Testemunhos a Pedal XXIII
“Como numa relação aberta, não temos uma rotina clara, vamos e vimos quando apetece, quando está Sol, quando o movimento das ruas se mexe por dentro solicitando o caminho, pedindo atendimento.”
O Flávio, carioca radicado na Imbicta ‘faz tempo’ e freguês frequente da Adega apesar de se manter sempre caladinho na mesa do canto, coisa que quem o conhece sabe que até nem faz o seu estilo, é o vigésimo terceiro a deixar as suas palavras com a sua experiência ciclistica na nossa querida cidade.
Desta vez não há um mapa, porque também não há um percurso fixo, já que o simpático playmobil utiliza a ‘magrela’ para deslocações urbanas fora da rotina diária, uma vez que trabalha a cinco minutos a penantes de casa.
Então é assim:
Não sei bem como começar…
Nos namoros sempre fui desajeitado, um único relacionamento que durou 3 anos, os restantes, puff meses… Já as bikes são uma relação de uma vida!
Agarrei-me à bicicleta ainda novinho. Trago uma imagem, desde os meus 6 anos, da velha e bela Caloi vermelha dobrável dos anos 80 em que aprendi a andar (primeiro com rodinha).
Depois de lhe perder o medo e com incentivos de minha doce progenitora, com seus belos olhos verdes a dizer-me ‘consegues’, lá fui me aventurando a ganhar o chão dos parques do Rio de Janeiro.
A adolescência me trouxe uma inovação: a primeira bicicleta com marchas, 7 na altura, que eu troquei pela minha colecção de latas de cerveja, tinha eu 12 para 13 anos. Era uma bela colecção de latinhas.
A bike era companheira para todo o lado, para a ida à escola, para a praia, para praticar mergulho… lá ia ela, levemente enferrujada pela maresia, com o feliz que morava mesmo em frente da praia.
Não me veio nova, mas tal e como uma namorada, gostei da experiência e do carisma que só quem se expôs ao Sol e à chuva sabe reter. Penso que a bicicleta carioca foi herdada por um grande amigo que ainda a tem.
Em Portugal há já muitos anos, este cara que escreve, ganhou um novo amor que é uma bicicleta de montanha nada pseuda, sem grandes nomes mas muito fiel e companheira e principalmente, com muito chão!
No Porto, o mais comum é me verem transitar com ela pela Avenida da Boavista, passando o Parque da Cidade, ou a passear até à praia de Matosinhos, onde às vezes paro para o volei no final da tarde com amigos no Verão. Ou então pela Foz, seguindo em direcção à Ribeira, passando depois para D. Pedro V e Mouzinho da Silveira, de regresso à Boavista, zona da garagem da bicla e claro, minha residência.
A Bicicleta é a minha companheira, foi nela que ontem me desloquei em 12 minutos para um curso que fiz na ANJE ali junto ao Fluvial e foi com ela que no mesmo dia percorri a marginal até chegar à praça dos Leões onde ao final da tarde tive uma reunião de trabalho.
Como numa relação aberta, não temos uma rotina clara, vamos e vimos quando apetece, quando está Sol, quando o movimento das ruas se mexe por dentro solicitando o caminho, pedindo atendimento.
Entre ela e eu, há sintonia, há cumplicidade, entre nós há paixão.
Eu sou um solto.
PS: os testemunhos passaram a ter uma sala reservada na Adega. Para lá ir, basta procurar a entrada lá em cima, do lado direito.





Adorei a imagem utilizada para retratar este brasuca que escreve Miguel Retrata bem o moleque que há em mim :) Abraços
É isso Flávio, não há como fugir ao Playmobil. Um abraço.
E as bicicicletas são neste caso o nosso móbil.
Venha mais uma rodada de testemunhos da adega cooperativa, ó faxabôre..
O próximo deve ser no fim-de-semana!
isto não é um testemunho, é literatura!