Testemunhos a Pedal XXV
” Com a retirada do estacionamento podia-se criar melhores condições para os diversos ciclistas que por ali passam diariamente. E aí há ainda uma excelente oficina de bicicletas que pode dar suporte aos que por ali pedalam.”
De volta à realidade da Imbicta, depois de seis dias de intenso, mas não solitário, ciclismo urbano, dos quais será feito relato brevemente, encontro um belo presente na caixa de correio da Adega do Ciclista, que estava a abarrotar de publicidade não solicitada: o vigésimo quinto testemunho, um número quase tão redondo como os oito quilómetros para cada lado que o Marcos faz diariamente. Aqui vai ele:
Há muito que queria contribuir com o meu testemunho para este blogue.
Utilizo diariamente a bicicleta no Porto e na AMP. O meu principal percurso é da Areosa até à Avenida da República, em Gaia. São oito quilómetros redondos que faço em aproximadamente 25 minutos. Acredito que é um bom percurso porque mostra várias “realidades cicláveis” do nosso território tripeiro.
Começo por sair do cruzamento da Areosa com a Circunvalação, indo pela Rua de Costa Cabral até à Avenida dos Combatentes, onde apanho a Rua da Alegria. A Rua de Costa Cabral é uma típica rua do Porto, subdimensionada, quase claustrofóbica. Muitos carros estacionados em segunda fila e sobre os passeios, intenso movimento de autocarros, muito comércio, cargas e descargas, escolas, crianças e pais. Particularmente, considero a Costa Cabral como uma rua de sentido reversível, ou seja, há uma constante negociação dos condutores a ver quem passa e quem espera.
Apesar de quase 80% da rua ter faixas bus, há ainda muito tráfego automóvel. Porém, apesar disso tudo, considero-a excelente para os ciclistas. Vejo muitos a passarem por aqui, pois consegue-se manter uma velocidade de uns 23 km/h desde que se tenha atenção aos carros estacionados que podem sair sem avisar e também aos autocarros, que na minha opinião, devem ter sempre a preferência. Na Costa Cabral há sempre este conflito BUS vs bicicletas. Eu, na maioria das vezes, deixo os autocarros passarem pois sei que os motoristas já têm muito com que se incomodar.
Vale ainda dizer que a Rua de Costa Cabral é totalmente plana e tem o pavimento em bom estado de conservação, tendo um grande potencial ciclável. Com a retirada do estacionamento podia-se criar melhores condições para os diversos ciclistas que por ali passam diariamente. E aí há ainda uma excelente oficina de bicicletas que pode dar suporte aos que por ali pedalam.
Continuando, sigo pela Rua da Alegria até a Batalha. Esta rua é uma excelente ligação de duas cotas altas do Porto, o Marquês e a Batalha, não sendo necessário descer até à Baixa, evitando assim grandes subidas. A Rua da Alegria é maioritariamente em paralelo e só com uma pequena parte em asfalto.
De forma geral vai-se bem por aí, excepto na descida que liga os cruzamentos com a Rua da Escola Normal e com a Rua da Firmeza, parte que é quase uma mini prova de BTT. O pavimento é em pedra, há carros estacionados nos dois lados que podem sair sem avisar a qualquer momento, consegue-se atingir 40 km/h e mesmo assim os carros teimam em ultrapassar. No final é preciso travar com vontade pois o cruzamento é consideravelmente movimentado. Sugiro bastante cautela nessa descida, sempre com as mãos no travão, tentando manter uma velocidade de 20 km/h e muita atenção.
Depois dessa parte, subo de forma bem confortável até à praça dos Poveiros. Aqui sigo até à Praça da Batalha pelas ruas do Campinho e Entreparedes. A primeira é um bocado movimentada, mas a segunda é excelente para os ciclistas.
Da Batalha começo a descer até à ponte D. Luís I. Essa descida também é bem tranquila, sendo preciso somente um pouco de cuidado na Rua Saraiva de Carvalho. Recomendo não entrar “directo” para a ponte pois pode ser perigoso devido à pouca visibilidade que se tem nessa curva. Os carros vêm de São Bento e fazem essa curva muitas vezes em grande velocidade. Portanto, respeitem o sinal!
Dai em diante sigo pela ponte sempre com belas vistas sobre o rio. Depois apanho a Avenida da República. Também muito boa para os ciclistas apesar de ser sempre a subir.
Na volta faço um percurso um bocado diferente para tentar evitar subidas e também porque a Rua da Alegria é de sentido único. Portanto, desço a Avenida da República, sempre com muita atenção porque aí pode-se atingir fácil fácil os 40 km/h (!!!), atravesso a ponte e subo até a praça da Batalha. Aqui cometo algumas “infracções”. Primeiro, subo pelo passeio largo do eléctrico /Funicular dos Guindais em frente à PSP e depois sigo na contra-mão pela Rua de Entreparedes.
Depois viro à direita na Rua de Rodrigues Sampaio e depois na Avenida Rodrigues de Freitas. Essa avenida também me parece interessante para os ciclistas, pois é larga e liga o centro do Porto à Estação de Campanhã. Sigo então por aí e viro à esquerda na Rua do Duque da Terceira, indo ter ao Campo 24 de Agosto. Do Campo 24 de Agosto subo toda a Avenida Fernão de Magalhães até à Areosa. Acredito que a Fernão de Magalhães é outra avenida interessante, porém é preciso soluções de acalmia de tráfego para se conseguir aí massificar a bicicleta.
Este é o meu testemunho. Faço diversos outros percursos pela Circunvalação, vou até ao centro da Maia pelo Rua do Amial e também até ao Aeroporto, mas na maioria das vezes por lazer, não constituindo portanto uma deslocação pendular.
Acredito que o Porto pode ser uma cidade bike friendly. Uma solução simples é a conjugação do Metro com as bicicletas dobráveis. Estas não ocupam quase espaço, logo podem ser utilizadas sem problemas até na hora de ponta. Também acho que nós, entusiastas da bicicleta, deveríamos fazer um mapa semelhante ao de San Francisco, com os declives das ruas e com informação útil tanto para os ciclistas do dia-a-dia como para os turistas.
Acho que é isso. Um grande abraço e são bem-vindas sugestões para aprimorar o meu trajecto.
O mapa já está ali na barra da direita.





Incrível o percurso e em 25 min apenas! Muito bom.No link do mapa não se vê o percurso marcado.
Ups… fiz uma pequena alteração e isso foi suficiente para se perder o link. Já está de novo a funcionar: http://goo.gl/maps/l96k
Conheço bem esses percursos. De facto a Costa Cabral é perfeitamente ciclável, havendo no entanto de ter muito cuidados com o busílis dos veículos prioritários. Outro ponto que faria todo o sentido mas difícil de ver resolvido, é a questão do estacionamento. Como é uma rua com bastante comércio, só mesmo se fosse possível retirar todo o trafico automóvel, assim como a de Cedofeita, é que a tornaria uma via com um grande potencial.
Ainda na quarta-feira a fiz vindo da F. Magalhães… toda aquela zona tem potencial, então para “fazer vida de bairro”, tomar café, ir às compras, etc, nem se fala.
“1PNP fixes”:
1. Menos paralelo
2. Criar uma via no eixo Fernão Magalhães – Combatentes – Costa Cabral
3. Disciplinar o trânsito na F. Magalhães, praticamente em toda a extensão – Trafic calming é urgente. Algo está a ser feito na área mais perto da Circunvalação, onde instalaram semáforos para peões adicionais
4. Criar pontos de amarragem em condições.
“Algo está a ser feito na área mais perto da Circunvalação, onde instalaram semáforos para peões adicionais”. Penso que estás a falar do que fizeram na zona do Bairro de Costa Cabral, mesmo em frente ao CRIAR (para onde o meu filho pedala todos os sábados de manhã). De facto aquela zona com paragens de autocarro precisava urgentemente de uma travessia pedonal segura e de um limitador de velocidade. Só ainda não percebi porque diacho demora tanto para pintar uns traços no pavimento e ligar definitivamente os semáforos!
Sim. E é para o CRIAR que pedalo todas as quartas ao final da tarde :-)