Motivar as Massas XL

… que para quem não sabe, quer dizer quarenta em romano.

Chegada à praia, com a descendência montada no Leco Child Seat instalado na velhinha Nortada.

O último ano foi, digamos assim, revolucionário lá em casa.

Passámos de uma situação em que 3 pessoas precisavam de 2 carros, para  outra em que mal usamos um. Até há pouco tempo a excepção era o fim-de-semana, mas recentemente até as deslocações de lazer são feitas de bicla.

Com o patronato a optar definitivamente pela fiel amiga como principal meio de transporte, o carro serve basicamente para deslocações mais longas e alguns “despejos” da descendência na escola, isto quando não vai montada na bicla do pai.

Ribeira: boas-vindas ao fim-de-semana.

A vida de repente ficou mais divertida. Às sextas-feiras entraram na rotina os encontros depois do trabalho para um finório, ou um jantar ao ar livre. Com o Verão a ganhar consistência, vai-se para a praia a pedal, tal como para o super-mercado para as compras de fim-de-semana.

O próximo passo no processo de independência do agregado vai ser a transformação da Nortada numa coisa mais comprida. É que a partir de Setembro as idas para a escola de bicla vão ser diárias e o Leco ainda chega, mas a descendência vai para grande e não para pequena. Ah, assim também vou poder ir com o Alex às couves.

2ª Conferência Cidades pela Retoma no Porto

Depois do sucesso da primeira edição, a Associação de Cidadãos do Porto e o Porto24 estão a organizar um novo evento Cidades pela Retoma no Porto.

Vai ser já nos próximos dias 3 e 9 de Junho (Sexta e Quinta-feiras), no Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC. Ficam os detalhes.

2ª Conferência Cidades pela Retoma Porto

A segunda conferência Cidades pela Retoma no Porto é dedicada a projectos que estão a nascer na Cidade numa altura de grande crise e incerteza. Serão duas conversas em torno de projectos desafiadores, de natureza empresarial ou cívica, promovidos por cidadãos e pautados pela criatividade.

3 Junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Miguel Barbot | ACdP

Reabilitação Low-cost | Filipe Teixeira | Plano B e Low-cost Houses

A criatividade em tempo de crise: caso FilmesdaMente | Nuno Rocha e Victor Santos | FilmesdaMente

Projecto Es.Col.A | João Taborda e Ewelina | Es.Col.A: espaço autogestionado do Alto da Fontinha

9 junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Vitor Silva | ACdP

Media pela Cidade | Ana Isabel Pereira | Porto24

Por uma reabilitação urbana Open Source | Adriana Floret e David Afonso | Floret Arquitectura

Ideias para a Cidade | Alexandre Ferreira e Pedro Menezes Simões | ACdP

Global City 2.0 e encerramento | José Carlos Mota | Cidades pela Retoma

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Associação de Cidadãos do Porto

A ACdP é uma organização informal e aberta a todos os cidadãos preocupados com o futuro do Porto, que tem como um dos seus objectivos criar pontes entre as pessoas e grupos que de alguma forma intervêm no sentido da melhoria da qualidade de vida na Cidade.

Web | Facebook

Porto 24

A Porto24 é uma rede de informação local dedicada ao Grande Porto. Nasceu em Dezembro de 2010 e inclui um jornal, o Porto24, uma revista de arte cultura e lazer, a Praça, e um guia de locais, o Locais. Cada utilizador da rede Porto24 tem uma página de perfil onde, entre outras coisas, pode guardar notícias e reportagens para ler mais tarde, recomendar conteúdos a outros utilizadores, criar grupos de interesse e seguir a actividade de outros membros da comunidade. O projecto tem uma forte componente multimédia e quer estar próximo dos seus utilizadores.

www.porto24.pt | praça.porto24.pt | locais.porto24.pt | comunidade.porto24.pt

Movimento Cidades pela Retoma

O Cidades pela Retoma é um movimento cívico dedicado a discutir e promover o papel das cidades em tempos de transição dos modelos sociais e económicos. Parte do princípio de que as cidades são um contexto especialmente indicado para produzir inovação social criativa, rápida e profunda.

Foi desenvolvido no espírito do Ano Europeu do Voluntariado para promover uma cidadania mais activa e tenta envolver cidadãos, grupos e instituições em todo o mundo. Para isso, montou o projecto Global City 2.0, um ‘mapa’ mundial de sites e blogs sobre temas e problemas urbanos, da escala da rua à da cidade, promovidos por gente empenhada em pensar colectivamente sobre o futuro dos sítios em que vive e trabalha. O objectivo é promover a troca de conhecimentos e experiências e fazer circular ideias e soluções que, venham de onde vierem, possam ser aplicadas localmente. O Movimento está representado em todo o País.

Web | Facebook

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 Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC | Praça Coronel Pacheco, 2, 4050-453 Porto

Inscrições: acdporto@acdporto.org

Crónicas do Primeiro Mundo XXXIX

Paredes inaugura serviço de partilha de bicicletas

Um serviço de uso partilhado de bicicletas, que vai custar cinco euros por ano a cada utilizador, vai estar disponível a partir de terça-feira em Paredes.

Praça central de Paredes, parque da cidade, estação do caminho-de-ferro, mercado, hotel e zona escolar serão alguns dos pontos onde haverá possibilidade de solicitar uma bicicleta.

O autarca lembra que nos últimos anos a cidade foi beneficiada com arranjos que procuraram diminuir as barreiras arquitectónicas, facilitando a circulação pedonal ou de bicicleta.

No JN.

Crónicas do Primeiro Mundo XXXVIII

Metro do Porto sem dinheiro para pagar as dívidas “corre o risco de parar”

De acordo com o “Jornal de Noticias”, o Metro do Porto está sem dinheiro para pagar as dívidas. 

As revelações foram feitas por Ricardo Fonseca, presidente do conselho administrativo do Metro do Porto, que apenas cumpriu um mandato na empresa. 

(…)

Este indicou a sua decepção pelo congelamento da segunda fase da rede e voltou a referir a gravidade das deficiências do financiamento da empresa.

No Jornal de Negócios.

Quase meio ano depois…

… está tudo na mesma. Ou quase.

O chão está mais surrado e já há parte do pavimento levantado.

Curiosamente, parece que são  próprios galeristas (pelo menos parte deles) os primeiros a perverter o propósito desta obra de mais de meio milhão de euros. Irónico (ou talvez não), terem sido eles a principal força de pressão para a obra avançar e agora, passado pouco tempo, não resistirem a deixar o carro à porta do estaminé.

Para o caso de vir aí um tufão

Keith Cardwell

O João deixou um comentário (muito simpático por sinal) no último post, onde disse que está quase quase a juntar-se ao bando de jabárdos que são os ciclistas urbanos do Porto.

O problema é que o João está a stressar por antecipação. O seu único medo é a chuva e pediu alguns conselhos sobre esta matéria e quiçá um post dedicado ao tema.

Como não queremos perder o Cascão João antes de o termos tido e  apesar de o Verão estar à porta e ter estado um rico Domingo, que até já rendeu um passeio só pelo passeio aqui no bairro, ficam então umas dicas sobre andar à chuva. Com as devidas reservas, porque este conjunto de palpites altamente valiosos vêm de alguém que não tem absolutamente cuidado nenhum com a água e não respeita nenhum deles, à excepção do penúltimo.

Mas, antes disso, há duas coisas que o João deve interiorizar:

1. A chuva é relativa – em grande parte dos dias cinzentos, quando há ameaça, basta estar atento às abertas. É um coisa que se aprende. Neste inverno só fui de STCP meia dúzia de vezes e foram quase todas seguidas, naquelas semanas de temporal. Nunca cheguei ao escritório molhado, apesar de o mesmo não ter acontecido no regresso, altura em que me preocupo menos;

2. A chuva é psicológica.

Avancemos então para os prometidos truques, fundamentalmente coisas que fui ouvindo aqui e ali sobre a matéria:

  • Levar equipamento nos alforges. Um impermeável fininho e dobrável é uma boa ideia. Uma excelente ideia são umas rain mates. Se não tiver alforges, um saco do Minipreço pendurado no guiador também dá.
  • Ter guarda-lamas. É essencial para manter a pessoa seca quando não chove, mas já choveu. Eu pessoalmente não abdico da sensação de levar com um esguicho de água gelada vinda da roda da frente nos dias mais frios do Inverno, especialmente se os dias forem de noite. É único sentirmo-nos uns anormais e que ainda temos margem para melhorar, mesmo que no fundo já não tenhamos remédio;
  • Ter um telemóvel, ou na pior das hipóteses um Andante. O primeiro para chamar alguém, e o segundo para caso de não haver alguém, se poder apanhar o Metro. Pode dispensar o Andante, especialmente se a linha for daquelas à superfície (pica não gosta de água);
  • Ter uma fixie com pneus fininhos e travão à frente, para aproveitar todo o potencial do dia molhado. Faz um gajo sentir-se vivo quando o piso está encharcado, tipo isto.

Se alguém quiser acresecentar alguma coisa, faça favor, desde que não sejam mariquices.

I love public transportation…

… pela quarta vez.

Então ontem lá fui com o Sérgio dar um mergulho no tanque, que foi parcialmente documentado pelo cycle advocate mais famoso lá da terra.

Como a malta só anda de carro de vez em quando, decidimos vencer os 50 quilómetros até Braga num percurso bicla – metro – combóio – bicla, o que foi uma opção muito acertada, até porque era a única éticamente aceitável dada a natureza do evento.

As biclas são bem-vindas nos suburbanos do Porto e não foi uma viagem de 2,5€ complicada. Chegados a Braga, depois de 10 minutos de explicações por parte de um condutor dos CTT Expresso, percebemos que estávamos muito perto do destino. Rompemos pelo meio de uma feira romana onde a maioria dos fregueses eram césares e  os celtas tocavam modernas gaitas de foles, o que até ia bem com as havainas que levavam enfiadas nos pés. Foi o segundo momento mais difícil da viagem.

O regresso foi feito contra relógio, rompendo novamente pelo meio dos romanos e celtas, tendo tido direito a um encosto provocador por parte de um bárbaro, que, nas palavras do Sérgio, “já não vinha sozinho”. Foi o momento mais difícil da viagem.

E porque é que I love public transportation? Porque só o public transportation nos proporciona momentos como o que vivemos no regresso às 23h30, num comboio meio vazio: a chegada do Wolf, americano de New Jersey, radicado na imbicta e com experiência de vida em Londres, Amesterdão e Copenhaga.

Wolf, os seus cães e as bicicletas.

Então foi assim: estávamos já sentados, quingas recostadas num dos bancos, quando se ouve um grande estadalhaço e um carrinho de supermercado rompe pelo combóio dentro (consegui usar o verbo ‘romper’ três vezes em dois parágrafos, boa!). O carrinho de supermercado era empurrado por um senhor de meia idade e vinha carregado de cães recém-nascidos mais o seu paizinho.

Foi o ínicio de uma longa conversa sobre tudo e mais alguma coisa, desde o ciclismo no Porto e nos EUA, ao preço das casas de um construtor famoso, à política nacional de obras públicas, até aos índices de pluviosidade no Alentejo interior e o valor dos seus solos agrícolas.

Pelo Wolf, ficamos ainda a saber que nos combóios se podem transportar vários tipos de animais, incluindo galinhas (as que se quiser), répteis (até uma dada dimensão) e cães desde que tapados. Por isso o carrinho tem uma tampa à medida. Registou-se que normalmente os picas implicam com os cães, mas não com as galinhas.

Trocamos contactos, aliás, nós demos os contactos, porque o Wolf não tem email. Ficamos de falar em breve.

Chegados ao Porto decidimos “passar” o metro e pedalamos calmamente pela baixa. Ainda fizemos um pit stop para ver a Acampada na Batalha e trocar uns dedos de conversa com o pessoal que por lá andava.

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PS: não sei como, mas esqueci-me de referir a cicloficina extra que tivemos por volta da 1h30 da matina aqui. Aquilo que começou por ser um “voltar a pôr a corrente no lugar” passou a uma longa afinação de mudanças.

Testemunhos a Pedal XIX

“De volta para casa vou alternando o percurso. Permite-me viver “outra cidade”, alimentar e desenvolver o comércio local, contrariando os percursos das auto-estradas ou variantes que nos “despejam” num qualquer centro comercial ou hipermercado.”

“É muito bonita é! Mas se lhe falha a dobradiça…”

O João é o décimo nono freguês a deixar bilhete aqui na espelunca e é o segundo a contar como é a vida a pedal do lado de lá do rio.

Na outra margem, há 16 anos atrás, o percurso começava em Gaia e terminava nas piscinas do CDUP. Duas vezes por semana ía pelo tabuleiro superior da Ponte D. Luís, onde encontrava o pior piso do percurso e uma falta de civismo que era um verdadeiro perigo. Seguiram-se quatro anos de pedaladas pela cidade de Aveiro, onde vivi e estudei e umas férias de verão a pedal (eu, a bicicleta e a tenda no interior alentejano).

Depois de um interregno, comprei há dois anos uma dobrável para fazer duas deslocações semanais (Gaia-Carvalhido). Foi fácil concluir que tentar atravessar para o outro lado às 19h00 era uma corrida contra o tempo e que a viagem podia ser mais agradável e desconstraída quando combinada com o metro. A viagem para casa (pelas 21h30) era sempre a pedalar e permitia ver a cidade e as suas alterações de semana para semana.

No metro aprendi a ignorar olhares menos simpáticos, uns “chega para lá” e os fiscais a dizerem que não podia andar de bicicleta em horas de ponta (mesmo que a bicla ocupasse menos espaço que alguns sacos que por lá andavam). Um dos momentos mais engraçados foi uma conversa entre dois senhores: um maravilhado com a bicicleta que ocupava muito pouco espaço e outro que disse “É muito bonita é! Mas se lhe falha a dobradiça…”.

As minhas deslocações são divididas entre bicicleta (em Gaia), carro partilhado ou combinação de comboio e bicicleta (quando vou dar aulas a Aveiro). Tenho semanas em que só pego no carro para ir surfar (outro) ou para deslocações mais específicas. É tudo uma questão de organização, acabamos por simplificar a vida. Estou próximo de me tornar num condutor de fim-de-semana, o que é muito bom!

Actualmente, o meu percurso de casa para o escritório não é muito longo (demoro cerca de 10 a 15 minutos). Tem um início próximo da Câmara de Gaia e termina no Monte da Virgem a cerca de 150 metros da RTP. Como é sempre a subir, defini um percurso onde a inclinação é diluída e onde fujo aos tubos de escape da Avenida da Républica. Contudo, não é possível fugir às obras e constantes alterações de percursos derivadas da construção da estação de metro de Santo Ovídeo. De qualquer modo chegamos ao trabalho com outro ânimo!

De volta para casa vou alternando o percurso. Permite-me viver “outra cidade”, alimentar e desenvolver o comércio local, contrariando os percursos das auto-estradas ou variantes que nos “despejam” num qualquer centro comercial ou hipermercado. Podemos descobrir e usufruir da frutaria que vende kiwis nacionais, de pequeno calibre (fruta mais fruta) a 0,59€/kg e que estão à venda nos hipermercados por 1.49€/kg. São mais pequenos é verdade, mas são de certeza mais saborosos, por isso comemos logo dois!

 Não penso que a topografia do Grande Porto seja um problema para quem anda de bicicleta: acho que as infraestruturas estão mal optimizadas, feitas com o carro a ocupar o papel central. Algumas empresas de transporte não servem as populações da forma mais adequada e muitos delas continuam estupidamente de costas voltadas.

Como designer, a questão da mobilidade sustentável e a criação e manutenção de sistemas abertos/colaborativos é algo que me interessa e que ando a estudar (doutoramento), pois acredito que para além de serem um meio de criar cenários mais ecológicos, podem ter um profundo impacto para desenvolvimento social e económico sustentável.

O João deixou este link e mais este. O mapa está ali na barra da direita .

1PNPeONP informa

Mensagem enviada pelo Gustavo que pode interessar a quem for uma das milhares de pessoas que vão passar este fim-de-semana por Serralves:

Perguntei ontem “a Serralves” se era possível ir de bicicleta e se havia sítio para a guardar, reponderam-me há um bocado:

“Relativamente à questão que nos colocou, temos todo o gosto em informar que é possível vir ao Serralves em Festa de bicicleta e que a poderá deixar guardada na Garagem do Museu num espaço que lá se encontra reservado para as mesmas. Agradecemos que durante este fim de semana de Serralves em Festa, a título excepcional, a entrada de Bicicleta para o espaço da Fundação seja feita pela Portaria no Largo D. João III nº.36 (entrada veículos junto à Escola Francesa).”

Motivar as Massas XXXIX ou amanhã…

… há Massa Crítica e estão todos convocados.

Afonso Massa Crítica. Imagem do Nuno O sacada do tambeler do Nuno G. Também vai haver noutros locais a Norte, incluindo Guimarães.

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PS: chamemos ao post Motivar as Massas XXXIX, após sugestão recebida no Facebook. É porque DEPOIS VAI HAVER SESSÃO DE FINOS (na modalidade cada um paga o que bebe).

The Suburbs, outra vez

Fui ao belíssimo espaço do Nuno para o “referenciar” naquilo que vai ser o post seguinte e sorri (mesmo muito) ao ver isto.

Restaram-nos os locais como aquele onde cresci e que são o pior de dois mundos: sem serviços e vida social de uma cidade, e sem o estilo de vida ao ar livre e diverso do campo, preso ao carro ou preso a casa. 

Numa cidade como a nossa, em que o regresso ao centro se configura como algo muito pouco acessível ao comum dos trabalhadores e onde se nota a expansão do trabalho para as periferias, quem estiver dependente do carro e dos preços da gasolina vai ficar mesmo preso a casa. E se a casa for em Aldoar, como a minha, a única coisa que tem para fazer, para além da corridinha no Parque da Cidade, é acampar no tasco do Manel lá na cooperativa.

Com a crise, parece que se perdeu o timming para investir na expansão do metro, na linha de Leixões, na linha do Minho, etc e tal, no fundo na prepararação do mapa ferroviário do Grande Porto para o século XXI. Mas não, passamos a última década a investir em auto-estradas paralelas e agora acabou-se o guito. E a gota.

Qualidade de vida e direitos adquiridos

Tenente Valadim, hoje.

Para o português médio (uma bela forma de chamar “básico” a um grande grupo de pessoas), a rua é propriedade de quem lá mora. Para o português médio, não haver um lugar para amarrar o bicho à porta, mesmo que esse nunca tenha existido antes de adquirir a maison ou estaminé, justifica qualquer infracção, porque um lugar à porta do tasco é um direito adquirido.

A senhora proprietária deste todo-o-terreno, que não é bem um todo-o-terreno mas ocupa o mesmo espaço, é velha conhecida aqui da adega e arranjou uma artimanha para ter, todos os dias, a coisa parada à porta do infatário onde trabalha: Deixa-a em cima do amarelo, mesmo que isso entupa a rua toda, e manda alguém tomar conta a ver se a polícia vem.

Porque raramente não consegue fugir da multa e como a polícia de vez em quando vem mesmo e deve ter vindo um destes dias, hoje a “bolinha de prata” era o único empecilho a ocupar a faixa.

Há poucos dias, no “Totobola Stop”.

Entretanto, nos momentos raros em que não há outros carros no amarelo para além do da nossa amiga, há sempre quem ache aquilo uma farturinha e faça mais um “totobola stop” na tabacaria.

Insisto. Já que aquela via é inútil para os carros, transformem aquilo numa ciclofaixa, que os ciclistas tratam de fazer com que as coisas funcionem. E com o espaço que sobrar, podem alargar o passeio, já que aquele é, para todos os efeitos, um acesso ao Metro.

PROTESTO E PROPOSTA: O futuro do Mercado do Bom Sucesso

É preciso que tudo mude, para que tudo possa ficar como está, já dizia Lampedusa (primeiro) e mais umas dezenas de comentadores (depois), a respeito de tudo e de nada. Esta constatação aplica-se bastante bem à discussão sobre o mercado do Bom Sucesso, assim como à maioria dos espaços da cidade onde a falta de imaginação e a lei do menor esforço se aliam para definir as soluções menos interessantes e mais conformistas para a sua regeneração.

Ninguém duvida que um mercado de frescos tradicional deixou de ser um tradicional mercado de frescos. E que a “população” tem mais sítios onde ir, uns melhores, outros mais baratos, outros mais funcionais. Isto é assim em qualquer parte do mundo; só que a população não é uma entidade homogénea, e os estudos ou intuições sobre “o que as pessoas querem” não têm muito valor numa socidade complexa e variada. Por isso, nem colhe o argumento de que o “mercado tradicional” deixou de fazer sentido numa sociedade moderna e automobilizada, nem o de que há que lutar contra as cedências “ao capital” contra o serviço público da população. O primeiro faz de conta que só existe um tipo de pessoas e de hábitos, o segundo finge que a ideologia e a classe social influenciam a nossa compra de frutas e legumes.

O problema é outro, e tem a ver com as funções PARALELAS presentes na cidade, que servem ricos, pobres e remediados, turistas, residentes ecity-users. Tal como a existência de analfabetos não invalida a necessidade de ter universidades, é a questão pragmática da diversidade, da acumulação, e até de alguma “redundância necessária” que importa discutir. Para além, claro, da questão patrimonial, amplamente defendida por arquitectos e outros profissionais preocupados com o modo como uma proposta formal excessivamente afirmativa desvirtua em absoluto as características essenciais do mercado. E não, a “fachada” não é o mais importante. Aliás, o fachadismo teve o seu tempo: é preferível pintar a fachada do mercado de rosa-choque e manter aquele espaço interior iluminado e íntegro, a usar o velho truque da “caixa dentro da caixa” para atafulhar o mercado de volumetrias insólitas.

Finalmente, a ideia de que o acesso aos escritórios e serviços “obriga” as pessoas a passar necessariamente pelas poucas bancadas que restarem enferma de uma visão de mercado-jardim-zoológico (para subir ao mezzanine e espreitar o ‘exótico’) que vale tanto como dizer que a indústria têxtil do Porto está viva nas maquinetas do NorteShopping.

Por tudo isto, há que passar do protesto à proposta, e aprender com cidades que já regeneraram os seus mercados e fizeram deles fontes de diversidade social, oferta comercial paralela, rentabilidade e turismo. Ficam algumas sugestões:

  1. Modernizar a oferta dos mercados da cidade através de ‘especializações’ paralelas e variáveis: produtos gourmet, mas também frutas frescas, happy hours de sumos naturais, produção biológica, gastronomia de outros continentes e culturas, etc.
  2. Em função da localização, apontar a divulgação e a oferta ora para residentes, ora para turistas, ora para city-users. Os mercados não servem todos o mesmo público (e o ‘povo’ não está sentado à espera para lá ir).
  3. Funcionamento em rede: criar uma rede ‘oficial’ de mercados da cidade, a partilhar recursos, eventos e públicos, tornando eficaz a gestão e transmitindo uma ideia de dimensão e massa crítica, que pode até ser exagerada, mas é útil.
  4. Em horários alargados e versáteis, levar todo o tipo de eventos aos mercados. Numa cidade que passa o tempo a organizar eventos, feiras e congressos ligados à gastronomia e vinhos, porque não aproveitar a Essência do Vinho, o Porto.come, a Rota do Gosto, os congressos internacionais de gastronomia, as dezenas de workshops, provas de vinhos, apresentações de escolas de hotelaria e de restaurantes, etc.? Tudo isto podia ser realizado na rede de mercados do Porto, de forma rotativa. Basicamente, centralizar tudo o que tenha a ver com gastronomia e vinho, um dos pontos fortes da cidade, como forma de actualizar as funções dos mercados, com consequências óbvias na atitude (e na renovação geracional) dos vendedores, nos horários de funcionamento, no tipo e diversidade de públicos e na rentabilidade.
  5. Finalmente, integrar estes espaços nas redes europeias e mundiais de mercados de frescos (que existem) e com isso partilhar produtos, divulgação, programas educativos, etc.

Ou seja, trata-se de assumir a diversidade, compreender os novos tempos, aprender com quem já passou pelos mesmos desafios, não transformar tudo em batalhas ideológicas e, principalmente, usar a imaginação para perceber que os hábitos das pessoas não são tão regulares como as estatísticas mostram e que a cidade ‘social’ muda muito mais depressa do que a sua correspondente ‘física’.

Na Associação de Cidadãos do Porto.

Ler também este texto dos secretos.

Ler o manifesto dos agentes culturais do Mercado do Bom Sucesso Vivo, do qual a ACdP é subscritora.

Testemunhos a Pedal XVIII

“Fiquei sem carta de condução em Março de 2009 e decidi pegar na bicicleta para me deslocar … até hoje.  Estou a gostar tanto da experiência que a carta continua por levantar.”

Já se investia uns trocos para tornar esta coisa ciclável.

O Gustavo deixou um comentário com  brinde neste post e logo teve o que merecia: o pedido para se explicar melhor.

Ao ver o mapa deixado no comentário, percebi que o nosso amigo é praticamente meu vizinho, morando a metros de mim e trabalhando também bastante perto aqui da oficina, curiosamente, na rua onde morei durante 5 anos.

Ora então aqui está o décimo oitavo testemunho, que vem reforçar a necessidade de melhorar um dos pontos negros no acesso a centro da Cidade:

Fiquei sem carta de condução em Março de 2009 e decidi pegar na bicicleta para me deslocar … até hoje. Fiz mais de 2.000Km nestes dois anos.

 Comecei a andar de mota aos 14 anos e depois de carro a partir dos 18, e demorei 20 anos a chegar à conclusão de que raramente preciso dele.  Aliás, estou a gostar tanto da experiência que a carta de condução continua por levantar.

Demoro em média uns 12min a fazer os cerca de 3,5Km de casa ao escritório, menos ainda na volta, e como tenho uma profissão “de escritório” – sou programador informático – não preciso de me deslocar a lado nenhum durante o dia, o que me permite vir de bicicleta.

O caminho casa-escritório-casa – que conheces bem – é bastante fácil de se fazer, nos dois sentidos, o único problema é mesmo o vento, quando sopra forte… de resto é praticamente sempre plano e com bom piso, tirando o viaduto pedonal por cima da VCI que no início é uma autêntica parede*. A alternativa, o viaduto das Andresas, acaba por ser mais difícil por ser também bastante inclinado e mais longo, portanto uso sempre o primeiro.

Não acho que o Porto seja tão acidentado como dizem, ou pelo menos que o facto de o ser impeça o uso diário da bicicleta. É uma questão de escolher os melhores percursos e aprender a utilizar as mudanças correctamente. E o mesmo em relação ao clima: apesar de chover bastante, há sempre uma aberta suficiente para se chegar seco. O calor é que torna as coisas mais difíceis, mas a um ritmo baixo evita-se a transpiração.

Os carros nem são um problema por aí além, tirando os apressados que pressionam para ultrapassar… duas e três vezes, porque acabam por ficar presos no transito logo ali à frente.

 O que tenho reparado é no cada vez maior numero de ciclistas com que me cruzo diariamente… noutro dia contei 12, e vejo sempre caras novas!

O percurso do Gustavo é muito semelhante ao meu próprio percurso (Aldoar – Casa da Música – Palácio) e também ao do meu pai, pelo que optei por ter os três no mesmo mapa, com as diversas particularidades de cada um assinaladas com cores diferentes. O meu testemunho, que deu origem a este percurso, já sofreu algumas alterações devido a atalhos descobertos entretanto, tal como poderão descobrir no mapa.

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* É isto que é urgente melhorar – uma vez propuz isto: “Beneficiar o viaduto actual, tornado-o mais ciclável – implicaria amenizar o declive de entrada no lado das Andresas e eliminar a actual aberração que é a montanha russa invertida, com descida a pique a meio e subida violenta no final, nas traseiras dos Boapor”.

Testemunhos a Pedal XVII

“No regresso reparei que afinal estava tão transpirado como quando venho de bicicleta porque o carro estava ao sol e portanto quente e as costas em contacto com os bancos também transpiram.”

O Alexandre, deixou um comentário num testemunho anterior e foi imediatamente cravado para responder ao desafio da Adega do Ciclista:

“Gostarias de contribuir com umas linhas sobre a tua experiência, percurso realizado diariamente (para fazer um mapa), principais dificuldades que encontras e sugestões para os ciclistas do Porto?”

O percurso do Alexandre é uma bela estopada. Esperamos que  a sua frequência passe a diária brevemente.

“Com o nascimento do meu filho o meu tempo para actividade física diminuiu consideravelmente. Como tenho a possibilidade de tomar banho no emprego, lembrei-me que poderia juntar o útil ao agradável e começar a utilizar a bicicleta em algumas deslocações.

O percurso é entre Matosinhos Sul e a Rua Major David Magno (perto de Fernão Magalhães) e tenho tido abordagens bastante diferentes na ida e no regresso.

Na ida faço um percurso mais longo, mais “turístico” e mais puxado fisicamente, tomando um banho quando chego ao destino. Faço-o de manhã cedo, contemplando o mar, o rio, a cidade a acordar e acabando com uma forte subida, que é um bom treino matinal.

No regresso, faço um percurso mais directo e como é praticamente sempre a descer ou plano, faço-o relaxadamente. Por razões de horário apenas faço isto duas vezes por semana, mas tenciono aumentar a frequência.

Quanto às principais dificuldades, nota-se sobretudo que a malta dos carros não está educada/preparada para conviver com as bicicletas, mas confesso que pensava que era pior e até tem corrido relativamente bem.”

Algumas sugestões e comentários:

  • A questão do declives não é assim tão trágica: é preciso gerir as energias pois tudo o que sobe, também desce;
  • Outra questão é a transpiração: tenho vindo a notar que à medida que vou andando mais, esta questão é cada vez menor. Na semana passada, atrasei-me e acabei por ir de carro. No regresso reparei que afinal estava tão transpirado como quando venho de bicicleta porque o carro estava ao sol e portanto quente e as costas em contacto com os bancos também transpiram (não costumo usar ar condicionado);
  • Concordo cada vez mais com a ideia que já aqui alguns defenderam: não são necessárias muitas ciclovias; faixas junto à berma pintadas no chão e umas campanhas de educação/sensibilização para automobilistas poderiam resolver a coisa;
  • Acho que os “biciclistas” devem parar nos vermelhos: se queremos ser respeitados também devemos respeitar o código da estrada.”
Os percursos estão já ali na barra da direita.

Testemunhos a Pedal XVI

“Ficamos mais ligados ao ritmo da cidade. Cumprimentamos as pessoas e elas a nós e de repente parece que já não estamos na cidade! Incrível não é?”

Para ir surfar é preciso uma prancha, não um carro.

O Alex, já me tinha enviado um postal com palavras simpáticas, que prontamente afixei na parede rançosa da Adega do Ciclista.

A minha resposta, longe de ter sido antipática, levou como brinde a exigência de um testemunho, ou pelo menos do percurso. Aqui estão eles, chegados directamente da Finlândia, que é por onde o nosso amigo andava quando escreveu estas linhas.

 Não é grande percurso, mas este é o que faço para o escritório. Vou para todo o lado de bicicleta, só uso o carro para is surfar e ir aos biológicos em Matosinhos ao Sábado.

 Quanto às maiores dificuldades, aqui vão algumas:

  • Falta de locais dignos para acorrentar a besta. Provavelmente com condições mais pessoas fariam pequenos percursos de bicicleta. Sem terem onde deixar o meio de transporte com alguma segurança fica difícil.
  • Falta de ciclovias (esta é óbvia mas digna de constar na lista).
  • Falta de civismo dos condutores, passam cada rasa e abrem a porta sem olhar! Se fosse um carro olhavam de certeza! Eos melhores são os que gritam de janela aberta quando passam por nós! Já apanhei cada susto!
  • Casa de banho tipo balneário nos locais de trabalho, como nos países mais ao centro da Europa. É que no Verão o alcatrão aquece e sabia bem poder refrescar.

 As principais sugestões para os meus caros colegas do ciclismo urbano:

  •  Usar sempre capacete, esta não tem desculpa.
  • Comprar umas boas luzes, já que no inverno é vital ser visto!
  • Ter sempre um impermeável pequeno enrolado na mochila ou um no escritório. Dá jeito para aquelas horas extra que de vez em quando se fazem e para evitar o fresco característico do Porto ao final do dia e de manhã cedo.
  • A última aquisição e a que mais jeito me deu foi uma mola para segurar as calças. Assim evito ficarem presas na corrente! (aqui o Alex introduziu uma onomatopeia representando o riso desbragado). Foram os melhores 4 euros que gastei!

 Acima de tudo, espero que aos poucos as pessoas se libertem do automóvel, pelo menos na cidade. Sabe tão bem sentir os fresco da manhã, ouvir os pássaros e sentir a nortada na cara nos meses de Verão! Ficamos mais ligados ao ritmo da cidade. Cumprimentamos as pessoas e elas a nós e de repente parece que já não estamos na cidade! Incrível não é?

Deixem-se de merdas (nota do tasqueiro: adoro pequenos palavrões mas nunca tive coragem para os escrever aqui, obrigado Alex) e experimentem deixar o carro em casa. Não chega uns dias. Tem que ser um mês, ou dois. E no final vão ver a diferença na carteira, passam a ser mais organizados porque passa a ser necessário programar certas viagens e itinerários, etc.  São só vantagens!

Num país de extremos como é o nosso, onde na altura da entrada para a CEE existia uma autoestrada Porto-Lisboa, e onde agora podemos ir para qualquer lado por uma autoestrada (ou mais) que nem sabíamos que existia, espero que esforços como o teu sirvam para educar, para mudar mentalidades.

Tal como dizia…. Nada de extremos, creio que o bom senso impera em Portugal, mas ainda somos um país de novos ricos, onde precisamos de usar o carro para ir ao Pingo Doce da esquina, sem sabermos porquê ……..…….. olha, porque SIM.

O percurso está ali na barra do lado. E o Porto Ocidental está a ficar cada vez mais mapeado! Pessoal do Oriente, como é, não se anda de bicla?

Para ir comprar couves é preciso um porta-couves, não um carro. Ou então um atrelado.

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A última palavra é a do tasqueiro:

- Para ir surfar é preciso uma prancha, não um carro.

- Para ir comprar couves é preciso um porta-couves, não um carro.

- Errr,  o capacete.

Crónicas do Primeiro Mundo XXXIII

Os suíços não se limitam a recusar a lógica de que quando o tráfego de uma estrada excede a capacidade desta, é inevitável aumentar essa capacidade – fizeram questão de o consagrar na lei fundamental do país: o aumento de capacidade rodoviária está expressamente proibido na Constituição da Confederação Suíça.

Como estamos a falar de um dos países mais ricos do mundo, não foi, naturalmente, por falta de dinheiro para construir estradas ou auto-estradas que esta proibição foi consagrada na lei fundamental do país: como se diz no mesmo artigo da Constituição, o objetivo é a proteção do país contra os efeitos nocivos do tráfego rodoviário. Daí que a Constituição vá mais longe do que a mera proibição de aumento da capacidade das estradas: o tráfego existente deverá ser reduzido se tal for necessário para limitar os seus efeitos nocivos para o homem, para os animais, para as plantas e para a paisagem.

No NGL.

Ó não, mais um post colaborativo.

Cipollini, um dos melhores ciclistas de sempre, é uma pessoa normal. Quando competia, preferia fazer as etapas de montanha de mota.

Antes de começar um texto, prometido há já umas semanas, partilha-se aqui umas linhas da biografia wikipédica do Cipo, famoso sprinter que apresentei no post anterior e que, tal como a maioria das pessoas normais, não gostava de pedalar a subir.

 ”Cipollini made no secret that he did not like climbing stages, and while he completed all stages of the Giro on many occasions, he infuriated purists by not attempting mountain stages at the Tour or Vuelta. While this is a common practice with sprinters without points jersey aspirations so as to save themselves for the rest of the season, Cipollini’s practice of releasing photos of himself lounging at the beach while the others struggled in the mountains earned him more than his fair share of attention in this regard.”

 Partindo então daquele raciocínio que, de ginga, o melhor caminho entre dois pontos não é:

  • Aquele que é melhor para se fazer de carro (o contrário também é válido – dentro da cidade, na maiora das vezes);
  • Aquele que une os dois pontos descrevendo a linha mais curta.

… e partindo do princípio que as pessoas inteligentes procuram soluções e não desculpas, segue um texto escrito pelo Tiago, autor do testemunho númbaro doze, que complementa um outro sobre uma realidade semelhante que eu já tinha escrito na pré-história deste blog .

“A estratégia em São Francisco e em Berkeley (duas cidades com topografia muito irregular) consiste na criação de alguns eixos principais dedicados à circulação de bicicletas, mas incentivando a utilização de bicicletas em todas as vias da cidade e em todo o tipo de percursos. 

Esta estratégia tem resultado. Apesar de o número de ciclovias autónomas ser extremamente reduzido em São Francisco (estão representadas nas linhas verdes do mapa referido no testemunho) ou praticamente inexistente em Berkeley, a percentagem de população que utiliza a bicicleta é bem mais elevada do que no Porto, sendo contudo a “San Francisco Bay Area” uma das zonas mais prósperas dos EUA.

Como se atingiu este resultado? Criando: 

  • Faixas de bicicletas na berma (não autónomas) em alguns percursos principais. Em São Fransico, ver linhas laranja no mapa;
  • “Bicycle boulevards,” ruas residenciais com prioridade para a circulação de bicicletas (em Berkeley, ver ruas marcadas a laranja claro no mapa);
  • Instrumentos como os referidos  ”bike maps”, onde os utilizadores de bicicletas podem identificar os percursos entre dois pontos da cidade com menores pendentes muito facilmente (devido ao código de cores);
  • “Bicycle racks” nos autocarros da AC Transit e outros transportadores (
    http://bicycling.511.org/transit.htm
    ), permitindo que os utilizadores possam colocar a bicicleta na frente do autocarro (no exterior) para um percurso que seja a subir (por exemplo, de manhã a ir para o trabalho) e mais tarde regressar de bicicleta, a descer;
  • Associações como a “San Francisco Bicycle Coalition,” fundada em 1971 e contando actualmente com mais de 12,000 membros, sendo independente dos poder local mas colaborando com este;
  • Zonas de estacionamento dispersas pela cidade, nomeadamente junto a edifícios públicos e/ou universitários;
  • Eventos como as “Sunday Streets,” “Bike to Work Day,” “Critical Mass” (inventado em San Francisco em 1992), “Winterfest,” “Bicycle Film Festival.”
“Bicycle racks” nos autocarros da AC Transit.

Outro ponto digno de registo: Em cidades como São Francisco ou Berkeley quase todos os cruzamentos sem semáforo têm um sinal “STOP”, o que faz com que a condução de automóveis seja mais calma, e consequentemente mais amigável para os utilizadores de bicicletas e peões.