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Pesadelo a pedal…

2011/06/11

… ou como se fica a dever um jantar a alguém a quem já se devia antes três finos.

Talvez a única coisa decente para ver em Contumil. Nós não a vimos.

Depois de uma semana a conduzir ou a ser conduzido IP2 a cima e a baixo, profissão ao que obrigas, tirei um dia de férias para múltiplos afazeres pessoais. Claro que estava mortinho por meter os dedos na Tai, que estava na garagem à espera desde Domingo.

A tarde começou no dentista, onde fui tirar os pontos que sobraram de uma operação mais ou menos complicada feita na semana passada e que me deixou com a cara num oito durante meia dúzia de dias. O António, dentista dedicado, contou-me como nesse dia se sentiu mal e foi para o ginásio depois de me ver a sair de bicla da intervenção.

O pesadelo que baptiza este post, começou quando estava a chegar ao edifício do consultório e o Pedro Candeias me ésseémeéssiou o seguinte:

Acabei de te ver ao pé do Hospital Militar.Vou comprar um telemóvel na Rotunda da Boavista. Se quiseres tomamos um café.

Concordei logo, azar o dele. Ia demorar pouco com o António e como sabia que ambos tínhamos mais tarde um compromisso no mesmo local, devolvi o desafio, com um upgrade: ir comigo aos quintos do inferno buscar um aspirador que estava a compôr depois da avaria mais estúpida da história dos pequenos domésticos. Podíamos tomar café na estação de Metro, já que as duas horas que tínhamos disponíveis obrigavam à sua utilização.

Chegados à estação da Casa da Música, depois do café, foi com desânimo que vimos que a linha laranja, a única para os quintos, só tinha serviço daí a 20 minutos, o que tornava a coisa apertada.

Solução? Ir até Campanhã e procurar o caminho a partir daí. O Pedro disse logo que era fácil, porque tinha um GPS espectacular.

Erro nº 1:

- Não confies no GPS de um telemóvel, especialmente se este for do Pedro Candeias.

Com a brincadeira do GPS perdemos mais de uma hora, já que a Paula, que é para não chamar outra coisa começada pela mesma letra à voz que nos guiava a partir do bolso do Pedro, nos mandou, perdida de bêbada, acima e abaixo em ruas de paralelo. Sim, a Cidade só é ciclável se conheceres os caminhos certos e estes não forem lá para o lado dos quintos.

Ao fim de uma hora e de completa meia volta à Itália, e só depois de perguntar o caminho a uns tipos dos SMAS que andavam a fazer cortes lá perto do Bairro do Falcão, lá chegámos ao moquifo onde o aspirador estava a compôr. Sobrava meia hora para chegar até à FEUP.

Erro nº 2:

- Quando estás de bicla, nunca digas “este saco deve dar”

Pois, o aspirador é um kit anti tudo e pró mais alguma coisa, mas oversized. Nem por sombras cabia na coisa tipo messenger bag que tinha levado cheio de boa vontade. O que por lá se arranjou foi um saco do Pingo Doce, daqueles para levar as compras todas de uma vez, o que implicou pedalar só com uma mão no drop-bar, o que numa bicla de corrida não é coisa fácil.

Resultado:

- Subimos a parede que é a Alameda de Cartes com as biclas à mão até à estação de Contumil. Os polícias que estavam lá em cima quase nos faziam perder ainda mais tempo. Quem conhece a zona, sabe que dois tipos morenos, um deles de camisa preta, a subirem a rua com duas biclas e um electrodoméstico são coisa no mínimo suspeita;

- O Pedro, que conseguia pedalar, ainda andou mais uns quilómetros e largou a bina no parque do Continente, tendo feito o resto do caminho de táxi;

- Eu desisti e meti-me no Metro em Contumil com a Tai mais o aspirador, só parando perto de casa.

Lessons learned:

- Pôr sempre em causa o optimismo do amigo, o tamanho da sua bagagem e a capacidade da montada para a tarefa a que se propõe, antes de empreender viagem complicada;

- Não fazer a coisa depender da tecnologia.

Um recado especial à minha senhora, que volta e meia lê isto: filhinha, um dia quando sair de casa à noite sozinho, já sabes porque é que tenho que pagar um jantar a um gajo.

17 Comments leave one →
  1. 2011/06/11 16.31

    Qundo um gajo se senta numa bicla tem sempre as melhores das aspirações, eheh. Boa aventura.

  2. 2011/06/11 16.31

    Arranja uma Xtracycle e não haverá carga que te surpreenda!

  3. 2011/06/11 16.31

    Epopeia do caraças…! :D Temos de arranjar um porta-couves dianteiro para as de estrada ;)

  4. 2011/06/11 16.31

    Deixo aqui o fim da turbulenta recolha do aspirador:
    Depois de atravessar o bairro de contumil (a subir, visto que nesse dia parece que todas as ruas foram feitas a subir) a tentar dar o máximo de velocidade que as pernas ainda permitiam, acabei por deixar a deencha – para quem n-ao sabe é o nome da minha bicicleta – presa ao suporte dos carrinhos de supermercado do parque de estacionamento do Dolce Vita Antas (pareceu-me o lugar mais seguro daquela zona da cidade, visto que tem muito movimento e seguranças a passear por lá) acabei por atravessar o centro comercial a correr para apanhar um taxi. Quando expliquei ao senhor taxista que estava atrasado este perguntou-me, calmamente – da mesma forma que conduzia – se eu queria que ele não respeitasse os vermelhos. Disse-lhe que não, e essa foi a melhor decisão do dia, visto que mesmo sem passar vermelhos e com a condução mais lenta da história dos taxistas do Porto, ia tendo um acidente quando já estavamos perto do destino. Acabei por chegar ao auditório a transpirar profusamente e a cheirar a pónei. Em algumas situações, é uma vantagem enorme morar em Portugal, assim, apesar de chegar dez minutos atrasado ainda tive que esperar mais quinze minutos para fazer o meu papel e falar para o auditório.
    Quando fui buscar a bicla, desta vez num mix metro-pés, acabei por ter um momento de iluminação e perceber o quanto me habituei a andar de bicla para todo o lado, olhava para o fundo das ruas que ia percorrendo a pé e pensava “a esta velocidade nunca mais lá chego”.
    A bicla estava no mesmo lugar onde a deixei o que me diz que aquele é de facto um lugar seguro para a deixar. Acabei por subir (foi a minha última escalada do dia) a Alameda dos Campeões e fazer o resto do percurso até casa. E assim se vai buscar um aspirador a contumil…de bicla.

    Algumas lições:
    - Planear é fundamental: Quando cheguei a casa e meti o percurso no mapa, percebi que todas as voltas que demos podiam ter sido evitadas. Do Dragão ao ponto de destino não eram mais de 2km, e sempre a descer. Claro que tudo o que desce, sobe, mas seria uma subida mais calma :)
    - A Marta do GPS é boa rapariga, mas está formatada para percursos carros/pé. Nunca confiar num gps que só considera estes dois tipos de transporte. Vou enviar um email para o senhor google a pedir para adicionar no google maps a opção “bicicleta” e que esta tenha em atenção o declive da estrada.
    - Se vais para os lados do bairro de contumil, não uses uma camisa preta.
    - Sempre que te convidarem para ir buscar electrodomésticos de bicicleta….aceita, quem sabe sacas um jantar, no pior dos casos um fino.

    • 2011/06/11 16.31

      Confesso que, já em casa, pensei na tua Deencha amarrada no Continente mais dread da Cidade….

    • 2011/06/12 16.31

      Descobri que o maps.google.com tem a opção bicicleta. O .pt não tem.

      • 2011/06/12 16.31

        é verdade… mas aparentemente não funciona no Porto… ‘too much complicated’ deve ele pensar!

  5. 2011/06/11 16.31

    Pedro, e a Marta é Paula, que é para não lhe chamar ganda p…

  6. 2011/06/11 16.31

    … alerma.

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