Quase nada de novo na Marginal

Amanheceu um belo dia para pedalar e foi com um sorriso nos lábios que eu a criação partimos mais uma vez em direcção à escolinha.

Chegados lá, a boa disposição era muita e como ainda havia tempo deixei-me ficar por lá a fazer uns desenhos para a canalhada. Vantagens de me deslocar num veículo mais anti-stress que as pulseiras Tucson.

Então e novidades? Ora bem, nos 15 minutos que fiz na marginal a caminho da oficina cruzei-me com 4 (quatro) ciclistas vestidos para o dia-a-dia, sem capacete e sem fatos espaciais. Um deles era uma senhora, outro um habitué com quem me cruzo muitas vezes.  Nenhum tinha ar de trolha (os maiores ciclistas urbanos de todos os tempos), nem de correio da droga (no Porto os bike messengers trazem todos cartas do além no alforge). Não queria juntar as duas classes no mesmo sub-grupo de ciclistas, mas acabaram por ficar na mesma frase – as minhas desculpas ao pessoal da construção civil.

Tenho reparado no aumento considerável de ciclistas no Porto, mas não estava a contar ver tanta gente em tão curto espaço de tempo, o que quer dizer que estes habilidosos vão ter que começar a amanhar-se melhor para encostar o bólide:

Estacionou em cima da ciclovia e de uma rampa de acesso, tendo deixado apenas uma nesga entre a lata e o cartaz do Flôr do Gás. Dificilmente podia ter estacionado de forma a  incomodar menos.  Posssivelmente o azeitola autor desta obra de arte é aquele tipo que está lá atrás a olhar para mim a fotografar o carro.

Normalmente não utilizo muito as ciclovias, mas tem sido raro o dia em que o faço e em que não haja um inteligente que decide que incomodar um ciclista é a mesma coisa que não incomodar ninguém. No outro dia tinha sido este artista e no início desta semana foi uma carrinha dos SMAS que, apesar de ter do outro lado da rua todo um estacionamento vazio, decidiu que é supé chique estacionar em cima da ciclovia de Cristo Rei, que por acaso até é uma das mais perigosas que conheço.

Pronto, logo há Massa Crítica.

PS: não considero ou emprego a palavra “trolha” com um sentido depreciativo. Penso apenas ser a forma corrente (não a politicamente correcta) de no Norte se designar estes profissionais, tal como pode ser comprovado aqui.

Porto nas alturas

Já tenho escrito por aqui sobre a necessidade de vencer o principal obstáculo à ciclabilidade da cidade: a passagem da ‘planura’ das marginais, ideais para pedalar, para as zonas altas onde se localizam a maior parte das empresas, escolas ou transportes públicos, tal como poderão ler nestes posts:

Então, a propósito deste tema e das boas notícias de ontem,  lembrei-me do projecto vencedor do concurso de ideias para a marginal do Porto quando estava a dar duas de letra na caixa de comentários com o Paulo.

Não me compete avaliar a qualidade deste projecto do Pedro Balonas, nem o seu mérito nesta vitória, até porque não vi com detalhe as outras propostas,  mas, enquanto ciclista urbano, não podia deixar de me agradar a ideia, ou até a simples lembrança, dos elevadores que podem ver nas imagens que ilustram este post e que estão disponíveis, juntamente com outras, no sítio do arquitecto. Aparentemente, neste momento as coisas estão em banho maria.

Numa espécie de trava-línguas mental, mudo aqui de assunto sem realmente chegar a mudar de assunto. Então é assim: hoje, ao fazer a revista de imprensa da praxe, li mais uma notícia sobre os teleféricos que me deixou com a pulga atrás da orelha e ligeiramente irritado numa fase inicial, e aparvalhado depois. O oposto do efeito Coca-cola, portanto.

Gaia tem teleférico quase pronto e já projecta outro até ao Porto

Enquanto o novo teleférico turístico da marginal de Vila Nova de Gaia vai passeando, para cima e para baixo, em fase de testes, a câmara liderada por Luís Filipe Menezes já projecta outro equipamento do género, mas para atravessar o rio Douro e marcar presença no Porto. E não se trata do prolongamento sonhado do teleférico actual. É uma outra ligação, novinha em folha, entre a zona do ArrábidaShopping, em Gaia, e o Campo Alegre, no Porto.

Fiquei estupefacto! (uma evolução desde ligeiramente irritado e apalermado). Então prevê-se mais uma travessia à cota alta, ao lado da Ponte da Arrábida, com o pretexto de que é preciso levar pessoas até aos transportes públicos do Porto, em vez de se criar um corredor bus que resolvia o problema (sacrificando o pópó, claro)?

Chega até a ser cómico haverem nas duas margens desta cidade, existirem várias pontes à cota alta, importantes para trazer a malta dos subúrbios a Sul para os escritórios na Boavista (ou apenas para deixar passar os pópós em direcção a qualquer centro industrial da periferia) e das três que ligam os seus centros, duas estarem ao lado uma da outra (Infante e D. Luís) e a outra ao abandono (D. Maria).

Curisosamente esta nova travessia aérea, toda maluca, vai passar também ao lado de outra ponte projectada para a segunda linha de Gaia do Metro, a construir num futuro mais distante: a ponte do Gólgota, ficando o cidadão com três hipóteses de travessia no mesmo local.

O Peter Cook é que a sabia, ao fascinar-se pelo facto de o Porto ser uma cidade “tão bizarra, tão cheia de inconsistências estranhas”. Salva-se assim a ideia deste novo teleférico apenas pela extravagância e patusquice, como alimento da curiosidade dos intelectuais por esse Mundo fora. How cool is that?

E ligações à cota baixa? Há apenas uma e é centenária (tabuleiro inferior da D. Luís) e sobre isso escrevi em 2004, na Baixa do Porto, o seguinte:

A união das frentes ribeirinhas do Porto e Gaia é um ponto importante para a reabilitação da vida no centro da Cidade. De todas as áreas de ambos os centros históricos, são estas as zonas mais procuradas para actividades de lazer. Quanto a mim, estas zonas são já complementares do ponto de vista turístico, e de alguma forma do ponto de vista do lazer.

No que diz respeito à habitação e à mobilidade que é fundamental para a atractividade dos locais, estes dois centros estão a “quilómetros” de distância: a única travessia disponível é, como bem sabemos, o tabuleiro inferior da D. Luís e o problema da mobilidade entre as margens irmãs não será certamente resolvido com “vaporettos” e teleféricos.

O recente anúncio do Polis em Gaia, que pretende reabilitar toda uma zona entre o Freixo e a Afurada, perspectiva também uma nova renovação na marginal do Porto, pois afinal de contas é essa a sua paisagem, ficando assim enquadrado todo o bom trabalho desenvolvido desde a Cantareira à Ribeira.

Este último ponto poderá servir para fundamentar a necessidade de uma travessia à cota baixa, fechando o círculo e criando um circuito entre ambas as margens, aumentando a mobilidade de quem as habita (habitará) e a visibilidade das zonas recuperadas.”

Apesar de as coisas terem mudado muito na Cidade nos últimos anos ao nível da mobilidade, esta travessia tornou-se mais urgente do que nunca, tal como o este artigo sublinha ao falar de uma hipotética nova travessia em D. Pedro V à cota média (seja lá o que isso for).

Para os peões, ciclistas, utilizadores dos transportes públicos e até automobilistas, uma ponte pequenina, baixinha e baratinha fazia muito mais falta do que carrosséis voadores.

PS: continuando a arqueologia digital, encontrei este texto meu, também de 2004, sobre a travessia no Gólgota.

Autarcas com A grande e pequenos regedores

O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, legitimamente preocupado com os encerramentos de serviços ferroviários anunciados para o dia 1 de Fevereiro, levou a cabo uma série de diligências com câmaras municipais e CP, apresentando propostas alternativas, de modo a garantir a continuidade desses serviços e assim, além da salvaguarda de postos de trabalho, fazer com que as populações continuassem a usufruir do serviço ferroviário. Uma dessas acções acaba de dar resultados positivos: os comboios continuarão a circular, embora com a oferta reformulada, entre Setil e Coruche. De salientar que este sindicato efectuou o mesmo tipo de diligências junto das Câmaras servidas pelo Ramal de Leixões. Foi apenas recebido pela Câmara Municipal da Maia. A Câmara de Matosinhos, a principal interessada neste assunto, nem se dignou a responder ao pedido de audiência. Uns são autarcas, outros, costumeiramente, não passam de serventuários dos directórios partidários.

Para já, a manutenção do serviço no Ramal de Leixões passaria obrigatoriamente por uma reformulação da oferta, actualmente (talvez propositadamente?) exagerada em número de circulações para as condições operacionais oferecidas; e, também, pela alteração do trajecto levando os comboios pelo menos até Campanhã. Estes já muito debatidos investimentos terão obrigatoriamente que ser levados a cabo se se pretende honestamente aproveitar todo o potencial desta via. A mim sinceramente espanta-me que não se consiga perceber as sinergias e as vantagens múltiplas que esta via pode proporcionar entre o Metro do Porto e os comboios urbanos.

António Alves, na Baixa do Porto.

Boas notícias

Teleférico já anda na zona histórica

No post sobre Portland, referi o teleférico que é utilizado para tornar a cidade mais plana. Referi também o novo teleférico que une a parte alta e a baixa de Gaia, o Funicular dos Guindais e o Elevador da Lada como instrumentos de grande potencial para a ciclabilidade do Porto.

A boa notícia que chega hoje, é a de que, tal como o Funicular, o Teleférico vai estar integrado no esquema Andante. Falta saber se podemos levar lá as biclas.

Cada viagem, que será explorada pela empresa Telef e está abrangida pelo sistema Andante (título Z2 ), demorará cinco minutos, numa velocidade média de quatro metros por segundo. Ou seja, a distância que separa as cotas alta e baixa (562 metros) será ultrapassada nesse período de tempo por cada cabina com capacidade para oito pessoas.

No JN

Começo a pensar em comprar um andante mensal, pois são cada vez mais as vezes em que utilizo o metro e funicular com a bicla. Para mim, um dia destes, o Porto vai ser uma cidade sempre a descer.

Há (alguma) vida depois das SCUT

Uso de transportes públicos para entrar e sair do Porto cresceu depois do fim das SCUT

Metro do Porto e a CP verificaram, no último trimestre de 2010, um crescimento de passageiros nas linhas e percursos que constituem uma alternativa às antigas SCUT, onde o Governo introduziu em Outubro portagens.

“Comparando o 4º com o 2º trimestre de 2010, os dados apontam para crescimento na procura na ordem de 9% na Linha Vermelha (B), paralela à A28, e de 3,5% na Linha Verde (C), perpendicular à A41″.

(..)

Já a CP informou o P24, através do seu gabinete de comunicação, que, “após uma análise detalhada somente aos percursos de influência das ex-SCUT”, verificou “um crescimento de passageiros de cerca de 4,5% referente a viagens ocasionais e pendulares, casa – trabalho e casa – escola”, nos meses de Outubro e Novembro de 2010, face ao período homólogo de 2009.

No Porto 24.

Pisar o risco

Contrail is a public art project that celebrates shared spaces, helps make bicycling safer and more fun.

Um curioso projecto de cycle advocacy que pretende aumentar a visibilidade dos ciclistas despertando a curiosidade dos utilizadores da via pública. Através da instalação de um aparelhómetro na sua bicla, cada ciclista pode deixar um rasto colorido marcando os seus trajectos. Mais aqui.

Via Nosso Impacto.

Portlandia

Estreou esta semana.

The 6-part IFC Original short-based comedy series PORTLANDIA, created, written by and starring Fred Armisen (SNL) and Carrie Brownstein (vocalist/guitarist, WILD FLAG, Sleater-Kinney), premieres on IFC Friday, January 21, 2011 at 10:30 PM ET/PT. Each episode’s character-based shorts draw viewers into “Portlandia,” the creators’ dreamy and absurd rendering of Portland, Oregon. “I love Portlandia. It really represents so much.

Ver mais aqui.

PS: a propósito de Portland, ver este post.

Um outro estado das coisas III

Londres, em Agosto passado.

5 things to expect from cycling in London in 2011

1. Expansion of the Boris Bike Scheme

2. Completion of two more Cycle Superhighways

3. A couple more cyclists

4. Advances in law for cyclists

5. Changes in the makeup of cyclists

Ver textos completos no London Cyclist.

Aproveito para lançar um desafio aos leitores pedindo previsões para 5 coisas que os ciclistas do Porto podem esperar para 2011, mas até sou simpático e adianto já algumas hipóteses:

1. Ainda mais insultos dos automobilistas – eles vão andar nervosos com a subida do IVA, SCUTs, aumento dos combustíveis, etc e coiso;

2. Mais ciclovias para guerreiros de fim-de-semana com traçados sem nexo nenhum;

3. Mais um ou outro companheiro ao pedal;

4. Início do programa de bike-sharing e bicicletização do Campus Universitário da Asprela;

5. Menos carros na estrada, devido às SCUT, nova linha laranja do Metro, prolongamento da linha amarela e aumento da eficiência na intermodalidade.

Crónicas do Primeiro Mundo XI

Está a usar mais as alternativas ao carro?

No dia em que o preço da gasolina atingiu o seu máximo histórico, o JN foi à rua saber se os portuenses estão a sentir-se forçados a recorrer mais às alternativas ao carro.

Ver o vídeo.

De uma forma geral as pessoas queixam-se mas não procuram alternativas e as que dizem que o fazem tem todo o ar de serem já clientes de longa data dos transportes públicos.

Seria interessante terem entrevistado pessoas um bocadinho mais jovens para percebem se vem aí uma nova mentalidade.

Devia haver um movimento para acabar este regabofe.

Motivar as massas XVI

Gasolina atinge preço recorde

As gasolineiras voltaram a subir o preço dos combustíveis. Tanto o gasóleo como a gasolina sem chumbo 95 estão mais caros desde a meia-noite de hoje.

Galp aumentou o preço da gasolina em dois cêntimos, com cada litro a custar actualmente 1,53 euros. Já no gasóleo, a subida foi de três cêntimos para 1,34 euros.

Na Cepsa, o litro de gasolina aumentou em um cêntimo para 1,533, o que corresponde a um novo recorde de preços. Um litro de gasóleo custa agora 1,339 euros.

O preço da gasolina e do gasóleo na BP sofreram um acréscimo de um cêntimo para 1,529 e 1,329, respectivamente.

Este aumento leva a que o valor da gasolina supere o máximo histórico de 1,525 euros registado em Julho de 2008, altura em que cada barril de crude cotava nos 147 dólares.

No i.

Unha preta IV

A Quinta Musas da Fontinha é bem no coração da Baixa. Fonte: http://www.terrasolta.org

No Sábado passado lá decorreu o tão adiado primeiro encontro para o lançamento da Quinta Musas da Fontinha, um pr0jecto do Movimento Terra Solta e da Associação Musas.

A acreditar no Chico, um dos dinamizadores do Terra Solta e responsável pela permacultura no meu terraço, a coisa correu mesmo muito bem, com muita adesão (40 pessoas) e muito trabalho adiantado.

As pessoas aderiram com força de labuta na limpeza do espaço de forma incansável. Recebemos pessoas de todas as idades e capacidades. Foi realmente animador sentir o cooperativismo para criar um espaço onde se poderá conciliar Agricultura, Ambiente e Sustentabilidade. Valores Inseparáveis.

O Público também andou por lá e escreveu o seguinte:

Cidadãos criam espaço para agricultura não convencional no centro da cidade

Movimento pretende aproveitar terrenos abandonados para fazer agricultura sem recurso a químicos. Qualquer pessoa pode cultivar um lote no centro do Porto. Sem qualquer custo.

Encontrar terrenos abandonados nos quais se possam desenvolver projectos de agricultura sem recurso a produtos químicos. Numa frase, talvez seja esta a melhor forma de definir o projecto Quinta Musas da Fontinha, que arrancou sábado e que juntou cerca de 40 pessoas só no primeiro dia.

A ideia de Francisco Flórido, membro do movimento Terra Solta e mentor do projecto, é simples: encontrar terrenos para distribuir lotes de terra agricultável no centro do Porto. Tudo sem submissão a qualquer tipo de “lógica economicista”, nota Francisco Flórido, um engenheiro agrónomo para quem a grande vantagem deste projecto é provar que o “espírito cooperativo entre cidadãos pode funcionar”.

Na Rua do Bonjardim, no Porto, foram já distribuídos os primeiros 11 lotes (que têm entre 25 e 75 metros quadrados). Os terrenos são geralmente privados, mas estão abandonados ou sem qualquer utilidade. “O que propomos ao proprietário é uma espécie de contrato de comodato”, explica o engenheiro agrónomo. “As pessoas cedem-nos o terreno e, em troca, comprometemo-nos a mantê-lo limpo e produtivo.” A única obrigação assumida por quem cultivar o lote é utilizar técnicas que respeitem a agicultura biológica, biodinâmica ou permacultura.

A ideia parece ter pegado: no sábado, entre associações ambientais, sociais e recreativas e participantes a título individual (apareceram casais desde os 30 aos 70 anos), passaram cerca de 40 pessoas pela Associação Musas da Fontinha, que cedeu o principal terreno para o projecto (com 400 metros quadrados). Nem todas estavam interessadas em adquirir lotes e esse foi um dos pontos que mais impressionou Francisco Flórido: “Houve gente que apareceu só para ajudar.” E ajudar significou sobretudo meter mãos à obra e limpar terreno – a primeira das etapas do processo.

Cada um levava o que tinha – moto-serra, luvas, sementes – e todos iam participando. “Criámos uma comunidade em autogestão”, orgulhou-se o mentor do projecto.

As linhas de acção e as regras não estão completamente definidas, mas há muitas ideias no ar: criar espaços para a preservação de fauna e flora natural, lagos, um forno de adobe (barro), limpar o poço existente no terreno, integrar animais (abelhas incluídas) no espaço para melhorar o ecossistema, criar periodicamente feiras para venda de alguns produtos, são algumas delas. E ainda organizar workshops sobre agricultura sustentável do ponto de vista ambiental.

A entrada para o terreno faz-se pelo n.º 998 da Rua do Bonjardim, a sede da Musas. É também lá – e através do e-mail da associação Terra Solta – que os interessados podem obter mais informações sobre o projecto.

A ideia agora é ir desbravando terreno adjacente: um dos vizinhos do Musas já cedeu a sua propriedade (90 metros quadrados, destinados à Associação Vida Alternativa) e acredita-se que outros poderão seguir o mesmo caminho. “O espaço onde estamos agora já esteve abandonado e, depois de muito trabalho, conseguimos fazer agricultura aqui. É isso que pretendemos que aconteça aos outros terrenos”, explicou Hugo Sousa, da Associação Musas da Fontinha.

Há todo um processo de “transferência de saberes” que interessa particularmente a Hugo Sousa. E as diferentes associações que foram comparecendo ao longo de sábado sugerem que essa tarefa não será complexa. A Associação Colectivo Germinal, por exemplo, que trabalha com crianças desfavorecidas, já “arrendou” um espaço com objectivo bem definido: fazer hortas pedagógicas para os mais novos. É um “ponto de partida”, diz Francisco Flórido, para quem está demontrado que as hortas urbanas também suscitam interesse no Porto, apesar de esta cidade ainda mal ter acordado para a tendência.”

Infelizmente não pude ir devido a outros compromissos, mas vou tentar aparecer por lá num dos próximos encontros. Entretanto, há lotes para distribuir (desbravar) e muito “trabalho comunitário” a fazer no terreno.

A próxima intervenção colectiva será já no dia 22.

Entretanto podem ir seguindo o projecto no Facebook ou no website do Terra Solta.


E a malta voltou a comprar o “Passe”

Mais três notícias recentes sobre os STCP.

1. STCP registou em Novembro recorde de utilizadores com título mensal desde 2007

(…) a STCP destaca o crescimento substancial de títulos no tarifário intermodal – em Janeiro de 2007, as assinaturas intermodais eram 30 mil, tendo triplicado para mais de 90 mil em Novembro de 2010.

“Os clientes demonstram assim a sua clara preferência pela possibilidade da utilização de um sistema de transporte integrado, que dá resposta às diferentes soluções de mobilidade que pretendem”, considera a transportadora rodoviária.”"

No JN

2. “Homologação de autocarros de dois pisos ainda não foi publicada

A homologação dos autocarros de dois pisos que a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) comprou ao construtor germânico MAN não chegou a ser publicada em 2010, como se previa. A presidente do conselho de administração da STCP, Fernanda Meneses, diz saber que o processo está concluído e admite que “brevemente” os 15 veículos possam vir a ser utilizados pela empresa, depois de entregues e após a instalação de alguns equipamentos (videovigilância e máquinas de validação, por exemplo). Com mais lugares sentados, os double deckers vão circular em algumas das linhas em que a empresa sabe que as pessoas percorrem maior distância, desde o momento em que validam.”

No Público

Um dos novos doubledecker à espera de poder dar à roda.

3. “Transportes Públicos: STCP melhorou indicadores de qualidade, exceto em relação à duração da viagem e aquisição de títulos

O Estudo de Satisfação e Qualidade/2010 realizado pela STCP revela que a empresa melhorou em quase todos os indicadores de qualidade, exceto no que respeita à duração da viagem e facilidade de aquisição de títulos.

A análise dos resultados, a que a Lusa teve acesso, conclui que a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) “inverteu claramente a tendência de declínio nos indicadores de satisfação e lealdade que se tinha verificado em 2007″.

A qualidade e a imagem são as variáveis com maior impacto direto na satisfação.

No Expresso

Centenário

Para comemorar o post nº100 do 1PNPeONP, este mesmo que estão a ler, lanço o seguinte desafio – ajudar o visitante que cá chegou à procura da resposta para a seguinte questão:

o que fazer quando o selim abana

É uma pergunta inocente, mas com potencial para respostas carregadinhas de criatividade, pelo que podem enviar as vossas sugestões para a caixa de comentários.

A propósito, outras coisas que me fizeram sorrir na máquina estatística aqui do tasco:

“arvores vendidas zona prelada” – uma teoria para o que se passou aqui.

“ginasios no porto em aldoar a 30 euros por mes” – devem ter descido muito no Google para cá chegar. Já agora, desconheço a existência de qualquer ginásio aqui na freguesia, mas umas corridas no Parque da Cidade e umas pedaladas para o trabalho resolvem o problema dos quilos a mais.

“a lebre e a tartaruga” – duas vezes, tenho que investigar.

trajectos estupidos google maps” – muito agradecidos.

“trajeto lisboa para porto de carro pela a28″ - xiiii, vai dar uma grande volta!

“como ir à escola a pé” – ora bem, inclina-se o corpo ligeiramente para a frente e avança-se uma das pernas, apoiando firmemente o calcanhar no chão, transferindo de seguida o peso do corpo para a parte posterior do pé. Depois repete-se o procedimento com a outra perna, começando uma sequência alternando uma e outra perna de forma a progredir no terreno . O segredo é manter o equilibrio, podendo-se utilizar os braços para o efeito.

“bicicletas motorizadas que parece com a biz” – a resposta não sei, mas este site pode dar uma ajuda noutro tipo de problemas.

Feliz nº 100, feliz nº 100.

PS – entrada fresquinha para a lista de cima: “coelho tartaruga bicicleta para duas pessoas”.

I love public transportation

Some people hate the bus

Not me, I can’t get enough

Some people live in the fast lane

Not me, I take the train

I love public transportation

Train or bus, they’re both amazing.

Art Brut, música simples sobre coisas do dia-a-dia.

Rock’ and Rodas. Sweet.

Rapha Bicycle Collection

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Rapha partners with renowned bike-makers to produce a limited run of four classic models

As purveyors of some of today’s top cycling gear and accessories, it’s completely logical that Raphawould foray into the world of bike building. What makes the move interesting is how they chose to do it. Like all their products, diehard cyclists helped conceive the newly-launched bicycle collection, and they partnered “with four masters of framebuilding to offer four distinct, hand-made bicycles.” While each of the models have been made by their respective brands before, this limited edition run of customizable, Rapha-approved bikes will only be available for the next two years”.

Vale a pena ler o resto no Cool Hunting e conhecer um pouco das parcerias que a fantástica Rapha fez com algumas das melhores marcas no mercado. Preços a começar nos 3500 dólares e a acabar nos 6000 e tal.

Planeamento Colaborativo III

Porque o 1PNP é também um blogue feito pelos amigos,  apresento o terceiro post colaborativo, que chega depois de trabalhos mais ou menos em parceria com o Vitor e com o Gonçalo.

Ora então é o seguinte: num comentário a este post, o Paulo disse-nos isto:

De facto Miguel, algumas das ciclovias requerem alguma preparação física dos seus utilizadores, a não ser que as utilizem essencialmente para o downhill. A Alameda da Prelada, se ficar como imagino, terá uma via ciclável de bastante utilidade. A primeira fase de construção veio finalmente dar uma utilidade ao Viaduto sobre a VCI e já está em curso a segunda fase que visa chegar até à Circunvalação. Actualmente tem apenas 600 metros de pista mas quando estiver concluída será uma excelente alternativa de entrada e saída da cidade a pedalar.

… eu respondi com o desafio de criar um mapa ali para a barra da direita, ao qual o Paulo respondeu com prontidão. Aqui está ele.

Curiosidades deste percurso:

1. É praticamente plano e está, tal como a ciclovia oculta, no alinhamento de um, vá lá, planalto, que vai da Srª da Hora, pelo menos desde bem lá ao fundo da Avenida Fabril do Norte (quase em Custóias), até à Rotunda da Boavista.

Há muito boa gente que faz a vida toda neste eixo com mais de 7Kms de cumprimento e que corresponde ao percurso da generalidade das linhas do Metro em direcção a Norte, mas isso vai ser matéria para um outro post.

2. Passa uma tanja (isto de andar de bicicleta leva-nos de volta à pré-adolescência e ao respectivo vocabulário) ao futuro Parque da Prelada (ainda hipotético), a área verde que podem ver na imagem, aumentando o potencial comercial* de uma futura ciclovia a sério (com mais do que meia dúzia de metros).

Uma salva de palmas para o Paulo.

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* por comercial entenda-se eleitoral.

Crónicas do Primeiro Mundo X

Nova contagem de mortos na estrada mostra aumento de 91% entre os peões

A nova contabilização de mortes nas estradas – um registo alargado a 30 dias – mostra uma nova realidade: uma grande subida de falecimentos entre os peões.

(…) Paulo Marques, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), informou que entre Janeiro e Abril deste ano morreram nos hospitais, segundo o novo modelo, 275 pessoas em resultado de acidentes de trânsito.

No JN, via Sr. Gomes (já agora vão lá espreitar o comentário que ele retirou da página da notícia original)


Vestir primeiro as calças e depois as cuecas

Segundo a Revista Porto Sempre, a CMP formaliza uma ciclovia inútil entre o Castelo do Queijo e António Aroso, que ainda por cima é paralela a uma outra já existente no Parque da Cidade.

É claro que esta parte da Avenida a intervencionar em 2011 não está grande coisa do ponto de vista estético, com um grande canal vazio no centro, mas é de longe, mas mesmo de longe, a única que se encontra com um ar minimamente decente, para além de não apresentar grandes constrangimentos à mobilidade como os verificados no caos automóvel mais a nascente.

Por todas as lógicas esta devia ser a última prioridade, mas acontece que vão haver corridas de automóveis clássicos, actividade muito do agrado do nosso Presidente, que tem especial predilecção por coisas barulhentas e poluentes, como carros, aviões ou barcos de corrida.

Registo curioso para o facto da CMP ter começado a utilizar as bicicletas para vender ideias.

Avenida da Boavista vai ser requalificada

A Câmara Municipal do Porto, tem em estudo um projecto de requalificação integral de toda a Avenida da Boavista, entreo Castelo do Queijo e a Rotunda. No troço poente, que agora irá ser requalificado, o projectoprevê a colocação de árvores na placa central e a criação de uma ciclovia. O objectivo passa por devolver a beleza, mas também ordenamento e mobilidade àquela que é, de longe, com os seus mais de cinco quilómetros de extensão, a mais longa artéria da cidade do Porto e um dos seus principais ícones viários. Devido à sua extensão e aos actuais constrangimentos financeiros, a intervenção será feita ao longo dos anos, em três fases distintas. A primeira, decorrerá em 2011,mas apenas no troço poente, entre o Castelo do Queijo e a Rua António Aroso, junto à entrada doParque da Cidade.

O projecto referente à primeira daquelas fases – que é, aliás, o mais barato e o mais fácil de efectuar – já se encontra elaborado, prevendo-se que a conclusão dos projectos referentes às duas restantes etapas possa ocorrer ainda durante este ano, mas apenas para serem executados ao longo dos tempos, em função das disponibilidades financeiras da CMP.

Texto completo na Revista da Câmara.

Andantes a penantes

Jovens que viajam na STCP subiram 40 por cento desde 2007

A Sociedade de Tranportes Colectivos do Porto (STCP) tem registado, desde 2007, um aumento no número de viagens efectuadas por clientes com menos de 23 anos. No acumulado destes quatro anos, desde a entrada em operação da sua nova rede, a STCP viu as validações neste segmento aumentarem 40 por cento. Sendo que entre estes utilizadores é também cada vez maior a preferência pelo Andante, título que permite viajar também no metro e na CP.

No Público.

Crónicas do Primeiro Mundo IX

London cycle hire

London cycle hire: mapping a million journeys

The latest London cycle hire data gives a unique insight into how people use their Boris bikes. See how the routes have been mapped – and download the data for yourself.

Ver o resto aqui.

Relacionado com isto, temos também isto.

PS: London’s bicycle-hire scheme – Grit in the Gears (The Economist)