Testemunhos a Pedal XXII

Ao chegar ao Marquês tudo é diferente, parece que voltamos a entrar na cidade, muitos autocarros, pessoas no jardim, lojas ainda abertas, carros de um lado para o outro, é um contraste curioso… mas provavelmente induzido pelas endorfinas!

No nono testemunho na Adega do Ciclista, o Vitor relatou como estava começar a adoptar uma rotina a pedal, tendo-nos oferecido o seu percurso nas deslocações que ia fazendo durante o período que esteve em casa a dar as boas-vindas à nova geração de Silvas e, depois disso, durante os finais de semana na nossa querida imbicta.

Uma das coisas que por lá escreveu foi isto:

Actualmente não tenho grande oportunidade para andar diariamente de bicicleta mas espero que uma pequenita mudança de horário de trabalho me permita substituir o mix metro+comboio por bicla+comboio.

Bem, pelos vistos essa pequenita mudança aconteceu, ou pelo menos foi antecipada por acontecimentos que tiraram ao nosso amigo o sofá com rodas,o que quer dizer que já está na hora de um novo testemunho, desta vez for real. Aqui vai ele, sendo mais um entre o Porto e Braga.

Motivado pelo Miguel, já há uns tempos que incluí a bicicleta no meu mix de meios de transporte para as deslocações diárias trabalho-casa.

Essa motivação teve recentemente uma ajudinha extra pelo facto de ter ficado um mês sem carta e estar agora há 3 semanas sem carro, resultado de uma forte batidela que, no essencial, o deve ter deixado em estado de ir para o ferro-velho (pelo menos deve ser isso que a seguradora me vai propor).

Como moro no Porto e trabalho em Braga e não sou ciclista profissional, o meu commutting multi-municipal inclui, para além da bicicleta, a viagem de comboio a partir de S. Bento. A linha tem uns comboios bastante bons, mas com uma duração que não faz sentido nenhum, já que o percurso mais rápido dura 50 minutos e só há 2 horários em que isso acontece, sendo que normalmente demora 1h10m.

Os percursos de e para a estação são ligeiramente diferentes de manhã e tarde.

Moro no Marquês e vou apanhar o comboio a S. Bento. De manhã opto pelo caminho mais rápido, sem me preocupar se é o percurso mais agradável ou simpático para as bicicletas, já que nessa altura o que me interessa é sair o mais tarde possível de casa e chegar o mais rápido possível à estação.

Assim, começando no cruzamento de Faria Guimarães com a João Pedro Ribeiro, opto por descer a primeira em cima do passeio. Normalmente não me cruzo com muitos peões e o passeio é suficientemente largo para evitar algum encontro mais perigoso com pessoas que possam por aí andar.

Chegado à Rua do Paraíso, viro à direita para apanhar a Rua de Camões, atirando-me rapidamente para a faixa bus (onde acho que nunca me cruzei com um autocarro) e vou calmamente embalado pela força da gravidade rua abaixo, esperando apanhar os semáforos sempre verde.

A tranquilidade e conforto acaba ao chegar em frente à Estação da Trindade onde passo para o paralelo. Nesta zona, por volta das 8h00, que é a hora a que passo, já há mais carros, pelo que convém ir com atenção, até porque esses passam aí relativamente depressa, atirando-se muitas vezes sem pisca para a direita, para entrar na Dr. Ricardo Jorge.

Depois, continuo Aliados abaixo, sempre aos pinchos no selim até S. Bento… enfim, uma viagem que aproveita as maravilhas das descidas do Porto.

Apanhando os semáforos sempre verde e se não houver grandes confusões, consigo fazer este percurso em sete minutos, o que é excelente. Depois é pôr a bicicleta no comboio e aproveitar a viagem para dormir mais um bocadito.

De volta ao Porto, opto por continuar em cima da bicicleta, isto porque embora a possa levar para o Metro, não acho muito simpático ocupar esse espaço todo em carruagens normalmente bastante cheias, para além de ter de gastar um euro só para andar 3 paragens.

Como tudo o que desce tem que subir, atiro-me à conquista do desnível de 130 metros que separa S. Bento do Marquês. O ritmo depende da energia que ainda tiver disponível. Ou é um tranquilo passeio pela cidade, ou uma mini-aula de spinning rua acima.

O regresso é mais ou menos istona parte marcada a verde. O percurso habitual é um compromisso entre a distância (fazer o caminho inicial seria o mais perto) e a inclinação (se fosse, por exemplo, por D. João IV, teria uma inclinação menor). Opto essencialmente por ruas com poucos carros, já que vou andar normalmente devagar e mais vale não atrapalhar muito o trânsito.

Não é um percurso especialmente bonito. Santa Catarina a essa hora já tem pouca gente e começa-se a notar o lixo de um dia de trabalho. Passado o cruzamento com Gonçalo Cristovão, a rua torna-se numa coisa estranha, aparentemente sobredimensionada, onde só se nota o asfalto, com uma faixa a subir com alguns carros e duas a descer normalmente vazias.

Ao chegar ao Marquês tudo é diferente, parece que voltamos a entrar na cidade, muitos autocarros, pessoas no jardim, lojas ainda abertas, carros de um lado para o outro, é um contraste curioso… mas provavelmente induzido pelas endorfinas!

O testemunho do Vitor trouxe o tal bónus extra-municipal, cujo mapeamento deixo ao cuidado do ciclo-blogger mais activo de Braga. Aqui fica:

Em Braga o percurso também é relativamente curto entre a estação e a empresa onde trabalho. Saio na Estação, subo a Rua dos Caires (um nome com muito potencial para piadas ciclisticas) até à igreja de Maximinos. Este bocado é a subir ligeiramente e em asfalto.

Depois entro pela Rua Peão da Meia Laranja  e Rua Felicíssimo Campo (não, não estou a inventar estes nomes) até á rotunda com a Rua Cidade do Porto*. A empresa onde trabalho fica a 50 metros daí. Este último bocado é em paralelo e a descer o que é excelente para relaxar e não ter que chegar ao trabalho ofegante.

À vinda para casa, o percurso em Braga é igual, mas mais cansativo porque sobe mais do que desce e porque o stress de conseguir apanhar o comboio obriga a esquecer qualquer cuidado para não começar a transpirar.

O percurso no Porto está já a fazer companhia aos outros ali na barra ao lado.

_________________

nome mai lindo para se dar a uma rua, numa cidade pelos vistos cheia de toponómios catitas.

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4 thoughts on “Testemunhos a Pedal XXII

  1. Pingback: Tirar os charutos do armário « Um pé no Porto e outro no pedal

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