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Testemunhos a Pedal XXIII

2011/06/16

“Como numa relação aberta, não temos uma rotina clara, vamos e vimos quando apetece, quando está Sol, quando o movimento das ruas se mexe por dentro solicitando o caminho, pedindo atendimento.”

O Flávio, carioca radicado na Imbicta ‘faz tempo’ e freguês frequente da Adega apesar de se manter sempre caladinho na mesa do canto, coisa que quem o conhece sabe que até nem faz o seu estilo, é o vigésimo terceiro a deixar as suas palavras com a sua experiência ciclistica na nossa querida cidade.

Desta vez não há um mapa, porque também não há um percurso fixo, já que o simpático playmobil utiliza a ‘magrela’ para deslocações urbanas fora da rotina diária, uma vez que trabalha a cinco minutos a penantes de casa.

Então é assim:

Não sei bem como começar…

Nos namoros sempre fui desajeitado, um único relacionamento que durou 3 anos, os restantes, puff meses… Já as bikes são uma relação de uma vida!

Agarrei-me à bicicleta ainda novinho. Trago uma imagem, desde os meus 6 anos, da velha e bela Caloi vermelha dobrável dos anos 80 em que aprendi a andar (primeiro com rodinha).

Depois de lhe perder o medo e com incentivos de minha doce progenitora, com seus belos olhos verdes a dizer-me ‘consegues’, lá fui me aventurando a ganhar o chão dos parques do Rio de Janeiro.

 A adolescência me trouxe uma inovação: a primeira bicicleta com marchas, 7 na altura, que eu troquei pela minha colecção de latas de cerveja, tinha eu 12 para 13 anos. Era uma bela colecção de latinhas.

A bike era companheira para todo o lado, para a ida à escola, para a praia, para praticar mergulho… lá ia ela, levemente enferrujada pela maresia,  com o feliz que morava mesmo em frente da praia.

Não me veio nova, mas tal e como uma namorada, gostei da experiência e do carisma que só quem se expôs ao Sol e à chuva sabe reter. Penso que a bicicleta carioca foi herdada por um grande amigo que ainda a tem.

Em Portugal há já muitos anos, este cara que escreve, ganhou um novo amor que é uma bicicleta de montanha nada pseuda, sem grandes nomes mas muito fiel e companheira e principalmente, com muito chão!

No Porto, o mais comum é me verem transitar com ela pela Avenida da Boavista, passando o Parque da Cidade, ou a passear até à praia de Matosinhos, onde às vezes paro para o volei no final da tarde com amigos no Verão. Ou então pela Foz, seguindo em direcção à Ribeira, passando depois para D. Pedro V e Mouzinho da Silveira, de regresso à Boavista, zona da garagem da bicla e claro, minha residência.

 A Bicicleta é a minha companheira, foi nela que ontem me desloquei em 12 minutos para um curso que fiz na ANJE ali junto ao Fluvial e foi com ela que no mesmo dia percorri a marginal até chegar à praça dos Leões onde ao final da tarde tive uma reunião de trabalho.

Como numa relação aberta, não temos uma rotina clara, vamos e vimos quando apetece, quando está Sol, quando o movimento das ruas se mexe por dentro solicitando o caminho, pedindo atendimento.

 Entre ela e eu, há sintonia, há cumplicidade, entre nós há paixão.

Eu sou um solto.

PS: os testemunhos passaram a ter uma sala reservada na Adega. Para lá ir, basta procurar a entrada lá em cima, do lado direito.

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5 Comments leave one →
  1. 2011/06/16 16.31

    Adorei a imagem utilizada para retratar este brasuca que escreve Miguel Retrata bem o moleque que há em mim :) Abraços

  2. 2011/06/16 16.31

    É isso Flávio, não há como fugir ao Playmobil. Um abraço.

  3. 2011/06/16 16.31

    E as bicicicletas são neste caso o nosso móbil.

    Venha mais uma rodada de testemunhos da adega cooperativa, ó faxabôre..

  4. 2011/06/16 16.31

    O próximo deve ser no fim-de-semana!

  5. vera martins permalink
    2011/08/01 16.31

    isto não é um testemunho, é literatura!

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