… ou pelo menos de um subúrbio singular.
The End of Suburbia é um filme sobre o Peak Oil e o seu impacto no estilo de vida suburbano. Este post não. É antes uma reflexão sobre o momento em que um subúrbio deixa de o ser para passar a ser cidade, se isso por acaso vier a acontecer.

Aldoar é uma coisa sobre a qual tenho vindo a escrever com alguma regularidade, até porque a ‘coisa’ é o sítio onde cresci e onde ainda passo grande parte do meu tempo, nem que seja a dormir.
Antigo enclave suburbano rural, entalado entre a Foz e Nevogilde (que também foram subúrbios da classe alta), Leixões (o Porto e as Fábricas) e a Boavista, é agora uma zona urbana mais do que consolidada, indo perder brevemente mais um dos últimos testemunhos da sua condição original.
Quem por lá morou nos anos 80, lembra-se das grandes bouças que separavam a freguesia da Circunvalação e a zona da Vilarinha do Lidador. A Aldoar rural era, basicamente, uma aldeia. Foi dando lugar à cidade das cooperativas de habitação e agora a uma coisa que só não é um subúrbio, porque tecnicamente está enfiada bem dentro do Porto (que a bem dizer vai do Monte da Virgem até Leça da Palmeira).
Recentemente, o processo de integração numa malha urbana mais central tem vindo a acelerar: as bouças e campos foram dando lugar aos bairros de moradias económicas, depois aos bairros sociais e mais tarde às inúmeras cooperativas (exercícios e experiências de urbanismo na generalidade bem conseguidas). Nos anos 90, chegou o Parque da Cidade (como o conhecemos agora), cozendo a freguesia à Foz e a Matosinhos, ao mesmo tempo que se construía o grande centro escolar. Comum à time-line do processo é a construção de novas ruas e novas casas.
Nos anos 2000 chegaram o Hospital da CUF, o CLIP e o novo centro de saúde e, pasme-se, um autódromo pop-up, que pópa-upa de dois em dois anos, a par de novos empreendimentos de escala reduzida, que começam a preencher a última grande bolsa rural na periferia noroeste da freguesia.
Isto tudo vem a propósito do quê? Vem a propósito do novo projecto para a instalação da Universidade Lusíada, que vai ocupar a mata ao lado do cemitério, bem perto do sítio onde agora vivo. Ficará naquela franja de terreno entre as casas e a parte mais arborizada que se consegue ver lá em cima na fotografia do Bing. Tanto a mata, como o quadrado vazio no gaveto estão já a ser preenchidos com empreendimentos mais ou menos luxuosos.
E tanta prosa para dizer que o projecto da Lusíada é mais ou menos esta coisa que podem ver na fotografia, que não aquece nem arrefece, e que vai despejar uns milhares de fregueses durante o dia nas ruas adormecidas da zona, algumas delas adormecidas forever, já que o campus é, como disse, colado ao cemitério.

Aldoar, no fundo vai continuar na mesma, marcando passo para ser ‘cidade’.
A oficina de bicicletas que existia ao lado da Junta desapareceu. Na mesma rua cresceram várias de automóveis. Hoje não há uma única caixa multibanco para além daquela na Fonte da Moura, que, tal como o Aviz, é mais Foz do que Aldoar e os comércios que existem são mais ou menos aqueles que não foram “secados” pela chegada do primeiro Continente do País no início dos 80′s.

O Continente de Matosinhos em 1985, numa fotografia a lembrar 1955, início do fim do negócio ao Sr. António. Fonte: JN.
Onde vai estar a Lusíada, esteve para ser, no âmbito de umas eleições autárquicas, uma zona desportiva. Ficamos à espera de um multibanco. Ou de um café aberto depois das 23h00.
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Coisas giras: