Testemunhos a pedal XIII
“Além de ser mais rápido do que qualquer outro meio de transporte, fica mais barato e ajudava-me a acordar logo pela manhã com o ventinho sempre a bater na cara! Ao final do dia era também um consolo percorrer facilmente a Avenida de França e ver o olhar de inveja de todos os automobilistas que estavam parados na fila de trânsito!”
A Clara, ou Dona Bicicleta, é designer e mais uma ciclista urbana cá do burgo. Nunca chegamos a conhecermo-nos pessoalmente, apesar de, mais uns camaradas, termos tentado mais do que uma vez que isso acontecesse.
Ao fim de uma loooooonga espera, finalmente caiu na caixa de correio o décimo terceiro testemunho, relatando a experiência diária da Clara no caminho para o seu antigo local de trabalho e que diz mais ou menos o seguinte:
“O percurso pode-se dizer que é de Baixa Dificuldade pois não incluía ruas muito íngremes, tão habituais aqui no Porto.”
Interrupção #1: são menos habituais do que parece, já que grande parte da cidade é mais ou menos plana, como podemos ver nos diversos mapas ali à direita. Desculpem a interrupção.
“Como o objectivo era chegar às 8h30 ao trabalho normalmente saía de casa por volta das 8h10 e descia a rua do Lugarinho até encontrar a Rua de Francos. Subia então alguns metros e virava logo na 1ª à direita para tomar a Rua de Domingos Machado. Ao encontrar a Rua de Pedro Hispano lamento informar que virava à esquerda e utilizava, com a maior das precauções, o largo passeio para puder chegar à Rua da Constituição e logo de seguida virar à direita na Rua de Francisco Sanches.
Interrupção #2: nós aqui na Adega pensamos que, já que a cidade não foi planeada a pensar nas biclas, há uma certa legitimidade para fazer uns atropelos ao código, nomeadamente no que respeita a utilização do passeio e dos sentidos proibidos. Tudo com o devido cuidado e respeito pelo peão (e motoristas, quando o merecerem). Continuemos.
“No final seguia novamente à direita pela Rua de Domingos Sequeira (ainda pelo passeio) cruzando a Rua 5 de Outubro (extremamente perigosa em horas de ponta) e tomando a direcção da Rua dos Vanzeleres. Seguia depois pela Rua de Fernandes Costa até à Rua de João de Deus, chegando finalmente à Avenida da Boavista. Atravessava a avenida e seguia pela Rua de Guerra Junqueiro (onde os carros se amontoam à porta de um Jardim de Infância) e virava à direita para finalmente chegar à Rua de António Patrício e ao meu local de trabalho.
No regresso costumava fazer um percurso diferente, saindo da Rua António Patrício e seguindo calmamente pela Rua do Monsenhor Fonseca Soares virando à esquerda para a Rua de Agramonte e de seguida à direita para a Avenida da Boavista. Aqui aproveitava a via sem trânsito que existe no meio dessa zona da avenida e seguia até à Casa da Música. A partir daí, uma vez mais, utilizava os passeios largos e seguia em volta da Rotunda da Boavista (que me parece com demasiado trânsito para me arriscar a utiliza-la de bicicleta) até chegar à Avenida de França. Daí em diante espera-me um passeio largo e quase sem pedestres que me leva até ao final da avenida e me deixa na Rua da Prelada que desço até à Rua dos Castelos e finalmente a Rua do Lugarinho.
As vantagens de fazer este percurso de bicicleta são inúmeras! Além de ser mais rápido do que qualquer outro meio de transporte, fica mais barato e ajudava-me a acordar logo pela manhã com o ventinho sempre a bater na cara! Ao final do dia era também um consolo percorrer facilmente a Avenida de França e ver o olhar de inveja de todos os automobilistas que estavam parados na fila de trânsito!
Na minha opinião circular de bicicleta na cidade do Porto não é tarefa fácil, muito em parte por haver poucos ciclistas e os automobilistas não estarem atentos aos poucos que transitam.
Por várias vezes levei buzinadelas antipáticas de automobilistas apressados e vi portas a abrirem-se inesperadamente. Por sorte, nunca até agora tive um acidente mas confesso que à medida que ando mais de bicicleta na cidade do Porto, ao invés de me sentir mais confiante, sinto antes mais temor e procuro andar sempre muito, mas mesmo muito, atenta!
Há uma coisa negativa que obviamente salta à vista neste texto, o tempo verbal utilizado, que se deve a um contratempo que tem obrigado a nossa amiga a recorrer aos laranjinhas da STCP. Clara, faz então favor de começar a pensar num novo testemunho, conjugado no presente.
O percurso está já disponível ali ao lado, destacando-se na ida a passagem em glória em frente à PSP (S. João de Deus) em contramão (ou pelo passeio).





“Ao final do dia era também um consolo percorrer facilmente a Avenida de França e ver o olhar de inveja de todos os automobilistas que estavam parados na fila de trânsito!”
É mesmo, eu que o diga!
Primeira nota: evitar de todo circular nas estradas e ruas em contra mão. Quando se torna conveniente, por economia de tempo ou evitar declives acentuados, circular cuidadosamente então pelos passeios. Na falta de alternativas é preferível apear-se e seguir a pé de mão dada com a bina.
Nota final: Mesmo perante todas as adversidades, críticas, mentalidades e abusos de autoridade, devemos insistir e não desistir da bicicleta.
Olá Paulo, percebo bem a Clara… o meu pai para evitar a 5 de Outubro faz toda a zona das Artes Gráficas / Vanzelleres em cima do passeio. Se fosse desmontado a bicla deixava de ser competitiva no que respeita ao tempo da viagem.
O jeito que dá andar com uma bina de corrida para as acelarações rápidas na 5 de Outubro.
Concordo contigo Miguel, mas desde que não nos apareçam destes imbecis a multar a gente!
Então não dá! E a Tai, já rola nos trinques?
Sim! Quase na perfeição.
1. hoje apareceu um problema – dá ideia que o desviador “descaiu”, por isso tenho a corrente a bater e a fazer um barulho desgradável – vou tentar resolver no intervalo da tarde.
2. esta semana vai levar o pneu da frente novo para ficar a condizer com o traseiro. Vai levar também fitas novas (postas como deve ser) .
há uma série de peças (parafusos e merdices) já muito batidas – acho que vou começar uma nova operação de limpeza e substituição de coisas velhas.