Monthly Archives: April 2011
Motivar as Massas XXXI
Ici.
Telegraficamente

Um cliente do semáforo da Galiza prepara-se para o take-off. É um dos pontos mais perigosos do Porto.
Tem sido uma semana com muito trabalho, mas com muita pedalada. Não há nada de muito especial para relatar, mas há uns pontos que queria partilhar aqui na Adega:
- A minha senhora é oficialmente uma ciclista urbana: nas últimas duas semanas foram mais as vezes que foi trabalhar de bicla do que as de carro. Ganhei. Alguns colegas dela começam a falar em trocar o carro pela bicla. Ganhamos todos.
- Não há vez que não desça para tomar café e não veja gente de bicla nos seus afazeres, tal como o senhor retratado ali em cima.
- Ontem foi um dia espantoso, com muito commuting bicla-metro pela Cidade. O dia incluiu imprevistos matinais na Pr. República, mais imprevistos de tarde na Boavista, reuniões nas Antas e jantares novamente na Boavista. Acabei com a sensação de que de carro não era possível ter feito isto tudo com tão pouco stress.
Neste último ponto introduzo algo potencialmente polémico: não sei se concordo assim muito muito muito com a permissividade da Metro relativamente às biclas em horas de ponta.
Tive a sensação de estar a ser mesmo muito irritante a ocupar o espaço de três pessoas com o bágom cheio. É que não vale a pena ter cuidado e escolher composições com pouca gente, se passadas umas estações podem encher.
Entrei na Casa da Música em direcção à Trindade para mudar para a linha amarela. São só três paragens e na CdM o metro vinha razoavelmente vazio. Na Carolina Michaelis, a coisa encheu e depois, na Trindade, teve que sair gente da carruagem para poder tirar de lá a fininha. O iPod foi sempre aos berros para não ter que gramar as bocas dos senhores passageiros, que imagino terem sido muitas e para todos os gostos.
Repensar suburbia
É que quando acabar a gota, ou fogem, ou ficam lá fechados.
In Levittown, The Ur-Suburb, A Proposal To Remake Sprawl Into A Small-Biz Oasis
Diller Scofidio + Renfro, with Dutch design label Droog, comes up with a plan that would allow suburban tract homes to be repurposed as vibrant centers of town life.
Testemunhos a Pedal XII
“Cada vez mais utilizo a bicicleta para deslocações na cidade do Porto, inspirado em parte pela minha estadia de alguns anos em Berkeley, perto de São Francisco. Estas são duas cidades com uma topografia muito irregular, mas bem preparadas para a utilização em massa de bicicletas.”
O Tiago, ciclista urbano inspirado por uma experiência na Califórnia, mandou um bilhete aqui para a Adega do Ciclista com uma sugestão que publico agora, mas à qual irei posteriormente voltar noutro post, onde irei juntar os “desenvolvimentos” obtidos na conversa que se seguiu por email.
Entretanto, não quis deixar de lhe pedir para responder ao meu desafio* e foi assim que nasceu o 12º capítulo desta novela.
“A minha experiência pessoal no Porto: desloco-me entre a Baixa e a zona do Hospital de São João com regularidade e nunca repito o mesmo percurso. Os dois percursos que sugiro entre a Baixa e a zona do Hospital de São João são as seguintes:
a) Baixa – Hospital de São João POENTE:
IDA – Praça de Carlos Alberto, Rua de Cedofeita, Rua do Breyner, Rua do Rosário, Rua da Boa Hora, Rua de Aníbal Cunha, Rua de Oliveira Monteiro, Rua do Carvalhido, Rua do Monte dos Burgos, Estrada da Circunvalação, Hospital (ou a partir do Carvalhido: Rua de Sousa Pinto, Rua de Monsanto, Praça Nove de Abril, Rua de Delfim Maia, Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, Rua do Dr. Roberto Frias, Hospital).
VOLTA – Os percursos inversos a partir da Circunvalação até Carolina Michaelis, e depois Rua de Augusto Luso, Praça de Pedro Nunes, Largo do Priorado, Rua de Álvares Cabral, e Rua de Cedofeita.
Este percurso tem a vantagem de percorrer centralidades como Cedofeita, Carvalhido, e Arca de Água, e as poucas pendentes são muito suaves (apenas na ida, no início da Rua de Oliveira Monteiro, e em parte da Rua de Monsanto).
b) Baixa – Hospital de São João NASCENTE:
IDA – Câmara Municipal, Rua Formosa, Rua de Santo Ildefonso, Campo 24 de Agosto, Avenida de Fernão Magalhães, Estrada da Circunvalação, Hospital (ou a partir da Alameda das Antas, Rua de La Couture, Rua do Dr. Carteado Mena, Rua de Pereira Reis, Rua de Assis Vaz, Rua de Augusto Lessa, Rua do Dr. Manuel Laranjeira, Rua do Dr. Roberto Frias, Hospital)
VOLTA – O percurso inverso até ao Campo 24 de Agosto, e depois Rua de Fernandes Tomás (ou no caso do percurso alternativo, após a Rua do Dr. Manuel Laranjeira, Rua do Aval de Baixo, Rua de Oscar da Silva, Rua de Costa Cabral, e Rua da Alegria até à Rua de Fernandes Tomás)
Este percurso percorre centralidades como Campo 24 de Agosto, Antas, e eventualmente Areosa; as pendentes não são tão suaves na ida (a Av. Fernão de Magalhães até à antiga Praça de Velazquez; na volta, apenas o início da Rua do Dr. Manuel Laranjeira).”
E agora as sugestões para a ciclabilidade do Porto:
“Tendo em conta as características das ruas da Cidade, penso que o mais útil seria criar uma rede de “percursos de bicicleta” com o mínimo de pendente possível e concretizados através de faixas de rodagem de convivência entre bicicletas, automóveis (e por vezes autocarros), com uma sinalização especial e eventualmente com uma velocidade máxima de 30 km/h, onde possível e adequado. Não seria necessário criar ciclovias autónomas.”
Nota 1PNP: agora vou meter aqui a sugestão que veio no primeiro email e que referi no início do post:
“Penso ocasionalmente como seria extremamente útil para avançar a causa do ciclismo no Porto que existisse um “bike map” análogo ao que existe em São Francisco e que pode ser visto aqui.
Como podem ver, é um mapa da cidade que pode ser vendido em papel ao público em geral , mas que inclui informação especial para os ciclistas:
- as pendentes das ruas, assinaladas através de um código de cores (com 4 categorias: 0-5%, 5-10%, 10-18%, e acima de 18%)
- as ciclovias dedicadas (autónomas ou na berma)
- as vias com faixas de rodagem largas, que permitem que as bicicletas circulem ao lado das viaturas ligeiras
- lojas de venda, reparação e aluguer de bicicletas
- estacionamentos para bicicletas
- transportes públicos em que se podem levar bicicletas”
O mapa** com os percursos do Tiago está ali na barra da direita.
________________________________________
* A questão que tenho lançado aos leitores do 1PNP é a seguinte: “Gostarias de contribuir com umas linhas sobre a tua experiência, percurso realizado diariamente (para fazer um mapa), principais dificuldades que encontras e sugestões para os ciclistas do Porto?”
** Já vários tasquistas me têm pedido para consolidar os percursos num mapa único e é isso mesmo que vou fazer muito brevemente. A ideia será ter isto disponível tanto no Google Maps como no Google Earth. Haja tempo e paciência que a malta faz.
Cicloficina na ES.COL.A
A Cicloficina de hoje vai (está a) ser na Escola da Fontinha.
Sobre este espaço, o P24 diz-nos hoje que ‘Ocupas’ estão a dinamizar a antiga escola da Fontinha, um mês depois de ter denunciado um assalto neste mesmo espaço até agora abandonado.
Vale a pena ir espreitar as actividades previstas à notícia e ao blogue, até porque “o grupo que ocupou a escola na Rua da Fábrica Social ‘reivindica a oportunidade de dinamizar o espaço’ e diz ter, ‘pelo menos, 90 dias’ para dar provas de que esta é uma experiência viável. O período corresponde ao ‘prazo previsto por lei, após notificação, para desocupar imóvel do Estado ou de instituto público’.”
A Escola é mesmo ao lado da Quinta Musas da Fontinha, onde estive no início desta semana e fiquei pasmado com o avanço que as dezenas que por lá andam deram ao projecto.
Crónicas do Primeiro Mundo XXIX
Seis litros de gasolina
Ontem fui levar a minha nova companhia nas ruas da cidade ao mecânico para mudar as pastilhas (ver final do texto) e dar uma afinação ao selim que teimava em dançar no espigão.
Então foi assim. No final de uma semana de trabalho, lá fui calmamente por Miguel Bombarda e Cedofeita, descendo até à Pr. Filipa de Lencastre, esperando encontrar a Capas Peneda aberta.
Esta loja, que passa despercebida à maioria das pessoas, mas bem conhecida dos ciclistas, é um tesouro mesmo no centro da Cidade. Aí amontoam-se bicicletas antigas mais ou menos desmanteladas e, no meio das pasteleiras nacionais e dos Tabor em condições diversas, ainda se consegue vislumbrar um outro quadro Releigh ou Peugeot. Também se podem comprar biclas feitas para malta que pedala com calma e não anda com roupa aerodinâmica.
Na Capas Peneda tudo é feito devagar, como deve ser, e não há marcações. Quando cheguei, logo me pediram para esperar que acabasse o serviço de outro freguês, o que fiz com agradado, já que tudo se desenrola cá fora, ao lado das novas esplanadas que animam a movida portuense. Não é em qualquer lado que se pode matar um fininho (ou mais) enquanto se dá dois dedos de conversa com outros ciclistas e se assiste a trabalhos de mecânica de alta precisão.
Ao final de hora e meia de conversa, onde, entre a instalação de quatro calços e um cabo novos, houve espaço para uma troca de impressões sobre biclas urbanas, clássicas e sítios na internet para se fazerem bons negócios, lá vim embora com pena de não ficar por ali para começar a noite.
Ficou combinada nova visita, daqui a duas semanas, para trocar um pneu e colocar umas fitas novas, já que a minha habilidade autodidata nesta matéria só chegou para colocar um sorriso mal disfarçado nos lábios de amigos mais entendidos e que costumam andar por aqui.
A brincadeira ficou por seis litros de gasolina sem chumbo 95, mais minuto, menos minuto.
PS: Já agora, esta coisa linda finalmente tem nome: Tai. Foi escolhido pelo Pedro Candeias, que passou grande parte da vida montado em duas rodas em Macau. Em cantonês quer dizer “ bonito relâmpago azul e branco da estrada que faz muito barulho a travar“. Agora já não faz.
Motivar as Massas XXX ou Desmotivar as Massas I
Nota do editor: Para ‘XXX’ leia-se ’30′, apesar da traila não ser muito apropriada para quem está a começar a enfrentar o trânsito…. se calhar vamos chamar a isto “Desmotivar as Massas I”.
Crónicas do Primeiro Mundo XXVIII
“O facto das contas da Carris estarem em pior estado do que o chapéu de um trolha não inibiu a administração de renovar a sua frota com BMW, Mercedes e Audi, de 45 mil euros cada.
(…)
Somos o país com maior percentagem de jovens que compram carros novos (20% contra a média europeia de 11%). Os nossos sub 30 não só são aqueles que estão disponíveis para gastarem mais com o carro como, ainda por cima, na sua esmagadora maioria (75% contra 57% no resto da Europa) declaram que só recorrem aos transportes públicos se não tiverem outra hipótese. E para o ano vamos ultrapassar os japoneses em número de carros por mil habitantes (583 contra 525).
(…)
A solução é declarar guerra ao uso privado do automóvel. O próximo Governo brilhará a grande altura se aumentar de forma drástica os impostos sobre os combustíveis, a venda e a circulação automóvel, imitar os espanhóis e baixar o limite de velocidade nas auto-estradas (que na prática é de 150 km/hora, pois ninguém é multado se não ultrapassar essa velocidade) e adoptar uma política severa de tolerância zero com os infractores – e investir o encaixe assim conseguido na reestruturação e melhoria da oferta do sector de transportes públicos.”
Em “Declarar guerra ao automóvel” no Bússola.
Crónicas do Primeiro Mundo XXVII
“Supressão de carreiras deixa milhares a pé
As empresas de transporte público rodoviário do Grande Porto estão a reduzir a oferta. Supressão de linhas e cortes no serviço nocturno e ao fim-de-semana são medidas que vão afectar milhares de pessoas. Em causa estão a fraca procura e o preço do combustível.”
No JN
“STCP em falência técnica admite reformular mais linhas
A STCP, que voltou a fechar o ano em falência técnica, admite que durante este ano terá de reestruturar o serviço nas linhas menos rentáveis e com menor procura. Também o serviço dos eléctrico será reformulado. Redução do efectivo também será para manter.
(…)
É a maior operadora de transportes da Área Metropolitana do Porto – no ano passado transportou 370 mil passageiros por dia e percorreu 30 milhões de quilómetros – mas continua sem um contrato de serviço público, sem uma solução para o reequilíbrio económico financeiro e com uma compensação “insuficiente” do Estado face ao serviço social que presta.”
Motivar as Massas XXIX
Qualidade de vida é… (outra vez)
Uma bicicleta azul e branca
Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados
Texto fundamental da SSRU.











