jeri, que realça ainda a amizade que criou com outras pessoas que também andam de bicicleta e acabam por partilhar “um certo inconformismo, um espírito de aventura e uma vontade de mudar as coisas”.

Para desmistificar o acto de andar de bicicleta na cidade e para debater ideias sobre a mobilidade no Porto, Miguel Barbot criou o blogue “Um pé no Porto e outro no pedal”.

O blogue é hoje um ponto de encontro virtual para a “massa crítica” (movimento global que promove o uso da bicicleta nas cidades) e reúne uma série de percursos “cicláveis” na Invicta, alguns feitos por Miguel e outros enviados por ciclistas.

@Alice Barcellos

Podem ler o artigo e ver o vídeo aqui.

O Nuno e a Alice

Gostei da reportagem em geral, das intervenções do Nuno e da Alice e do destaque dado à Tai e da referência ao Contador (que se está a espetar à grande e à francesa no Tour). Achei que o elogio à Adega no final do texto é um pouco exagerado, tal como o destaque dado aos meus sapatos em vários momentos do vídeo.

E, claro, muito obrigado à jornalista Alice Barcellos, que espero encontrar brevemente a pedalar pela cidade.

Porque é que eu me fui meter nisto?

Então prontos. Tal como referi há pouco, estou já a preparar o mapa da Cidade Ciclável, com base nos testemunhos dos fregueses da Adega do Ciclista.

A fase 1 está parcialmente concluída. Tenho todos os percursos compilados num mapa único (onomatopeia para aplauso estrondoso com assobios à mistura). O propósito original, perceber quais as zonas mais “batidas” pelas binas, é perfeitamente cumprido pela sobreposição das linhas, que são mais ou menos transparentes.

O plano é o seguinte:

Fase 1 - ter todos os percursos num mapa único (que vai sendo actualizado ao ritmo da chegada de novos testemunhos). Neste momento, falta fazer uma revisão e ver se está tudo no sítio. Vou começar também a limar arestas nos percursos, pondo as biclas a andar na rua e não a cortar caminho.

Fase 2 - fazer um mapa mais “compreensivo”, ou seja, ficar só com as linhas, marcando as partes em que há sobreposição (agora dá para ver pela intensidade da cor) e marcando as zonas em que é necessária alternativa no sentido inverso (sentidos únicos, subidas, etc). Esta fase vai ser a ____________ (substituir por palavrão) da loucura.

Fase 3 - only God nows o que a humanidade poderá fazer com uma arma destas na mão.

Podem ir espreitando o estado do mapa aqui.

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PS: Jovem, o taberneiro já te pediu o testemunho ou já pensaste em enviar umas ideias mas ainda não tiveste paciência? Do que é que estás à espera?

PS2: O mapa está num estado “raw” ou seja, muito longe daquilo que será o resultado final. Só o tornei visível para poderem ver o aspecto geral das linhas já mapeadas, só isso. Neste momento, a única coisa mais ou menos usável que tenho, são os mapas individuais aqui na barra da direita (Cidade Ciclável).

Tipo Dinamarca, mas sem neve e gelo

E com menos loiras de bicicleta.

O taberneiro largou o serviço ao balcão e foi finalmente pagar uma promessa de longa data: compilar os percursos da barra da direita num mapa global. Sim, não estou doente e estou a fazê-lo.

Quando estava a fazer o download dos muitos ficheiros .kml, reparei que faltava lá o percurso essencial (esta semana é tudo essencial), ou seja, aquele que pode trazer mais ciclistas para o centro da Cidade, com um esforço mínimo e que vem, pelo menos, de Custóias, até à Baixa.

Como podem ver pelo mapa, o percurso segue o Metro muito de perto, Metro que aqui anda à superfície, seguindo a linha do antigo combóio, que não podia fazer subidas mais acentuadas do que um determinado grau, que é bastante reduzido (segundo o técnico).

Se atentarem (espectacolher, a palavra atentar, ou espetacolher, segundo o novo acordo ortográfico, o que lhe dá um ar mais gastronómico). Pronto, vou ter que repetir. Se atentarem (espetacolher, a palavra atentar), o percurso é todo plano, feito por vias largas, passando por zonas de grande densidade residencial (e a crescerem), pelo Norte-Shopping, ESAD, Hospital CUF, complexo EFANOR (escolas, futura EGP/Oporto Business School), e depois, já em Ramalde, pela zona industrial e pelos bairros sociais das Campinas.

O percurso é fundamentalmente plano, passando ao lado da Ciclovia Oculta (que não é praticável dado o abandono) e  aproveitando a Montanha Russa Invertida (ver ambos aqui). São quase nove quilómetros sem subidas e com algumas descidas para descanso do aventureiro commuter. No regresso, estas poucas subidas podem ser ultrapassadas com alternativas muito fáceis.

Introduzi algumas variações à minha escolha pessoal quando por ali ando, já que os corações mais fracos podem não aguentar a Rotunda dos Produtos Estrela. Assim introduz-se uma descida entre o Norte-Shopping e o Continente, para subida posterior para a Circunvalação, que não sei como, é muito menos acentuada do que a descida original.

É de notar que este trajecto apresenta duas secções em quebra-côco, uma na Rua da Preciosa e outra na descida de Cedofeita pelo Rodrigues de Freitas.

No trabalho que estou a preparar com o Porto24, este foi um dos percursos filmados (outra promessa daquelas).

Motivar as Massas LXI

As binas, os finos e o Sérgio.

Miguel! Miguel! Miguel!

Foi isto que me fez virar a cabeça para trás numa ângulo estranho, quando ontem ia a fazer a Rotunda da Boavista, com alguma velocidade, na pedalada de regresso a casa. Se bem me lembro, ia a pensar nas palavras da Ana sobre as curvas e os voos.

Miguel! Miguel! Miguel!

Era o Sérgio e estava apeado. Como ele estava apeado e eu no meio da Rotunda cheia de carros, levantei o braço e segui com a minha vida. Tendo descido a Avenida quase toda, ao sair do corredor central (BUS), encontrei-o novamente. Afinal não estava apeado.

Fogo, passas os vermelhos todos a ferro?

Nas últimas semanas tem sido muitas as vezes que paro na rua para conversar com velhos e novos amigos, encontros proporcionados por uma velocidade razoavelmente rápida que permite vencer grandes distâncias, não fazendo contudo perder o sentido da vida que se desenrola no passeio.

E assim começou mais um momento cycle-chiq com quê de quáquá, a provar que a bicicleta é sem dúvida o meio de transporte mais social que há (de socialização, não de socialite), já que aproveitamos para ir matar o dia matando um fino na esplanada do Corcel, um grande spot para people spotting, neste caso people on bikes spotting.

Fogo, não trouxe a máquina.

Pois, passaram por nós dezenas (pelo menos mais que dez) de potenciais modelos para o projecto Ciclistas Urbanos do Porto.

Curiosamente, grande parte deles vinham com mochila às costas e em cima do passeio, o que é sinal de que estavam a utilizar a bina como meio de transporte (e não a fazer a preparação para a época da praia) e que estavam a dar os primeiros passos no commuting de bicicleta. Também passaram várias meninas de pernoléu.

Foi também engraçada a discussão sobre a “BMX culture” nos teenagers e as suas vantagens para a criação de novos hábitos de mobilidade.

Claro que não quisemos desperdiçar matéria postável, pelo que me levantei da cadeira e registei o momento com o videophone.

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Nota 1: Acho que o Sérgio não diz “fogo”, mas escrevê-lo aumenta a carga emocional da coisa.

Nota 2: É científico. As marcas do copo não enganam. Dá para ver que um fino se mata em seis goladas, bebidas a intervalos muito regulares.

A Inovação Essencial é um quarto de século mais velha que o FCP

Uma bicicleta deixa de ser uma bicicleta quando um dos seus componentes mecânicos fundamentais passa a funcionar a pilhas.

Foi mais ou menos este o sentimento geral no decorrer de uma conversa em que, entre uma mini e outra, vieram à baila (espectacular, vir à baila) os novos mecanismos electrónicos para o câmbio de velocidades nas bicicletas de corrida.

É um bocado contranatura toda esta tendência para querer reinventar a roda e todo o excite à volta de coisas como motorizadas em que não é preciso andar de capacete* bicicletas eléctricas ou os mil e um quites para facilitar a vida ao pessoal, esquecendo-se que a inovação essencial da bicicleta (a par de outras como as câmara de ar ou o sistema pedaleiro) existe há quase século e meio e que essa se mantém mais ou menos na mesma desde a invenção da safety bicycle.

Na parte que me toca, nunca na vida trocaria o esforço bom da pedalada por uma assistência eléctrica, ou o sistema de mudanças no tubo inferior, que obriga a uma olhada por baixo das pernas para confirmação, por uma coisa como a que se mostra a seguir.

É que a bicicleta, para além de prática e económica, também dá um prazer dos diabos e distrai-nos o suficiente para nos esquercermos dos dissabores do dia no escritório em cada regresso a casa.

A Prius-Inspired Bike Has Mind-Controlled Gear Shifting

What would a Prius look like if it were a bike instead of a car? That’s what Toyota, Saatchi & Saatchi LADeeplocal, and Parlee Cycleswanted to explore with their PXP project. The final design was just revealed on John Watson’s cycling/design site, and it’s a doozy: lean, mean, and mind-controlled. (Yes, you read that last part right.)

FastCo Design

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* entretanto o Miguel fez a seguinte correcção ao texto:

Engano… as bicicletas elétricas, no nosso país, obrigam ao uso de capacete – não precisa de ser capacete de mota, mas tem de se usar capacete.

(ler nos comentários ao post).

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PS: depois dos comentários recebidos, resta deixar uma nota relativa ao teor deste texto.

Esta é uma posta sobre a bicicleta e a sua essência mecânica, que foi inspirado pelos desviadores electrónicos com comandos a pilhas das novas biclas do tour.

Não é uma posta sobre mobilidade ou protecção do ambiente, área em que as eléctricas podem de facto ter um papel fundamental (apesar de poderem fazer passar a imagem errada).

Motivar as Massas LX

E o momento pernoléu da semana chega em forma de adivinha. Alguém sabe o que é esta imagem?

Pistas: para além do óbvio (calças e boina à raver são sinónimo de meados dos anos 90, talvez Páscoa de 1996, mais minuto, menos minuto), a coisa tem a ver com o Porto (e muito).

Prémios: só há um e é uma mini gelada à conta da Adega no próximo momento cycle-chiq com quê de quá-quá, que deve acontecer um dia destes algures entre Viana do Castelo e Santiago de Compostela (aviem-se).

Crónicas do Primeiro Mundo LIV

Mais um incidente a fazer lembrar isto.

Cyclists use viral video to track down alleged attacker

The arrest of a man on suspicion of assaulting a cyclist is a clear example of YouTube and the blogosphere helping to solve crime.

(…)

A motorist was caught on camera physically attacking a cyclist, punching him in the head. Onceposted on YouTube - with a plea for help with identification – the video went viral and clocked up almost 150,000 hits. On Thursday Nicholls went with his lawyer to Dartford police station where he was arrested on suspicion of assault.

(…)The victim, Simon Page, a 49-year-old lawyer, was one of seven cyclists riding from Dover to London in training for a charity ride.

 (…) t’s a clear incidence of YouTube and the blogosphere helping the police to solve crime. Under the video the cyclists have now posted this statement: “Thanks to a powerful combination of clear video evidence and viral internet publicity [a] man [has been arrested].

(…) Cycling campaigners have pointed out that drivers really have little choice other than to get used to cyclists being on the road as cycling isincreasing dramatically at least in some parts of the country.

Texto completo aqui.

Uma questão de tipo de quê

Um dia atarefado, com um casamento pouco ortodoxo à semana, antecedido e seguido de reuniões em extremos opostos da Cidade, obrigou ao recurso ao meio de transporte urbano mais eficiente do mercado.

Não deixa de ser irónico, que, pouco depois de eu ter anunciado o advento do Cycle-Chiq com quê de quáquá (de chiqueiro), o Miguel tenha aproveitado uma fotografia que publiquei no Facebook para a mostrar no Cycle-Chic com quê de cão (de chiquedo).

Ontem, como já estava devidamente avisado pelo Miguel, em forma de redenção, ou apenas para pôr as coisas no devido lugar, pedi a alguém para registar o precioso momento Cycle-Chiq com quê de quá-quá vivido pelo autor do melhor blogue sobre duas rodas mas que andam a motor, o Sérgio, o vosso taberneiro, o Pedro e a autora da fotografia.

Precioso porquê? Porque não falta nada: amigos, biclas, Super-bock e um gajo de costas a coçar o rabo. Até a própria fotografia foi suficiente mal tirada para se enquadrar no espírito quê de quá-quá.