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Kinder “Nortada” Surpresa

2012/02/23

Hoje fui trabalhar de bicicleta. Por si só isto não tem lá muito de especial.

Moro a uma cota de cerca de 100m e trabalho a uma cota de 40m. Já voltar para casa é outra história!

Como me decidi a não deixar “morrer” a Nortada do Miguel (ainda estou para perceber donde veio o nome!), fui nela.

No regresso, o barulho que fazia começava a preocupar-me! Considero que as minhas “skills” de mecânica estão ao nível de uma criança de 4 anos a brincar com Legos, mas mesmo assim fui eu que afinei a bicicleta.

A cada pedalada ela estalava, chiava e resmungava… mas andava. Chegado ao paralelo o barulho que ela fazia assemelhava-se a um Trabant com um milhão de Km’s a descer um corta-fogos duma mata de terreno rochoso com os pneus vazios e a mala aberta!

Chegado a casa resolvi tentar descobrir o que diabo chocalhava tanto, porque era mesmo isso. Chocalhava! Olhei de um lado, do outro, abanei e virei-a de rodas para o ar. Nem sei bem para quê, mas virei. Ouvi o chocalho mover-se!

Resolvi começar a desmontar. Primeiro o selim… e não foi preciso mais nada:

Estavam dentro do quadro três chaves de bocas!

Estou para ver que surpresas mais me reserva esta velo-menina com nome de fenómeno meteorológico.

Miguel, troco as chaves por companhia ao almoço.

 O meu amigo Rui, no Rodas Pequenas.

 Mais um partida do meu puto, que gosta de fazer coisas fixes em bicicletas e hoje teve o seu primeiro grande estouro a pedalar.

Motivar as Massas CXX

2012/02/22

Até a minha mulher já disse que sente falta do momento pernoléu da semana.

Confessou-me o Vitor um destes dias.

Os acessos às passadeiras rebaixados…

2012/02/22

… são espectaculares para os carros não terem que trepar passeios.

Hoje, como todos os dias, na Rua do Godinho.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXIII

2012/02/21
À beira dos caminhos construíram-se casas.
As casas foram sendo construídas junto de casas.
Os conjuntos de casas formaram aldeias, vilas e cidades.
Para a circulação dentro da cidade construíram-se ruas e mais ruas, largas ou estreitas, praças e avenidas.
Para facilitar a circulação nas ruas, já no tempo dos romanos, surgiram os passeios para facilitar o trânsito dos peões.

Já no século XXI, as comodidades para os peões parecem ter sido esquecidas, como nesta imagem de um “passeio” na Praça Pedro Nunes na nossa cidade.

São as ruas do Porto. Aqui.

Nada melhor…

2012/02/21

… que voltar à carga com o blogue para descobrir que continua tudo no sítio e “limoeiro em vaso” continua a ser um dos termos de pesquisa preferidos para vir cá parar através do Google.

A Adega não é uma arrecadação

2012/02/21

…e é por isso que não gosto de guardar coisas que não uso. Não sou um rapaz piegas, daqueles que fica agarrado às coisas. Gosto delas enquanto têm uma utilidade.

Foi por isso que quando arranjei a menina ali em cima, tratei de dar vida à Tai, a minha companhia adorada ao longo dos últimos meses. Uma hora de anúncio no Facebook foi suficiente para consumar a venda, por um preço honesto.

E prontos, o destino tem destas coisas. O comprador foi a melhor pessoa possível, já que quando nos falha o pai, temos que nos virar para o padrinho. O novo dono é nem mais nem menos que o Pedro, cuja relação com esta bicla foi já aqui relatada:

O nome Tai foi escolhido pelo Pedro Candeias, que passou grande parte da vida montado em duas rodas em Macau. Em cantonês quer dizer “ bonito relâmpago azul e branco da estrada que faz muito barulho a travar“.

História bonita, certo? Certo, mas há mais.

No último Domingo, quando estava a passear com a descendência, encontrei um amigo a quem tinha doado as peças da Nortada (lembram-se?) para acabar um tandem. Pois, nem tandem, nem meio tandem. O Rui ia montado na Nortada. Nem me queria acreditar e o relato do nosso encontro está aqui.

Esta semana a história ganha outros contornos quando, no passado Domingo, fui dar um passeio de bicicleta com a minha mulher. Antas, Ribeira, Foz, Matosinhos… e no caminho encontro o Miguel. Reconhecendo a bicicleta conta-me um facto que me deixa com um peso considerável nos ombros. Foi com esta bicicleta que ele, na pele de “Velho Lau“, se iniciou no ciclismo urbano!

Motivar as Massas CXIX

2012/02/21

Não tem sido fácil separar as águas, apesar da minha resolução de o único espaço da Velo Culture no 1PNP ser aquele cantinho ali à direita reservado à publicidade.

Não tem sido fácil, porque o projecto passou a ser grande parte da minha vida e também porque é um negócio de activismo, que toca muitas vezes o que andei por aqui a fazer desde o Outono de 2010.

Felizmente, tenho tido muita atenção mediática com a loja e, curiosamente ou não, passamos de uma fase do género “uau, que loja diferente”, para outra em que as pessoas vêm de novo ter comigo e com os meus sócios para ouvirem o que pensamos sobre a mobilidade em bicicleta, ou outras coisas mais úteis e ciclotóteis que uma notícia sobre a abertura de uma loja.

É por isso que, quebrando a promessa feita, trago para aqui duas coisas:

1. O link para uma reportagem no Canal Superior sobre mobilidade em bicicleta.

Basicamente, o resultado está muito longe (e muito melhor) do que o esperado. A entrevista foi feita em ambiente demasiado relaxado e quem me conhece, sabe que não posso dar entrevistas em ambientes demasiado relaxados. Foi de certeza um trabalho de edição épico para cortar todas as piadinhas e as tangas que fomos dando uns aos outros.

No final, somos os tipos que andam de bicicleta e que entram num diálogo ou discussão com o professor universitário que não anda de bicicleta e diz que o Porto tem “muitas pendentes”.

PEDALAR É O QUE ESTÁ A DAR

Portugal começa, aos poucos, a render-se ao charme das bicicletas como meio de transporte urbano. Com o aumento do preço dos transportes, parece haver cada vez mais motivos para começar a dar ao pedal no dia a dia. Nas Universidades, nem sempre é comum ver os alunos sobre duas rodas, mas a tendência é haver cada vez mais bicicletas estacionadas nos campi.

Podem ver aqui.

2. A transcrição da entrevista no Editorial

Se calhar o “media” onde aparecemos menos conhecido dos leitores do 1PNP, mas para mim um dos mais importantes. O Editorial é o espaço do Álvaro, que é um dos rapazinhos com melhor gosto que tenho conhecido por essa internet fora. Como bom vaidoso que sou, gosto de aparecer no meio de tanto coisa fixe. Fica a parte da entrevista cuja publicação aqui na Adega não pode ser considerada “publicidade”:

O que dirias para convencer alguém a trocar o carro pela bicicleta?

Digo para experimentarem uma semana, trocando parte dos trajectos de carro pela bicicleta. Nem que seja ir à mercearia ou tomar café. Se a pessoa não estiver disposta a experimentar em percursos pequenos, não vale a pena insistir. Um dia quando repararem que muita a gente o faz, mudam de ideias. De qualquer forma, através do meu blogue, tenho conseguido converter umas quantas pessoas.

Qual foi a coisa mais estranha que fizeste com uma bicicleta?

Já tive algumas aventuras recentes na bicicleta, como esta aqui. O mais estranho acho que foi carregar sacos de compras cheios presos no cinto das calças e um garrafão de água de 5L no top tube da minha bicicleta, que é de corrida e não tem porta-cargas. Não sei muito bem como o consegui, mas consegui.

O que deverão as cidades portuguesas fazer para se tornarem mais amigas das bicicletas?

Mais estacionamento e menos paralelo. Algumas bike-lanes em zonas mais pesadas e uma análise aos sentidos de trânsito também ajudavam. O Porto (e Matosinhos) seria muito mais ciclável se se invertessem alguns sentidos de trânsito para tornar os percursos mais adaptados (evitando subidas acentuadas, por exemplo). O resto é estética. Os carros vão-se habituando à nossa presença.

Quais os teus locais favoritos no Porto?

A Baixa, claro, especialmente a sua zona mais Oriental, perto da Av. Rodrigues de Freitas. Gosto da mistura social, das ilhas e das pessoas novas que gostam de lá viver. O desenho urbano, quase falhado, é fantástico, com as grandes avenidas e alamedas arborizadas.

À noite, se não andar a saltar de bar em bar como sempre, vou ao Plano B.
O Mercado de Matosinhos é um local de eleição para compras, claro e o Museu Soares dos Reis, além de ser de visita obrigatória, é um sítio maravilhoso para almoçar ao fim-de-semana. Adoro o meu bairro!

Actualizações e ciclovias

2012/02/21

O ritmo tem sido lento aqui na Adega, por motivos que vocês já conhecem, mas, aos poucos, vamos lá.

Os últimos meses foram de grandes mudanças e, entre outras coisas, mudei duas vezes a rotina do meu “commuting”.

Foi uma coisa curiosa: se durante meses fiz um percurso de sete quilómetros para cada lado, sem apanhar qualquer ciclovia ou ciclocoisa, a partir de Novembro iniciei uma rotina muito mais curta, entre Aldoar e a Praça do Império, que incluia uma parte de ciclovia.

Com a abertura da Velo Culture em Janeiro, passei a ir diariamente para Matosinhos, num percurso de quinze minutos, sempre a descer para lá e sempre a subir para cá, incluindo uma boa parte na ciclovia de Matosinhos.

Curiosamente, nunca, mas nunca, me senti inseguro no percurso entre Aldoar e o Palácio, onde passava pela 5 de Outrubro, Sidónio Pais, Rotunda da Boavista e o cruzamento de Julio Dinis com a Praça da Galiza. Já nas rotinas mais recentes, não posso dizer o mesmo, como já tinha documentado aqui e também por motivos que passo a explicar.

Na semana passada, relatei os abusos dos camiões na ciclovia de Sousa Aroso neste post. No dia seguinte, o cenário era o mesmo. Um pouco mais acima, fui bloqueado pelo monstro que podem ver na imagem.

Basicamente, aqui o Lau é uma velha carraça. Parei em frente ao camião e chamei a polícia, ligando para a esquadra local. O motorista, espanhol, veio ter comigo e educadamene disse que fazia sempre isto, que era o que lhe diziam na fábrica para fazer.

Respondi educadamente que ao fazer aquilo, me obrigava a:

1. andar em cima do passeio;

ou

2. ir pela rua em sentido contrário.

Duas situações ilegais e que representam um perigo que não tenho a obrigação de correr, pelo que ia esperar que ele saísse da frente.

Uns minutos depois veio o encarregado, bem menos educado, que disse:

Chamaste a polícia? Bem que podes esperar o dia todo. Eles não aparecem e se aparecerem não vão fazer nada.

Encolhi os ombros e voltei ao Angy Birds.

Quarenta minutos depois de estar ao frio a ouvir as bocas do pessoal da fábrica e após três telefonemas (dois para a esquadra e um para o 112), lá apareceu um reboque e um carro da PSP (trânsito), tendo a situação sido resolvida com um auto.

Curiosamente, o polícia do reboque estava muito chateado comigo, tendo dito que eu estava a provocar desacatos. O polícia do carro, pelo contrário, foi impecável e explicou-me o que já sabia: eles descarregam ali porque ninguém diz nada e quando fizeram a ciclovia se esqueceram que havia fábricas na mesma rua, tendo marcado lugares de estacionamento onde deviam existir baías de carga e descarga.

Quando fui embora, os senhores que tinham passado a última hora a mandar bocas, já lá não estavam, vá-se lá saber porquê.

Esta ciclovia foi planeada para uma utilização pouco intensa, o que implica um grande número de situações perigosas, como bem ilustra o um comentário recebido no post anterior:

O que sei é que esta ciclovia é um perigo, em ambos os sentidos mas especialmente se for usada em sentido contrário ao do transito. Os carros que entram nesta rua avançam quase sempre ciclovia adentro (até ficarem como o mercedes do link), só depois abrandam para verificar se podem de facto entrar na via, por vezes nem chegam a imobilizar o veiculo (desrespeitando o stop). Há ainda alguns condutores que olham apenas para um dos lados.

Esta situação não é fruto da minha imaginação, de facto já me aconteceu, felizmente consegui evitar o acidente mas foi aí que deixei de circular em “sentido contrário”. Passei a usar a rua paralela que não tem ciclovia mas é muito mais segura.

Mesmo circulando no mesmo sentido, como estamos o mais à direita da via, por detrás de uma fila de carros estacionados e de mobiliário urbano (grandes vasos com árvores), ficamos bastante suscetíveis a acidentes tipo right-hook.

Outro problema são os cruzamentos principais, principalmente para quem vai em contramão: não é possível entrar ou sair legalmente da ciclovia sem desmontar (temos que entrar ou sair de uma rua em contra-mão.

Como tenho dito, Matosinhos tem um potencial enorme, fruto da sua condição geográfica e topográfica, de um passado recente cheio de bicicletas e de uma grande abertura da autarquia para estas coisas. Faltam resolver pormenores como este para que as coisas funcionem melhor.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXII

2012/02/08

À ida.

Pode até parecer-lhe a coisa mais normal do Mundo, mas a verdade é que está a obrigar-me a seguir pela estrada em contra-mão.

Foi o que gritei ao homem do camião que ocupava ambas as faixas da ciclovia.

Uns metros abaixo, reparei que ele continuava com se nada fosse. Curiosamente, passou um carro da polícia que, após indicação minha, foi lá tomar conta da situação.

No regresso.

No mesmo sítio, para a mesma loja, o cenário repetia-se.

Como não vi nenhum carro da polícia, tratei de ligar para a esquadra de Matosinhos, onde se prontificaram a enviar um carro.

Para frustação minha, vi o camião a sair bem antes de a polícia ter tempo de chegar. Solução? Meti-me à frente dele na estrada, sem o deixar passar. Quando ele abriu a janela, disse-lhe:

Se acha que eu devia estar na ciclovia, não devia ter lá o carro parado.

A resposta foi:

Estava muito carregado.

Motivar as Massas CXVIII

2012/02/08

No sítio onde agora trabalho, passam muitas bicicletas e muitos ciclistas daqueles que não andam a treinar para a Volta. A malta vai-se habituando à sua presença e até perde a pica para escrever sobre eles, dada a quantidade cada vez maior de gente que vemos pela rua.

Alguns dos ciclistas já conhecemos pela silhueta, quando passam lá em cima na Ponte Móvel. Outros reconhecemos pelos sons que fazem, como a Daniela ou o Nuno, que nos saúdam com um vigoroso “tlimtlim” das suas campainhas enquanto acenam cá para baixo, ou o senhor que todos os dias ao final da tarde nos brinda com um ‘nhécnhéc’ irritante vindo do eixo pedaleiro e que se ouve dentro da loja.

Relativamente a esse último, o Sérgio já disse que qualquer dia lhe faz uma espera e improvisa uma Cicloficina no meio da ponte. Hoje estivemos quase a fazer isso mesmo, para conhecer a pequerrucha loira que passou duas vezes, uma em cada sentido, com a bicicleta pela mão.

Alguns dos ciclistas de Matosinhos conseguem deixar-me com um sorriso nos lábios durante uma boa parte do dia (a pequerrucha é um deles). É o caso do pessoal dos navios, normalmente de uma simpatia contagiante e que costuma visitar o Mercado para se abastecer. O da fotografia lá em cima,  pediu uma mãozinha à nossa vizinha, enquanto o amigo fazia compras numa das lojas. Levou o primeiro prémio “Motivar as Massas” da Adega do Ciclista.  Comentários para quê?

Testemunhos a Pedal LI

2012/02/07

A minha mãe até goza comigo, dizendo que se pudesse dormir com a bicicleta na cama, era o que fazia.

Good things come to those who wait. Há uns meses atrás, reparei que no sítio do costume lá perto de casa, havia uma linda bicicleta amarela recorrentemente amarrada na zona dos carrinhos.

Um dia, ao desamarrar a Tai e enquanto prendia os sacos à cintura, um senhor que estava lá encostado com a sua bicicleta disse-me que o brinquedo era de um rapaz que trabalhava lá. Na visita seguinte, não resisti e interroguei o miúdo da caixa, que me disse que a linda bicla amarela era de um colega da charcutaria,  totalmente maluquinho por bicicletas. Por acaso, não estava lá nesse dia.

Nos dias seguintes, voltei decidido a “arrancar” um testemunho, mas nunca mais encontrei lá a bicicleta.

Hoje, estava na loja e entrou um miúdo, a perguntar por umas peças para um restauro. Miúdo, mas com mais ciência que muito homem feito. Claro que o querido leitor já está a ver quem era o rapaz.

Uns minutos depois, lá cheguei à conclusão de quem era e ele, entre gargalhadas, contou que se lembrava perfeitamente do colega dele lhe ter dito que andavam atrás dele para uma entrevista e que ainda ia ficar famoso!

Foi assim que finalmente conheci o Hugo, rapaz de 19 anos que já perdeu a conta aos que passou em cima de uma bicicleta.

Ando de bicicleta todos os dias, para todo o lado. Moro na Senhora da Hora e trabalho na Zona Industrial de Ramalde. Detesto autocarros e até para ir para o centro da cidade levo a bicicleta, apesar de ainda ser perigoso andar pelo Porto. Deviam haver mais sítios próprios, pistas para nós.

Os meus colegas dizem que sou tolo. A minha mãe até goza comigo, dizendo que se pudesse dormir com a bicicleta na cama, era o que fazia.

Gosto de montar bicicletas. O meu pai ajuda-me muito e foi ele quem pintou esta. Um dia montámos uma tandem, mas deixei de andar nela porque entretanto fiquei sem namorada.

Agora estou a restaurar uma BMX.

Estado de espírito

2012/01/31

Pois é meus amigos, a partir de hoje, o meio de transporte principal aqui do Velho Lau é single speed. Não, não é uma fixed.

O novo brinquedo, que podem espreitar aqui, daqui a uns dias estará como eu quero, com ainda menos cabos, punhos novos e um selim como os selins devem ser. Basicamente, dois travões é demasiado para uma coisa que anda tão pouco, principalmente depois de ter passado quase um ano com uma coisa que anda muito e não tem travões.

As subidas são um estado de espírito.

Crónicas do Primeiro Mundo CXXI

2012/01/30

O belga de cronómetro que deu mais tempo aos peões em Santa Catarina

Se vir Geert van Waeg numa rua do Porto pode agradecer-lhe, sobretudo se tiver o hábito de andar a pé: foi este cientista belga que convenceu a Câmara do Porto a aumentar o tempo da luz verde nos semáforos para peões na Rua de Santa Catarina.

Ler tudo no Porto24

Conheci o Geert no ano passado e gosto de pensar que ajudei um pouco na resolução deste problema. Um pequeno grande pormenor que não foi divulgado na notícia: duas semanas depois da reunião com o pessoal da CMP, o problema estava resolvido e as soluções recomendadas implementadas.

Uma dupla salva de palmas, portantos!

Crónicas do Primeiro Mundo CXX

2012/01/27

Histórias da carrodependência mórbida.

Decidi contactar-vos, pois encontro-me em estado de choque com as novas notícias sobre a nova gestão de estacionamento na cidade do Porto. As ruas foram, praticamente, todas vendidas! Resido no centro da cidade, cidade que escolhi para viver. Tenho um carro, idoso, mas que me faz alguma falta e como a maior parte dos moradores no centro da cidade, não tenho garagem.

Possuo cartão de residente, que, apesar de tudo, não é nada funcional, pois acabamos por ter que pagar metade das horas (4 horas diárias) e por essa razão sempre optei por deixar o carro estacionado a alguns quarteirões de casa,numa rua sem parquímetro, que só tem lugares disponíveis a partir da noite. Nessas alturas era um verdadeiro pesadelo conciliar onde deixar o carro, as horas a que tinha que ir trabalhar, as horas que, após o trabalho, me eram mais convenientes para chegar a casa (chegou ao ridículo de acabar de trabalhar e andar a passar o tempo noutro lado até chegar uma hora conveniente para ir para casa, pois antes disso não iria arranjar lugar e na maior parte das vezes estava cansadíssima e só queria chegar a casa como as pessoas normais). Quando, porventura, chegava a casa de madrugada, lá caminhava sozinha os quarteirões até casa, só para poder deixar o carro numa rua que não me causasse ainda mais preocupações. Uma verdadeira escravidão, deteriorando a minha qualidade de vida, devido à falta de lugar.

Neste momento, com as últimas notícias sobre os novos locais de parqueamento privado pago, é praticamente impossível não pagar, pois as ruas estão quase todas privatizadas! Se era um pesadelo viver no centro pela falta de garagem, agora é um verdadeiro atentado! Neste momento encontro-me desempregada e pagar a moedinha 4 horas por dia, 5 dias por semana está absolutamente fora de questão! Eu questiono-me aos iluminados que permitiram a venda das ruas que deveriam ser de todos, onde é que vou deixar o carro? Quais são as alternativas? Queixam-se que o centro da cidade é desertificado. Eu fiz um favor à cidade e vim para aqui viver. O sonho tornou-se pesadelo. A cidade está a expulsar-me. Se a cidade não oferece condições para ter as pessoas a viver dentro dela, então que cidade é esta?

No TAF

Testemunhos a Pedal L ou Testemunhos a Pedelec II

2012/01/24

Quem me conhece, sabe que tenho uma não relação com as bicicletas eléctricas. Reconheço-lhes a utilidade, especialmente em casos extremos, mas não as considero bem bem bicicletas.

De qualquer forma, ciclo-romantismos à parte, é uma alternativa de mobilidade muito válida e por isso incluo-a nesta coluna da Gazeta da Adega do Ciclista.

Conheci o Fernando há meia dúzia de dias. As duas vezes que o vi, vinha numa Dahon (esta sem motor), com uns Schawlbe quase slick, a gritar-nos os muitos quilómetros que já rodaram. É por isso que é um dos ciclistas urbanos mais extraordinários que conheço, já que não é qualquer um que faz o Caminho Francês sozinho numa dobrável.

O testemunho dele é resgatado da caixa de comentários e é uma excelente forma de comemorar a meia centena de relatos. Ah pois, são já cinquenta.

Nos idos de 1964 ofereceram-me uma pasteleira. Foi quando fiz 14 anos.

Na noite desse dia, carreguei-a para o segundo andar e no recato do meu quarto, adormeci na sua contemplação. Hoje,quase nos sessenta, muitas bicicletas depois e  várias peregrinações pelo Caminho Português de Compostela, Caminho Francês, Fátima, etc, permiti-me um capricho: uma bicicleta eléctrica.

Andei a namorá-la desde que surgiu na Decathlon aquele primeiro modelo com sete mudanças de cubo, travão roller brake atrás e roda 700.

Experimentei-a dentro da loja no corredor central, nos primeiros dias da sua apresentação. Fiquei seduzido. Acabei por ceder às tentações e um ano depois comprei-a em saldo a metade do preço com um cesto traseiro amovível como adicional. Uso-a 5 dias por semana, pelos menos, e percorro cada dia pelo menos 14 Km. Já tem 2800.

Encomendei entretanto um poncho da marca alemã Vaude, muito bem pensado, muito prático e construído especificamente para ciclistas urbanos. Vou às compras, à peixaria, às batatas. No meu local de trabalho já ninguém estranha a sua presença ao alto, dentro do elevador para 8 pessoas e arrumada todos os dias discretamente a um canto do terceiro andar.

O automóvel só anda quando transporto passageiros e a scooter 250 perdeu a primazia que durante anos teve. É mais relaxante a bicicleta, para raios de ação que não diferem muito. Basta não haver lugar a capacete, casacos de couro, ruído, cheiro dentro da garagem, nem custos de manutenção e outros que se aproximam de um automóvel.

Testemunhos a Pedal XLIX

2012/01/24

Comecei por fazer pequenas tarefas do dia a dia perto de casa de bicla e espero ir evoluindo para maiores distâncias!

A ideia de abrir uma ciclocoisa nasceu obviamente com o 1PNP. Ter tempo para me dedicar às biclas e às pessoas que gostam de biclas assiste-me. E é por isso que, com uma felicidade do tamanho do Mercado de Matosinhos, adapto um postal de uma boa amiga, que após me aturar horas no chat, se converteu.

O último testemunho antes de completar a centena é o da Tininha, que conta no seu blogue o que a motiva para isto.

Dia 14 de janeiro começou a minha “New year resolution”, comprar uma bicicleta. Fui fortemente influenciada pela Velo Culture e pelo blog  Um Pé no Porto e outro no Pedal! Mas foi o MB que, ao longo de vários meses,  me foi criando (mesmo que não sabendo) a vontade de andar de bicicleta!

Admiro a maneira como defende a sua causa e como, de uma maneira simpática, vai lançando sementes cheias de good vibes !

Já andei algumas em horas de pouca gente na rua já que , me sinto uma criança de 10 anos a aprender a andar de bicicleta  sem as 2 rodinhas de apoio. So far so good, a sensação é fantástica, especialmente em noites frias de Inverno! O frio não mata, o frio não é inimigo de ninguém , nem deve ser impedimento de fazermos o que quer que seja !

Comecei por fazer pequenas tarefas do dia a dia perto de casa de bicla e espero ir evoluindo para maiores distâncias !

Esta foi a banda sonora que me esta a acompanhar enquanto “Blogo” , julgo que adequada  já que , esta história com a bicicleta é mesmo ” Slow Magic” !
Opá, fico triplamente contente. Uma amiga a mudar de vida, mais uma bicla na rua e saber que isto tem servido para alguma coisa. E as palavras simpáticas sabem bem.

Nhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhécccc….

2012/01/24

Foi o barulho que se ouviu quando o Velho Lau abriu a porta da Adega do Ciclista, depois de uma ausência demasiado longa.

A culpa é repartida pelo trabalho que dá mudar de vida e pela inexistência de uma ligação à Net menos temporária e também menos cara. Isto de estar a pré-pago há 3 semanas, à espera que se ligue um fio, já não se usa.

Entretanto, foram-se desenhando postais na cabeça da humilde criatura, que virão novamente aqui parar ao ritmo habitual, a acompanhar o café com cheirinho. É que o freguês não pode chegar e dar com o nariz na porta. Dá mau aspecto.

E prontos. Confortavelmente instalado de novo ao comando da máquina de finos, o Lau, sempre diligente, passa a bola para a freguesia que entretanto se foi acotovelando ao balcão e, a pedido de um ciclista em potência que entretanto conheceu, pergunta:

Qual é o melhor percurso para quem quer ir da Avenida de França para o Mar Shopping?

Por melhor entenda-se o mais rápido e que exija menos esforço. Respostas na caixa de comentários, se faz favor.

Testemunhos a Pedal XLVIII

2012/01/04

Estava à espera do início da maior Massa Crítica de sempre no Porto (mais de 70, segundo algumas contas), quando um rapaz numa bicla toda catita veio ter comigo.

És o Miguel, não és? Reconheci-te pela bicicleta!

A querida Tai caminha a passos largos para o estrelato e isso é bom!

Meia dúzia de palavras depois, estava-lhe a cravar o testemunho, como manda a praxe. Aqui está ele, curtinho, mas cumpridor.

Pois encontrei o Miguel na última Massa Crítica: reconheci-o pela bicicleta. Gabei-lhe a escrita e agradeci-lhe a militância e em troca pediu-me um testemunho. Muito breve, disse-lhe eu, virá outro depois.

Mudei de casa há um ano e desde então a bicicleta acompanha-me todos os dias. Vivia junto à praia, com uma ciclovia à disposição e a bicicleta significava desporto, alternada com corridas e passeios a pé.

Muito bom, mas não fazia parte do meu quotidiano, apenas de uma parte. Hoje em Costa Cabral, próximo de tudo o que me diz respeito, entre carros e autocarros, já sem o descanso de não partilhar o mesmo espaço com eles, pedalo mais e para tudo mais… para o trabalho, cafés, compras, encontros. Não sinto que tenha tomado essa opção, mas que ela se me tomou com naturalidade.

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PS: a fotografia lá em cima é da Sónia Arrepia.

Bicicleta Voadora

2012/01/04

O Rui da Bicicleta Voadora está a fazer um leilão da última t-shirt do seu projecto social e eu não gostaria de deixar de divulgar a coisa na Adega do Ciclista.

Leilão T-Shirt e Livro Voador

Há já algum tempo, procurava aliar o meu uso diário da bicicleta a um projecto de responsabilidade social. Foi assim que decidi contactar a Assol - Associação de Solidariedade Social de Lafões, que tem como missão dar oportunidades a cidadãos com deficiência e/ou com doença mental crónica e incapacitante. “Devagar se encaderna longe” é a oficina de encadernação da Assol, um espaço de trabalho e convívio para estas pessoas, onde se produzem através de processos artesanais livros com páginas em branco. Foi com o trabalho dedicado dessas pessoas que nasceu a edição limitada de T-shirt e livro dedicados àbicicleta. Todas as receitas obtidas com a venda da mesma revertem integralmente para a Assol.

Neste momento tenho apenas um pack de T-Shirt Cinza e logo a Preto + Livro + Saco (T-Shirt Tamanho M – Eu tenho 1,79m e serve-me na perfeição) . Quem oferecer mais estará a contribuir de forma importante para ajudar estas pessoas e a Instituição e na divulgação da revolução da mobilidade em Portugal. Só serão aceites propostas a partir de 14 euros e valor será entregue na totalidade àAssol.

As propostas podem ser enviadas até ao dia 8 de Janeiro para o mailbicicleta.voadora.pt@gmail.com

Se o Pack ficar em Lisboa será entregue de bicicleta de forma gratuita, caso seja noutro ponto do globo, acresce o valor de envio.

Road rage

2011/12/30

Estava a meio da corrida matinal e já só vi a ambulância a ir embora.

Alguém deixou o carro estacionado em cima da passadeira e um taxista não viu a senhora que estava a atravessar a rua.

Foi neste cruzamento da Jornal de Notícias, rua em que os carros andam normalmente muito acima da velocidade permitida, que já por si é muito elevada. Ali, a vida anda sempre por um fio.

A agressividade na estrada é isto. Um sentimento de impunidade que faz com que as pessoas pensem que chegar à hora que querem ao destino e andarem a pé o mínimo possível é um direito seu, muito acima dos direitos fundamentais dos outros.

Afinal

2011/12/29

… o amolador também aparece em dias de sol.

Hoje, no Mercado da Foz.

Crónicas do Primeiro Mundo CXIX

2011/12/29

Amigos destas guerras enviaram-me este recorte. Um presente de Natal atrasado, portantos.

Caro Miguel,

Estas férias de Natal serviram para fazermos umas limpezas e no sótão do nosso mais velho estavam imensos jornais antigos (perfeito combustível) de onde retiramos este artigo de um tal Sr. Globo, que desconhecemos a proveniência ou a idoneidade.

No entanto, há onze anos atrás já havia alguém com alguma pontaria sibilina, em cujo artigo parece antever as guerras que hoje travamos…

Para o que (e se) interessar, aqui fica o dito com o devido mau aspecto da qualidade de imagem.

P.S. viva a mudança!

Motivar as Massas CXVII

2011/12/29

Hora de ponta ciclista em Detroit… em 1899.

Greensavers

Motivar as Massas CXVI

2011/12/27

This teaser is featuring Hugo Rocha, a fixed gear rider from Porto, Portugal. Covered with cobblestones and hills, Porto is definitly not the place to ride a bike without brakes, still Hugo is commuting with his bike every day.

The final project “The use of Space” is going to be architecture Master Thesis – about how to use urban space, with bikes, skateboards or just simple with your body.

Desabafo electrónico

2011/12/23

Não percebi se isto que recebi no meu email era um poema, se um desabafo, se os dois, mas percebi a mensagem.

E diz-me ela, vais andar de bicicleta com este frio? E eu, eu andava de bicicleta na Dinamarca, pá.

Bicicleta órbita, selim Tabor? Diz-me tu que percebes do assunto. Muita pinta sim senhor. Essa e a minha e mais três e era um engarrafamento de biclas no metro.
Foi o Sr. Progresso e Gramática, amigo do coração.

Comodista

2011/12/23

Ouvi falar no Comodista hoje e não podia deixar de o publicitar.

Os meus votos de um 2012 com mais dias por semana a entregar de bicicleta (tipo todos os dias), é o que desejo ao pessoal do comodista.

Mudar de vida

2011/12/23

… ou uma espécie de “disclaimer”.

Alguns fregueses notaram que a Adega do Ciclista tem andado assim para o calmo nos últimos dias. A verdade é que isto tem uma justificação simples. Decidi mudar de vida.

Aliás, não decidi mudar de vida, mas dedicar-me muito mais ao que realmente gosto: as bicicletas e às pessoas que gostam de cidades que estão feitas para quem se transporta de bicicleta (ou a pé, ou de transportes públicos).

Foi por isso que apareceu aquela coisa nova que podem ver ali acima, no canto superior direito, para onde (desejavelmente) aponta a seta verde.

É isso. O Sérgio, eu e o Hugo, outro amigo desta coisa das bicicletas, que também tem um blogue, mas não gosta muito que se saiba (não tem nada a ver com bicicletas e bate-nos aos pontos em audiências), decidimos criar uma empresa dedicada aos ciclistas urbanos: a Velo Culture.

Ainda não é a Adega do Ciclista em carne e osso, apesar de isto também poder vir a acontecer, mas também se quer um ponto de encontro do pessoal das biclas. A nossa ideia é ganhar a vida a fazer aquilo com que toda a gente sonha: ter um emprego quem nem parece trabalho de tanto que se gosta dele e uma base que nos dê flexibilidade para os nossos projectos mais “activistas”.

O 1PNP não é alheio a isto tudo. Ao longo deste ano e picos aconteceu muita coisa, tendo o blogue conseguido uma visibilidade que não podia sequer imaginar no início do Outono de 2010. Conheci pessoas fantásticas (muito fantásticas, diga-se) e tenho-me divertido muito, é certo. Penso também que já ajudei um pouco a tornar esta cidade mais amiga do ciclista e a tirar um ou dois carros da rua.

Mas não há bela sem senão e, por isto tudo, os níveis de exigência acabaram por aumentar de postal para postal, obrigando a muitas horas pela noite dentro a escrever e a rever textos.

O que é certo, é que até ao momento, ninguém quis patrocionar o 1PNP, ajudando a pagar um pouco este trabalho, o que me levou a pensar em alternativas. A alternativa encontrada foi patrocinar-me a mim mesmo.

Está o “disclaimer” feito, deixando a promessa de manter aqui o vosso tasco preferido como até agora, sem interferências. Está também justificada a Volta a Matosinhos que se tem dado aqui no blogue. É que o nosso poiso  vai ser lá, numa das lojas exteriores do Mercado Municipal.

Entretanto, se quiserem conhecer mais sobre a coisa, podem ir seguindo as aventuras do pessoal no nosso blogue, que é escrito por um alter-ego do Velho Lau, travestido de CMO do melhor sítio para se trabalhar do Mundo.

Crónicas do Primeiro Mundo CXVIII

2011/12/21

Acesso gratuito à internet e televisão digital na linha 207

Os clientes da linha 207 (Campanhã/Mercado da Foz) da STCP vão aceder gratuitamente à Internet e televisão digital a partir de quinta-feira, anunciou esta quarta-feira a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.

Em comunicado, a STCP afirma que este serviço será oferecido experimentalmente durante 6 meses, sendo que “a arquitectura de comunicações desenvolvida está preparada para ser alargada a metros e táxis”, permitindo, assim, que os passageiros usem o serviço de forma contínua durante uma viagem que inclua inter-modalidade.

Porto24.

O Valor do Mercado

2011/12/19

O autocarro não passava, tinha sido assim toda a manhã, mas agora ao fim da tarde estava muito pior. Perguntámos à condutora do autocarro se já tinha chamado o reboque ou a polícia, ao que esta respondeu que sim: “o reboque chamei quando arranquei o primeiro retrovisor lá atrás e a polícia já cá esteve mas disse que não podia fazer nada…”

Mas o valor do mercado desceu vertiginosamente quando nos deparamos com esta situação caótica de trânsito para a qual não existe justificação. Tudo isto era previsível e nenhuma organização tem o direito de se abster de assumir as responsabilidades quando projecta para a vizinhança de uma maternidade um evento, sem assegurar que existem condições – ou estacionamento suficiente ou fiscalização – para que este se realize. A rua é estreita e de sentido único, como também é o principal acesso à maternidade, sendo ainda utilizado para se chegar ao Santo António, mas o palacete tem muito espaço para os expositores estacionarem, enquanto os visitantes poderiam ter usado o parque em frente que se encontrava vazio. Vimos uns vendedores a carregar os produtos desde as garagens próximas ou dos estacionamentos autorizados na envolvente, mas uma grande parte deles estacionou no passeio e com “modos de quem está a trabalhar”, ou seja, com todo o direito e os outros que se lixem. Assistimos ainda a ambulâncias em emergência a fazerem marcha-atrás para darem a volta, o que é intolerável.

Ler todo o texto dos Secretos no TAF.

O peão não pode esperar. Nunca.

2011/12/19

A comunidade científica internacional tem estado em suspense por estes dias.

Nas semanas que passaram, anunciou-se a confirmação da descoberta do Bosão de Higgs lá para meados do ano que está para chegar e a existência de um planeta potencialmente habitável, apenas a 600 anos-luz da querida imbicta.

Menos mediática, mas de igual importância, foi a apresentação dos resultados de um estudo da Universidade de Camberra Oriental, confirmando que as vibrações do motor de arranque do carro, que chegam pelo rodar da chave, fazem  o cérebro humano desligar a maior parte das zonas onde se encontram as características que  diferenciam o homem dos demais mamíferos, em especial dos de grande porte.

E isto explica o efeito “manada em fúria na pradaria” dos automobilistas em ruas em que, para o bem da sobrevivência da espécie, se deveriam comportar como serenos koalas em período pós-procriativo.

Compete às autoridades, tanto policiais, como da gestão do espaço público, fazer, respectivamente, o papel do cow-boy que vai controlar a manada e o do zelador da paliçada que a vai manter sossegadinha enquanto não está ninguém a olhar.

É por isso que não faz sentido o Ministro Mota Soares ter um carro novo de 86.000 euros e a PSP de Aldoar estar limitada a um Fiat do tempo da outra senhora com um buraco no banco do condutor.

E também é por isso que a CMP, enquanto zeladora da cerca, não pode  deixar uma passadeira por pintar todo o fim-de-semana após intervenção na via pública.

A pintura da passadeira ficou para depois do fim-de-semana.

Este Sábado, debaixo de chuva e com uma criança ao colo, acenando a pedir passagem, estive quase cinco minutos a tentar atravessar a Rua 5 de Outubro, vindo da estação do Metro mesmo ali ao lado.

Ninguém, mas mesmo ninguém, se dignou a abrandar, já que a passadeira estava por pintar. Acabei por ir dar “uma grande volta” até à passadeira mais próxima, que ainda me obrigou a esperar em dois semáforos para poder atravessar.

Nunca percebi aquela rua e a forma como é permitido conduzir ali. A saída de Sidónio Pais, com uma curva aberta, é cenário de acidentes constantes e o semáforo/passadeira logo à frente um perigo fenomenal, tanto para os peões, como para os carros que ficam lá parados.

Vindos da Via Rápida, os carros chegam facilmente à Rotunda da Boavista perto dos 100 km/h, sem qualquer obstáculo, ignorando olimpicamente as passadeiras (mesmo quando estão pintadas) e os outros utilizadores da rua.

Curiosamente, a 5 de Outubro é uma rua cheia de potencial, tendo o Metro lá perto, a Casa da Música e uma área residencial mais do que consolidada, que  vai dando negócio aos restaurantes e os pequenos comércios que ainda subsistem.

Soluções para isto?

Assim rapidamente, colocar semáforos activados por radar e marcar melhor as passadeiras, enquanto não se fazem coisas verdadeiramente estruturantes como alargar passeios, criar bike lanes e introduzir limitadores de velocidade (aquelas mini-lombas sonoras têm um efeito psicológico espectacular).

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PS: Entretanto a comunidade foi dando feed-back. É mais grave do que inicialmente pensava.

Sérgio:  aquela passadeira está por pintar à montes de tempo
a semana passada quase fui atropelado lá
à noite com a sandra
MNT: Aconteceu-me a mesma coisa, só não estava a chover, e não foi a unica que não foi pintada, a da rua que vai dar á estação de metro também não estava lá!
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